Como escrever com estilo

Num artigo de 1999, o escritor Kurt Vonnegut defendia a idéia de que jornalistas e escritores técnicos treinam para não revelar muito sobre si em seus escritos. Segundo ele, no mundo literário, isso se tornaria uma aberração.

Afora a polêmica afirmação, a criação de um estilo próprio se releva ainda mais relevante on-line, já que há tantas formas de expressar suas idéias (blogs, twitter etc.). Ademais, não há orientações editoriais a serem seguidas, você é o próprio editor (escolhe sobre o que escrever e qual o prazo, ou mesmo se haverá deadline). Ademais, a internet propicia troca de idéias com seus leitores e grande espaço para a experimentação. Ou seja, é você que decide colocar estilo e personalidade naquilo que escreve (no final do texto, você encontra um resumo das dicas de Kurt Vonnegut de como escrever com estilo).

Por isso a forma de contar histórias estaria mudando. É o que defende o diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Tecnologia e Educação (em inglês, NITLE) Bryan Alexander.

Segundo ele, as mídias sociais propiciaram o surgimento de novas formas de contar histórias. O padrão de outrora está mudando. Agora as narrativas são abertas, ramificadas, com links, dialogam com outros meios de comunicação (cross-media), são participativas, exploratórias e imprevisíveis. O ritmo de criação está mais acelerado, bem como a participação dos leitores, o que revela novos rumos para fluir.

Como escrever com estilo, por Kurt Vonnegut
1. Encontre um assunto do qual goste
2. Não divague, seja direto
3. Mantenha-se simples, use frases curtas
4. Tenha coragem de editar, cortar o excesso
5. Soe como você mesmo, reflita suas origens
6. Escreva sem rodeios, sem floreios desnecessários, para ser entendido
7. Auxilie os leitores, clareie suas idéias, contextualize as informações

Foto via flickr de Sporlink

jornalismo cultural, 1980


“A criatividade era um valor jornalístico, era um valor ter idéias, ousar. Quando você tira isso, evidentemente que o caderno vai sofrer. Quem faz jornalismo pensando na história, em fazer história, faz a coisa errada. Se aquilo que você faz funcionar naquele dia, se as pessoas se deliciarem, cumpriu a sua missão”

Matinas Suzuki Jr., editor da Folha Ilustrada nos anos 80

As novas histórias

Foto via flickr de ksten.

Os indianos acreditam que não se deve ficar preso ao passado, visto que isso não nos permite contar novas histórias. Que o ano novo então nos traga belas histórias e que tenhamos a sensibilidade e a generosidade de vivê-las, sendo gentis conosco e com os outros.

No ano que vem, como dizia o pai do comediante Mike Myers: “Não se preocupe, vai dar tudo certo. Agora, vamos nos divertir“.  Para todos, desejo boas festas e um excelente ano novo!

Como presente, me darei uns dias de folga, retornando apenas no ano que vem. De toda forma, agendei uns textos para serem publicados aqui.

Quase 60% dos jornais utilizam características da mídia social em seus sites

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Segundo estudo do Grupo Bivings, 58% dos jornais norte-americanos que estão online ofereceram algum tipo de conteúdo produzido pela mídia social nesse ano (de acordo com os critérios do que o instituto considera web 2.0). Isso é mais do que o dobro -24%- do percentual do ano passado. Outros dados relevantes da pesquisa:

-O número de jornais que abriram espaço para que as pessoas também possam comentar notícias mais que duplicou em relação ao ano passado, indo de 33% para 75%.

-O número de sites que necessitam de registo para visualizar a maioria dos conteúdos (gratuitos ou pagos) caiu em relação a 2007. Agora, só 11% dos sites necessitam de cadastro para ler textos completos, em comparação com 29% de 2007 e 23% de 2006.

- Jornais ainda usam pouco outros aspectos comuns das redes sociais. Por exemplo, apenas 10% dos jornais possuíam perfis de usuário e capacidade de adicionar “amigos”.

Esse último ponto não parece ser um equívoco, mas sim uma adaptação aos novos tempos. Depois da tentativa malograda do jornal USA Today de criar uma rede social própria, as publicações estão optando por oferecer seus serviços em produtos já estabelecidos, sejam aplicativos para sites de relacionamento ou gadgets populares. O próprio USA Today está lançando um aplicativo para o iPhone.

