A revolução da mídia participativa

“As redações estão se movimentando para dialogar mais com seus públicos, permitindo que participem mais e que se associem em algumas etapas da produção jornalística. A proliferação dos canais informativos impele jornalistas a produzirem conteúdos diferenciados e em várias camadas de aprofundamento de forma a satisfazerem públicos heterogêneos. Com isso, os agentes da informação tentam encontrar formas para fidelizar seus públicos, preocupação até então restrita aos publicitários e aos criadores da indústria midiática. Já se ouve falar de jornalismo de imersão, de associação de games a noticiários e do cada vez mais influente jornalismo participativo. São novos tempos.”

O blog Monitorando traz uma bela análise sobre o livro de Henry Jenkins, Cultura da Convergência. Nessa obra, Jenkins destaca que essa convergência não se restringe ao desenvolvimento de aparatos tecnológicos, mas sim uma “transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos”. Ou seja, não se trata de uma convergência que acontece por meio dos aparelhos, mas “dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com outros”.

Nesse novo cenário apontado por Jenkins, na cultura da convergência, novas e velhas mídias colidem, mídias corporativas e alternativas acabam se cruzando e os poderes de consumidores e produtores interagem de formas imprevisíveis.

A GloboNews fez uma boa entrevista com Henry Jenkins. Assista aqui.

Enchentes no Norte-Nordeste – Saiba onde pode fazer doações (Google Maps)

Para auxiliar os desabrigados das enchentes no Norte e Nordeste, criei um mapa (link curto: tinyurl.com/enchentes) que identifica os locais onde você pode fazer doações.

As chuvas já castigaram 370 municípios no Norte e Nordeste. Mais de um milhão de pessoas foram afetadas nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Amazonas e Pará.

Em todo o país, diversas entidades (como Correios, Cruz Vermelha, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil), bem como empresas, estão recolhendo doações.

Na dúvida sobre a idoneidade de uma iniciativa, entre em contato com a Defesa Civil de seu estado.

Você pode colaborar com água, alimentos não perecíveis (arroz, feijão, açúcar, óleo, leite em pó, farinha de mandioca e macarrão), medicamentos, roupas, cobertores,  lençóis e fraldas.

Ajude também a identificar outros pontos de coleta no mapa.

Atualização: Esse mapa colaborativo foi lançado no ano passado. Infelizmente, em 2010 o problema voltou a acontecer. Muitas pessoas estão chegando a esse blog procurando informações sobre como ajudar. Por isso, juntei alguns dados sobre o tema.

Nesse ano, a tragédia ocorreu nos estados de Alagoas e Pernambuco. No dia 30 de junho, foram publicados no site da Defesa Civil os últimos dados sobre as enchentes. A seção de notícias da Defesa Civil é uma ótima opção para obter notícias atualizadas sobre o assunto.

Você também pode visitar o blog mantido pelo Governo: http://enchentenordeste.blogspot.com/.

Na página, você vai descobrir, por exemplo, que em Alagoas há necessidade de doações de colchões, cobertores, produtos de higiene pessoal e material de limpeza. Eles também precisam de ajuda no transporte do material.

Voluntários para atuar em Alagoas podem se cadastrar no site www.sosalagoas.al.org.br

Em relação a Pernambuco, o Diário de Pernambuco mantem um site especial com muito conteúdo: notícias, como fazer doações etc.

Outras informações podem ser obtidas através do telefone: 0800 082 8989. Na dúvida sobre a idoneidade de uma iniciativa de ajuda, entre em contato com a Defesa Civil de seu estado (sempre uma opção para receber donativos).

Importante: dados sobre as enchentes de 2010 serão atualizadas nesse post.

A luta literária

Michael Kepp

Para a maioria dos autores, escrever é como se exercitar; o prazer não está na prática, mas no fato de ter praticado. Por quê? O ato literário é uma luta que só acaba com o último ponto. Mas o tipo e a intensidade dela variam com o escritor.
João Cabral de Melo Neto disse que sua luta envolve a necessidade de preencher um vazio. A de Rachel de Queiroz era econômica, não existencial, pois escrevia para se sustentar.
“Se eu morrer agora, não vão encontrar nada inédito na minha casa”, disse. Para Veríssimo, o adversário é o prazo dos jornais, que não dá a suas ideias bastante tempo para incubar. Ariano Suassuna, a rara exceção, escreve para entrar no mundo dos personagens e suas aventuras enquanto os cria. Para ele, o ato literário é interativo, e a gratificação, imediata. A maioria dos músicos gosta mais de tocar músicas do que de compor pela mesma razão: a recompensa instantânea.
Escrever, como compor, adia a gratificação. O prazer não vem com a palavra certa para terminar a frase ou o parágrafo, mas com os primeiros esboços, quando, como diz Philip Roth, “você tem chão embaixo dos pés”. Para o ganhador do Nobel Orhan Pamuk, o fim também é o objetivo. “Escrevo porque quando inicio um romance ou ensaio, quero acabar”, disse.
Para Pamuk, escrever é o longo e árduo processo de “descobrir o ser dentro de si que fala de coisas que todos sabemos, mas não sabemos que sabemos”. Concordo. Só ao colocar minhas ideias e sentimentos no papel consigo elaborá-los e elucidá-los. Uma vez, ao escrever um poema para uma mulher que me abandonara, chorei porque nunca tinha ouvido minha mágoa sair de modo tão simples e sintético. Como disse E.M. Forster: “Para saber o que penso, preciso ver o que digo”.
Meu pai disse que eu seria escritor quando meu nome estivesse na capa de um livro. Mas virei escritor pagando o preço -disciplina, paciência, coragem- que o ofício cobra. Também tive que buscar um equilíbrio entre a necessidade de interagir com o mundo para entendê-lo e a de me isolar para pô-lo em perspectiva no papel.
Para virar escritor, também precisava achar minha voz -afinando ideias para acertar o tom. Essa voz tem que refletir quem você é! Hemingway achou a sua em frases secas e concisas como: “À venda, sapatinhos de nenê, nunca usados”.
Autores como Hemingway e Faulkner buscavam imortalidade, só desfrutável do além. Como Woody Allen disse, “melhor do que continuar vivendo nos corações e mentes do público é continuar vivendo no próprio apartamento”.
Outros são atormentados pela pergunta: “Eu tenho talento?” Veja o dramaturgo no filme “Tiros na Broadway”. Depois de se recusar a pagar o preço do ofício e contratar um novato promissor para reescrever suas peças medíocres, é forçado a admitir que não tem talento. Não pago o preço para provar meu talento, nem para que me leiam, muito menos para ser lembrado. Pago porque quero saber o que sei.

Via

Cosmopolitan Tribalism [vídeo]

Vídeo que ilustra a tendência Cosmopolitan Tribalism (colaboração, mistura de influências, a tecnologia como algo natural etc.) Alguns ícones: MIA, Hop Chip, Klaxons, Gnarls Barkley, Beck, MGMT dentre outros. Ótimo.

Via