Mídia tradicional na frente dos blogs. Pelo menos na Inglaterra

O Editor’s Blog analisa porque os jornais impressos ingleses ainda estão dando mais furos que os blogs. Cenário distinto ao encontrado nos EUA, em que sites como Huffington Post, TMZ (que será eternamente conhecido como o blog que primeiro trouxe a informação que Michael Jackson havia morrido) e The Drudge Report conseguem divulgar em primeira mão muitos assuntos.

Entre os motivos para isso acontecer, há suspeitas sobre blogueiros que vendem pautas para as grandes publicações.

Outros optariam por espalhar o assunto para empresas de comunicação justamente para ampliar o alcance do tema, mesmo sem ganho financeiro. Não apenas o autruísmo motivaria essa atitude: como os meios tradicionais teriam mais leitores, atingir esse novo público ajudaria na reputação do blogueiro.

Para além dos motivos dessa realidade, o mais interessante para mim é atentar para a variedade dos mercados de internet. São dois países com grande utilização da rede, mas com hábitos distintos.

Há quem busque tentar transferir, de forma automática, pesquisas feitas em outros mercados, bem como projetos online, para a realidade brasileira, sem atentar para os costumes locais. Mesmo internamente, há quem incorra no mesmo erro, tentando fazer campanhas nacionais de publicidade sem adaptação aos sabores regionais.

Da Lama ao Caos, 15 anos

A proposta era muito ousada naquela época. A gente não tinha muita dimensão. As letras eram politizadas. A gente trazia essa história da tecnologia, procurava usar samplers. Naquele disco tem umas músicas que eu gravei poucos trechos, o resto a gente sampleou.

O baixista da Nação Zumbi, Dengue, fala com o blog Link sobre o disco. No vídeo abaixo, a banda toca Rios pontes e overdrives no Hollywood Rock de1996.

José Saramago e a internet

Escrever num blog não difere em nada de escrever numa folha de papel. Salvo a extensão do texto em que, no caso do blog, se aconselha uma certa brevidade, os escritores não estão condicionados por normas ou regras que, supostamente, caracterizariam o blog. Não sou frequentador assíduo da internet. Consulto o Google com frequência, nada mais. Quanto a ler outros blogs, faço-a às vezes, mas não mantenho diálogo com eles. Para mim, a internet é uma fonte de informação rápida e em geral eficaz, porém não confundamos: a literatura ou é ou não é, não há meios termos. Muitas transformações teriam de dar-se (e eu não vejo como nem quais) para que a internet tomasse lugar no fazer literário.

José Saramago, em entrevista ao blog Prosa & Verso. Para ele, a internet não veio para salvar o mundo. Sobre o Twitter, o autor afirma que “os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.”

O escritor mantém um blog desde o ano passado.

Manipulando rankings na internet

“[...] estão desaparecendo os critérios tradicionais para dizer se algo é popular ou não. Por isso, fica todo mundo procurando qualquer critério objetivo de popularidade, especialmente na rede. E não tem jeito. Vamos ter de reinventar sistemas de reputação para a rede, tarefa que ainda está por fazer. Por ora, os gorilas vão continuar soltos.”

O especialista em direito autoral Ronaldo Lemos comenta o destaque obtido pelos termos “#Forasarney” (manifestação contra o presidente do Senado) e “#Gorillapenis” (uma brincadeira para mostrar como é fácil manipular rankings na internet) nos tópicos mais citados do Twitter.

Obviamente, o problema não ocorre apenas no serviço de mensagens curtas. Pesquisas na internet, não raro, são influenciadas por movimentos em massa. Nesse ano, a revista Time teve sua eleição de Pessoa Mais Influente do Mundo manipulada.

Nem sempre essas pessoas são movidas por propósitos maléficos ou querem fazer”pegadinhas”; muitas vezes são fãs que buscam apoiar quem admiram.

[Já recebi diversas vezes e-mails de campanhas para participar de votações sobre cidades turísticas (muitas delas apoiadas pelo Governo), melhores lugares para trabalhar etc.]

De toda forma, isso revela que, apesar de se propalar a ampla participação de pessoas que antes não participavam do processo de comunicação, quem possui conhecimentos sobre técnicas de informática (que ajudam a obter relevância online), leva vantagem na mídia social.

Além disso, apesar de vários serviços criarem rankings com o que há de mais relevante na rede (agregadores de conteúdo, sites que listam o que está sendo mais lido, os vídeos mais acessados etc.), isso não exclui o trabalho humano. A curadoria ainda faz sentido. [o que tem a ver com um projeto que vou lançar nesses dias]

É só dar uma passada no serviço de notícias do Google para perceber que muitas informações são agrupadas de forma descontextualizada, no lugar incorreto. O Google News indexa textos de várias fontes jornalísticas. Como o trabalho de triagem é mecânico, o serviço pode mostrar uma notícia cultural, por exemplo, na editoria de economia.

Imagem via Flickr de George Eastman House