Foto via flickr de DigiPub.

Dataopedia: toda as informações sobre um site num só lugar

Há inúmeras ferramentas gratuitas para analisar dados sobre um site: tráfego, a origem das visitas etc. Um dos mais conhecidos é o Google Analytics. Todavia, essas informações ficam restritas ao dono do site.

Se quer pesquisar pesquisar sobre páginas diversas, o Dataopedia (http://dataopedia.com/) é uma grande solução. Ele junta todo tipo de informação sobre um endereço eletrônico, e fornece esses dados em segundos.

Além do que costumeiramente se encontra por aí nesse tipo de serviço, o Dataopedia destaca a popularidade e a visibilidade do site: cita as menções feitas à página no Delicious e no Twitter, por exemplo. Há ainda uma opção maravilhosa que permite conseguir todas essas informações via e-mail e de forma bem simples.

Jornal cria instituto de jornalismo cidadão

Foi criado, nos EUA, um instituto focado em jornalismo cidadão. Com ele, o jornal Oakland Press busca auxiliar seu leitores a “contar melhor suas histórias, de forma mais rápida e completa”, segundo o editor executivo Glenn Gilbert.

O instituto oferece instruções para redação de textos jornalísticos, videojornalismo e fotografia. As informações estão disponíveis para todas as pessoas, desde estudantes do ensino médio até aposentados. Uma vez concluído o curso, os participantes estão aptos a trabalhar como freelancers.

Diante da atual “era digital”, escreve Gilbert, fotos e vídeos podem vir de qualquer um com celular. O Oakland Press está tentando utilizar essa contribuição em seu site (www.theoaklandpress.com), acrescentando o trabalho dos não-profissionais na cobertura esportiva e no noticiário local.

De acordo com o professor de jornalismo da faculdade de Nova York, Jay Rosen, o jornalismo cidadão ocorre ”quando as pessoas, antigamente conhecidas como platéia, empregam ferramentas da imprensa para informar outros cidadãos.”

É uma maneira pela qual o leitor pode participar ativamente do processo jornalístico, muitas vezes em relatos em primeira mão.

A participação do chamado jornalismo cidadão cresce no mundo. Vão desde pequenas adições ao noticiário local até participação em larga escala em casos como os ataques terroristas na Índia. Para a cobertura desse assunto, os meios de comunicação utilizaram bastante ferramentas da chamada mídia social (Youtube, Twitter, redes sociais etc. )

Os cursos do Oakland Press começarão no final desse ano e terão continuidade dependendo da procura.

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A construção coletiva das notícias

Para atrair audiência, conteúdo nem sempre é o mais importante, avalia diretor da Current TV

“Conteúdo nem sempre é quem manda”, disse um dos diretores da Current TV, Richard Cole, numa conferência que abordou a idéia de “desenvolver comunidades em torno de conteúdos”.

“A informação irá atrair as pessoas ao seu site, mas as conexões que eles fazem nessa página é o que será decisivo para que retornem regularmente”, declarou.

A Current TV foi fundada em 2004 por Al Gore e exibe conteúdo colaborativo. Alguns vídeos são exibidos no site e outros no canal de TV. Para incentivar a participação dos usuários, usa reconhecimento e retribuição em formatos simples.

Segundo Cole, destacar quem cria conteúdo para o serviço em rankings e, com isso, gerar mais audiência para o site ou perfil em redes sociais dessas pessoas, é mais interessante que premiar com camisas, por exemplo.

Mesmo aqueles que não produzem conteúdo mas que são visitantes regulares, também são vistos como usuários entusiastas. Atualmente, a participação do site estaria dividida de acordo com a teoria 90-9-1: Audiência (90%), contribuintes esporádicos (9%) e criadores de conteúdo (1%). No Brasil, a experiência da Current TV serviu de inspiração para a criação da Fiz TV.

Outro caminho
O Youtube, o maior site de hospedagem de vídeos, adotou uma política mais agressiva para beneficiar os usuários que trazem mais audiência ao site. Usando a premissa dos links patrocinados, o site convida seus membros a virarem “parceiros” do Youtube e acrescenta anúncios a seus vídeos. Há casos de pessoas que passaram a ganhar tanto dinheiro que abandonaram seu emprego regular. A criação de vídeos para o site se tornou sua atividade principal.

Foto via flickr de beltipo