O valor da nossa atenção

“O economista e prêmio Nobel Herbert Simon escreveu em 1971 que um mundo com riqueza de informação provoca naturalmente a escassez daquilo que a informação consome: atenção. Resumindo, riqueza de informação produz pobreza de atenção. É um fenômeno que estamos claramente vivendo hoje, quando não temos atenção suficiente pra dar a tudo que aparece ao nosso redor.”

Gustavo Mini, no seu blog. Antes de se entregar a inúmeras promessas de ano novo, convém pensar realmente sobre suas prioridades, a que quer se dedicar. Já falei sobre tempo por aqui.

Multidão inteligente

Howard Rheingold, autor do livro Smart Mobs: The Next Social Revolution, fala sobre colaboração, mídia participativa e ação coletiva.

music tumblr: hit me!

Chegamos ao final do primeiro ano de atividades do meu projeto musical hit me! (http://hitme.cadedigital.com/). A experiência tem sido ótima, assim como a recepção do público. Fui listado, por exemplo, como um dos melhores music tumblrs pelo ótimo Yvynyl (um ano depois, ele lançou uma lista complementar, com novas dicas. Para quem procura novos sons, é ótima pedida).

O Hit me! é a minha base de lançamento para novos sons. Além do site, é possível conferir um podcast quinzenal. Nele, vai escutar de rock a música dançante. Em muitos casos, os dois estilos juntos (saiba como acompanhar o podcast no final desse post).

Em destaque, novos sons, mas sem esquecer canções antigas que também podem ser revisitadas. Ou descobertas, já que não tiveram grande sorte na época que foram lançadas. Cada programa tem por volta de 30-40 minutos.

Geralmente, a mixtape será dividida em dois lados: um com as músicas lentas, para entrar no clima. Já o outro lado… É festa pura, embalada com rock e dance!

Meu objetivo não é apresentar mais do mesmo. Quero lançar luz sobre artistas iniciantes (ou não muito badalados em terras brasileiras). Há muita coisa boa que não entra no radar mainstream. E, mesmo quando entra, são artistas norte-americanos ou britânicos.

Sempre achei estranho rolar tão pouco o som dos outros países da América Latina no Brasil. Quando chega por aqui é, invariavelmente, um som “romântico”. Quando estudei francês e espanhol, as canções que aprendíamos seguiam essa toada. Nada contra especificamente esses artistas, mas ensinar francês com músicas da Édith Piaf? Parece que a França não produziu mais nada desde então.

Não se trata de um cardápio “world music”, de procurar regionalismos por aí, mas de pinçar artistas pelo mundo que tocam o som que curto: rock, dance etc.

 

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Atualizado em 20/10/10

Como grupos independentes interagem

Apresentação de Deborah Gordon na TED. Ela pesquisa formigas para entender redes complexas, como a internet.

As formigas nem sempre desempenham o mesmo papel. Dependendo da necessidade, há relocação do trabalho.

Como seria a cidade ideal para se viver?

O músico David Byrne explica como seria sua cidade ideal. Ele, que anda de bicicleta na cidade em que mora, Nova York, também faz o mesmo nos locais que visita.

Trata-se de uma visão bastante pessoal. Por exemplo, as cidades muito pequenas deveriam ser evitadas porque todo mundo sabe o que você faz.

Uma cidade pouco densa oferece outros problemas. Como estamos distantes uns dos outros, precisamos investir em atrativos visuais (como cirurgia plástica, roupas e corte de cabelo ousados). Segundo ele, nos tornamos peças de propaganda ambulante.

Sensibilidade e generosidade; segurança (não necessariamente políticas públicas, mas a sensação de comunidade, em que as pessoas não vão usurpar o bem alheio e você pode ficar mais relaxado, menos desconfiado); diversidade de opções (que devem estar próximas) são outros pontos que também são citados.

Espaços públicos, último item mencionado por Byrne, são um dos pontos que mais aprecio. Isso porque tende a aglutinar muitos pontos que ele descreve. Se uma cidade é segura, as pessoas circularão por esses espaços. E se as pessoas são, mininamente, simpáticas, buscarão interagir nesses espaços. Se uma cidade é organizada, essas áreas provavelmente não estarão abandonadas. Acima de tudo, são locais democráticos, em que pessoas distintas convivem (pobres e ricos, com raças e credos diferentes).

Quem sabe Byrne não estava descrevendo Estocolmo, a capital da Suécia, que foi escolhida a primeira capital verde da Europa. Lá, cerca de 95% da população vive a menos de 300 metros de uma área verde.

A blogosfera cubana

Falei recentemente sobre Yoani Sánchez, blogueira cubana que entrevistou Barack Obama.

