Crítica ácida
Se dizem que não se deve comprar um livro pela capa, já comecei bem, visto que esse nem capa tem. Outra vantagem é que você não precisa pagar nada. Esse é um livro eletrônico sobre a comunicação na era digital: Comunicação em rede.
É um livro, mas vai folheá-lo de uma forma diferente. Não é necessário fazer download: você tem acesso ao conteúdo da obra através do mapa da página e da tabela lateral navigate pages. Em cada capítulo, há subdivisões.
Utilizei o formato wiki para tentar criar uma espécie de livro eletrônico. Na verdade, o que chamamos de ebook muitas vezes é algo pensado para ser impresso, um livro normal transposto para o formato digital (geralmente, em arquivo pdf). Acho equivocada essa premissa. Quando escutamos arquivos sonoros em mp3, não dizemos que estamos escutando uma “e-música”.
Queria fazer algo que fosse possível clicar, como também fácil de acessar (basta um navegador de internet), agregando recursos do hypertexto (como tags) e facilitando também a leitura fragmentada. Por isso, apesar de sugerir uma linha a ser seguida, os textos podem ser lidos separadamente, caso haja interesse apenas por tópicos específicos.
Não sei se essa proposta se adequaria a todo tipo de escrita, da mesma forma que tenho dúvidas se a tecnologia 3D seria apropriada para todo tipo de filme.
No meu caso, se encaixou muito bem. Como a internet está trazendo mudanças constantes à comunicação, um livro impresso correria o sério risco de ficar desatualizado em pouco tempo.
Ademais, nesse formato posso atualizar a obra quando achar algo relevante, inserir dados recentes, incluir novos textos. Você, inclusive, poderá acompanhar esse trabalho através do RSS (se não sabe o que é isso, clique aqui).
Utilizei diversos textos meus já publicados (muitos deles no meu blog), bem como redigi conteúdo inédito. Condensei, misturei essas informações, que ganham destaque quando contextualizadas, vistas em perspectiva.
Você pode usar trechos dessa obra, desde que cite a fonte (Creative Commons).
Comunicação em rede – livro digital
comunicacaoemrede.cadedigital.com
Conexões [onde essa conversa continua]
Rede social segmentada sobre comunicação [cadastre-se] – comunicacaoemrede.ning.com
RSS desse livro [Saiba o que é RSS]
O debate sobre a indústria da informação não deve ser feito apenas sob o ponto de vista dos meios de comunicação, ser auto-referente. É necessário ampliar a visão, do contrário pode-se perder oportunidades significativas. A Apple, por exemplo, modificou a venda de música com o iPod e a loja virtual iTunes, mesmo sem ter experiência no setor. A loja virtual Amazon quer fazer o mesmo com o mundo editorial. Lançou o Kindle, seu leitor de livros em formato digital.
Ademais, o modelo de atuação do profissional de comunicação comentado por Steve Outing prescinde o vínculo com empresas de comunicação, o que já acontece atualmente. E essa é apenas uma das propostas que devem surgir para a atuação dos profissionais de comunicação.
Enquanto a mudança demora para alguns, outros já investem no novo meio, criando grande capital social mesmo sem possuir experiência anterior com a indústria da informação. O Move That Jukebox, por exemplo, é um dos blogs de música mais conceituados do Brasil. Quando foi criado, muitos dos seus integrantes eram menores de idade.
No livro “Criatividade e Grupos Criativos”, o sociólogo Domenico de Masi defende que a criatividade talvez não seja a menor distância entre dois pontos, mas é a mais produtiva. Esse desvio torna possível, inclusive, transformar e recriar o que foi desenvolvido para um fim, mas que encontra outra utilização prática.
As mudanças trazidas pela internet são amplas. Nem sempre traz algo novo, mas potencializa tendências e demandas reprimidas do mundo “off line”, criando caminhos e soluções inesperadas.
O primeiro setor a ser afetado significativamente pela internet foi o entretenimento, com mais evidência a indústria fonográfica. Agora é a vez da comunicação. Provavelmente, não serão as únicas. Na verdade, a grande rede simboliza diversas mudanças tecnológicas atuais, que devem resultar em alterações significativas na sociedade.
Muitas vezes, fala-se que o passado ensina, com ele aprendemos lições importantes. Provavelmente as alterações resultantes da sociedade conectada sejam tão grandes que mirar o passado não seja o parâmetro ideal do que está acontecendo. “Se eu tivesse perguntado a um consumidor do que ele precisava ele me teria pedido um cavalo mais veloz” afirmou Henry Ford, empresário que revolucionou a indústria automobilística.
Podemos estar em outro momento de ruptura. Essa transição faz com que muitos fiquem ansiosos, temerosos pelo que pode vir ou mesmo tornem-se críticos mordazes das novidades propostas. O repórter norte-americano Dan Rather chegou a definir os blogueiros como ‘jornalistas de pijamas’. Hoje, grande parte das empresas de comunicação mantém blogs.
O clima é favorável à criação, ao lançamento de novas propostas. Quem trabalha com comunicação deve perceber justamente isso: sua área é a informação, não deve estar atrelada a um suporte físico, um estilo específico de atuação.
A visão de Glauber Rocha sobre a posse de José Sarney, em 1966. O trabalho, encomendado pelo governador eleito, não foi utilizado pelo político.
A internet é o ambiente propício para criar novos caminhos para a informação. Nesse cenário, surgem os sites de notícias hiperlocais. EveryBlock (que tem uma parceria com o New York Times), Outside.in, Placeblogger e Patch são alguns exemplos. Funcionam como agregadores de conteúdo: informações publicadas em blogs locais e outras páginas de notícia são complementados com informações do governo, boletins criminais e conteúdo enviado pelo público.
Dessa forma, o leitor pode acompanhar as notícias mais relevantes para o seu bairro, seu quarteirão. Informações como lista de eventos, campanhas voluntárias, problemas no trânsito, oportunidades de emprego e negócios são publicadas levando-se em conta sua localização geográfica.
Muitas dessas iniciativas não produzem conteúdo original. Mas buscam criar produtos diferenciados. Como a Outside.in, que possui um aplicativo do iPhone que permite identificar informações num raio de 300 metros onde o leitor estiver.
Já o site Patch utiliza jornalistas profissionais. Munidos de notebooks com conexão à internet sem fio, esses repórteres coletam informações na comunidade. Participam, por exemplo, de reuniões em escolas.
