Escrevendo roteiros [para TV e cinema]

A principal diferença é a quantidade de diálogo usada. A tela da TV é pequena, então, para ser visualmente expressiva, a câmera de TV deve estar próxima de seus objetos. Quando trabalhamos em planos fechados, naturalmente escrevemos mais diálogos. Também escrevemos mais diálogos para a TV, porque os orçamentos dela são geralmente menores do que os do cinema -e, embora diálogos custem muito em termos de criatividade, são relativamente baratos de filmar.

Robert McKee um dos mais famosos “treinadores” de roteiristas dos EUA, em entrevista à Folha de São Paulo, explica quais são as maiores diferenças entre escrever para a TV e para o cinema. Para ele, a TV estaria atualmente atraindo os melhores talentos.

Os alunos de McKee -diretores, atores, produtores, roteiristas e mesmo compositores de trilhas sonoras para o cinema- somam 94 nomeações ao Oscar, 26 delas conquistadas. McKee é autor de “Story”(ed. Arte&Letra, 432 págs, R$ 65), um dos livros mais prestigiados sobre escrever roteiros, que ganhou versão em português em 2006.

Todavia, o livro não traz fórmulas prontas: versa sobre dominar a forma das histórias e não das mecânicas da técnica. Por isso, McKee aconselha:

Eu apelo aos escritores que vençam a guerra contra os clichês ao adquirir um conhecimento profundo, através da imaginação e de pesquisa factual, sobre seus temas. Hoje recicla-se mais do que se cria. Fazemos filmes sobre filmes, e não filmes sobre a vida.

Bill Graham, o maior produtor de shows

“Ele é o maior produtor de shows de todos os tempos. Foi ele a primeira pessoa que levou um cuidado cênico ao rock: preocupava-se com os efeitos das luzes, buscava o melhor equipamento de som. Ou seja, tentava criar um ambiente amigável onde a banda pudesse tocar decentemente, e o público, assistir. Sem contar que, ao lado de Bob Geldof, ele foi responsável pelo Live Aid [primeiro megashow de rock beneficente, organizado em 1985 para arrecadar fundos e combater a fome na Etiópia]“

O jornalista norte-americano Robert Greenfield, fala à Folha de São Paulo sobre Bill Graham, produtor que profissionalizou os shows de rock. Graham trabalhou com Bob Dylan, Rolling Stones, Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Doors, The Who, Led Zeppelin, Grateful Dead, Carlos Santana etc.

Greenfield é co-autor de “Bill Graham Apresenta: Minha Vida Dentro e Fora do Rock”, livro lançado no Brasil no final do ano passado. Segundo ele, a obra versa sobre a história do produtor, mas também da história do rock’n'roll, sobre como, com a sua ajuda de Bill, o gênero musical se transformou numa indústria que movimenta milhões de dólares até hoje.

BILL GRAHAM APRESENTA:
MINHA VIDA DENTRO E FORA DO ROCK
Autores: Bill Graham e Robert Greenfield
Tradução: Juliana Lemos
Lançamento: Barracuda
Quanto: R$ 59 (576 págs.)

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban: melhor de três

Há uma regra no cinema norte-americano que afirma que o segundo filme nunca é tão bom quanto o primeiro. As exceções seriam raras.

O mesmo não ocorre com filmes baseados em livros. Como são peças bem articuladas de um todo, fica mais fácil para o cineasta criar bons filmes.

Ademais, o resultado do primeiro filme sempre soa meio burocrático, visto que o diretor tem de explicar trechos da história para os não iniciados nas obras literárias. Ou seja, muita informação sobre os personagens e a trama, o que torna o resultado didático. No segundo episódio, essa preocupação não existe.

No caso de uma franquia ainda mais longa, como Harry Potter, isso se torna mais verdadeiro. Além disso, os livros ficam mais sombrios, abandonando a temática infantil dos primeiros episódios. Ou seja, o diretor trabalha com uma trama mais elaborada.

Na terceira parte da saga do jovem bruxo, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (que a HBO exibe hoje, às 18h25), chegamos ao melhor da série. Apesar de alguns percalços, o resultado final é melhor do que os filmes anteriores.

Todavia, os grandes defeitos das tramas prévias estão novamente presentes: a falta de carisma do elenco infantil e a grande quantidade de efeitos especiais. A magia é uma constante tão grande que se torna trivial, sem impacto. Na verdade, depois de um certo ponto, cansa.

Mas nesse episódio há dois reforços de peso. Se os anteriores foram dirigidos por Chris Columbus (Uma Babá Quase Perfeita e Esqueceram de Mim), quem assume a direção agora é Alfonso Cuarón (E Sua Mãe Também). No elenco, a novidade é o ator Gary Oldman.

Em tempo: nesse primeiro semestre estréia nos cinema mais um filme da série, Harry Potter e o Enigma do Príncipe.