Obviamente, embora Sánchez seja considerada a pioneira, ela não é a única voz da blogosfera cubana. O CPJ publicou uma matéria sobre o tema.

Páginas locais ampliam a cobertura de assuntos que não são abordados pela imprensa oficial. Apesar dos obstáculos legais e técnicos, blogueiros -geralmente adultos jovens de diversas formações- comentam, por exemplo, questões econômicas e sociais.

Laritza Diversent, formada em direito, explica que reflete sobre as frustações das pessoas. “Mesmo sentindo medo, é uma oportunidade para falar o que pensamos”, avalia.

A maioria dos blogueiros escreve em casa, salva o arquivo em pen drive e envia por e-mail para amigos no exterior, que atualizam os blogs. Muitos não conseguem ter acesso aos seus próprios textos publicados.

A maioria da audiência é internacional, que comenta bastante o que é publicado (participação polarizada, contra e pró-regime). Para divulgar seus textos em Cuba, gravam os posts em CDs e pen drives, que são distribuídos em livrarias independentes e em grupos.

Apenas 13% dos moradores de Cuba tem acesso à internet. A maioria não acessa de casa. O provedor do governo, ETECSA, tem de aprovar todas as conexões. Os cubanos tem o acesso mais lento das Américas. Uma hora de internet num cyber café pode custar seis dólares (1/3 do salário de muitos cubanos).

O blogosfera cubana data do início de 2007.

Veja também
O Irã é o paraíso do jornalismo cidadão

Sentimentos e consumo

Acima, trailer do ótimo documentário Criança, a Alma do Negócio, dos cineastas Estela Renner e Marcos Nisti. O filme pode ser assistido via web. Outra boa pedida sobre o tema é conferir o documentário A história das Coisas (também disponível online)

Fim de ano lembra festas em família, mas também consumo exacerbado. Não há nada de errado em gostar de mimos, agrados (eu mesmo adoro uma traquitana eletrônica, livros e CDs), o problema é que vivemos numa época em que compramos coisas não porque precisamos, mas sim porque queremos. E esse desejo nos é ensinado.

Ademais, a publicidade não vende apenas um produto, mas sentimentos, estilo de vida. E nós “compramos” essa ideia: pagamos pelo produto físico, mas queremos o valor simbólico.

(Vale a pela conferir o documentário The Persuaders, que mostra como marcas são construídas, bem como entrega os métodos publicitários de sedução e convencimento).

Não apenas nós sofremos com isso, mas sobretudo as crianças, que não tem maturidade para lidar com essa situação. Tornam-se consumidoras antes de serem cidadãs. Se em outros países há limitações de publicidade para os pequenos (proibição de venda de brinquedos em fast foods, limitação de propaganda na programação infantil da TV), no Brasil as regras são mais frouxas.

A psicóloga Rosely Sayão  escreveu sobre o assunto no caderno Equilíbrio, da Folha de São Paulo. Eis um trecho:

“As crianças costumam ser as grandes vítimas do consumo exagerado. Não são elas que querem ter mais e mais, já que os adultos entraram nessa parada pra valer, mas são elas que estão mais sujeitas ao imperativo do ter, já que ainda não conseguem avaliar criticamente as demandas nelas introduzidas.
Perguntei a algumas delas, com idades entre seis e dez anos, qual o último presente que ganharam. A maioria não soube responder. Algumas citaram vários brinquedos e eletrônicos, outras se esforçaram para lembrar, muitas ficaram na dúvida ou não se importaram com a resposta a dar porque qualquer uma valia.
[...]Muito mais fácil para elas foi listar o que queriam ter do que nomear o que já tinham e que gostavam de usar. Mais uma vez, é possível interpretar que a quantidade enorme de objetos que ganham não permite que elas desfrutem do uso deles.”

Já Contardo Calligaris identifica o surgimento dos “kidadults” (“criançultos”). Trata-se da infantilização do consumidor:

“Por que o mercado prefere lidar com “criançultos”? E o que nos predispõe a sermos infantilizados? Uma breve hipótese. Houve, sobretudo a partir da segunda metade do século 20, uma explosão de um tipo especial de amor dos pais pelos filhos, um amor feito de esperanças e expectativas monstruosas (as crianças serão o que quisemos e não conseguimos ser, nada lhes faltará). Esse tipo de amor parental cria consumidores ideais: por exemplo, indivíduos com pouquíssima tolerância à frustração (e alergia à própria ideia de que algo seja difícil ou, pior, impossível) e com uma imperiosa necessidade de satisfação imediata (e alergia a tudo o que posterga: preparação, estudo, reflexão, complexidade, poupança).”

Pense nisso e…Boas festas!

PS – E se você quiser me dar uma lembrancinha, tenho uma lista de desejos no Submarino e na Amazon.com.