O Orkut não morreu
O Yahoo! é dono do site de hospedagem de fotos (Flickr) mais popular; seu webmail é um dos mais acessados; seu serviço de bookmark social (Delicious) é o mais utilizado; seu site de notícia é um dos mais procurados… Mas, mesmo assim, quando se começou a comentar, no ano passado, sobre uma possível venda do portal para a Microsoft, muitos falavam que isso seria o melhor para a empresa. O Yahoo! passou a ser visto como um serviço “fracassado”.
Algo similar ocorre com o Orkut hoje. Quando falei sobre como empresas jornalísticas poderiam usar a mídia social, salientei que não deveriam esquecer o Orkut.
Tecnicamente, trata-se de um dos produtos do Google mais defasados. Perde em comparação para as demais redes sociais em vários quesitos: aplicativos, privacidade, usabilidade… De toda forma, a maior característica de uma rede social não é seu aspecto técnico, mas seu capital humano. Pessoas “comuns” querem estar nos ambientes que conseguiram amealhar uma plateia maior, criar a noção de comunidade em torno de si. Do contrário, o MySpace também não teria se tornado popular, já que também apresenta deficiências.
Falar em rede social no Brasil é lembrar do Orkut. É um dos fenômenos da web que não ficaram restritos à internet. Por isso, prudência ao enterrar um defunto que não morreu. Podem existir outros sites de relacionamentos melhores. Mas, regionalmente, a audiência está no Orkut.
Pioneirismo e domínio
Ronaldo Lemos escreveu recentemente sobre a página (acesso exclusivo para assinantes do UOL ou da Folha de São Paulo). Para ele, “o site fez do Brasil uma espécie de pioneiro em redes sociais. A sensação de ter grande parte do seu círculo social on-line, que muitos brasileiros tiveram desde meados de 2004, levou pelo menos dois anos adicionais para acontecer de verdade em outros países (incluindo os EUA)”. Ele acrescenta:
“Além disso, muita gente aprendeu o bê-á-bá da internet (como fazer upload de uma foto, por exemplo) por causa dele. E aí incluem-se os milhões de pessoas que vieram pelas LAN houses de todo o Brasil e que nunca tinham acessado a rede.
Com isso, o Orkut tornou-se um espelho do que é o país, com uma diversidade inacreditável. Ficou para trás a fase em que era um clube ocupado por pessoas bastante homogêneas, com os mesmos gostos e perfil demográfico. O Orkut de hoje é uma ferramenta fascinante para conhecer o Brasil.“
A tendência parece ser fazer loas ao Facebook, que realmente merece muitos elogios. Mas, em termos de audiência, o domínio do Orkut é arrasador. Segundo a Nielsen Online, o Orkut possui 24 milhões de usuários ativos no Brasil. Cerca de 75% dos internautas do país acessaram o Orkut em maio desse ano (dados do Google Brasil).
Usuários de redes sociais são migrantes. Todavia, apesar da queda da audiência que o Orkut vem apresentando recentemente, não saberia traçar seu destino. De toda forma, para os que já definiram que ele tende a desaparecer, vale lembrar que o dono do Orkut é o gigante Google, que tem dinheiro e talento para melhorar a ferramenta.
Sinônimo de internet
Se quero criar uma rede de contato com pessoas que trabalham com comunicação e/ou tecnologia e meus contatos estrangeiros, o Facebook é o lugar. Agora se quero aglutinar realmente as pessoas que me circundam, o Orkut não tem concorrente.
Para a maioria dos usuários brasileiros, webmail e comunicador online é Hotmail/MSN, navegador da web é Internet Explorer e rede social é Orkut.
Continua…
E o Twiiter, deixou de ser legal?





