Budismo tibetano [& minha mensagem de fim de ano]

Em 2009, passei a estudar com mais afinco os ensinamentos hinduistas e budistas. O que me levou a visitar, no começo de novembro, o Khadro Ling, centro budista em Três Coroas-RS (foto acima; há outras imagens no meu Flickr).

Estou longe de ser um especialista sobre tais temas. Interessei-me pelo budismo porque me ajuda de forma efetiva (com a meditação, por exemplo), não apenas dogmática. É uma filosofia reflexiva que prega que já somos seres iluminados. Ou seja, não se deve buscar a resposta externamente, um ser todo poderoso que vai nos redimir e guiar.

Gosto do budismo por ser uma filosofia que acolhe, compreende, e não julga. Buda, inclusive, disse que se deveria refletir sobre seus ensinamentos. No cotidiano, devemos aplicar o que os budistas chamam de mente de aprendiz, ter uma postura de humildade na busca do conhecimento.

Na revista Galileu de julho desse ano, há uma pequena entrevista com Allan Wallace, físico e estudioso da mente humana, doutor em estudos religiosos pela Universidade de Stanford e monge tibetano nomeado pelo próprio Dalai Lama. Wallace defende a união de ciência e religião em prol da compreensão da mente.

“Ao contrário das religiões ocidentais, que exigem a fé, o budismo incentiva o ceticismo. Nossos fundamentos apelam para a experiência, assim como a ciência”, explica.

Ano novo

Como mensagem de fim de ano, não desejo a todos um ótimo 2010, mas um excelente agora. Muitas vezes, o ser humano se vê atormentado pelo que ocorreu e temeroso do que pode acontecer. E esquece do único momento que é genuinamente seu, o agora.

Por isso, desejo que você seja a mudança que espera que ocorra no mundo.

Feliz 2010… agora. :)

Vídeo

Veja, abaixo, a apresentação do monge budisa, bioquímico formado, escritor e fotógrafo Matthieu Ricard. Ele explica os benefícios do treinamento sistemático da mente para buscar a felicidade.

PS - O blog entra em recesso de fim de ano, mas há muitos posts agendados. Enquanto isso, vou pensando nas novidades da “temporada 2010″ dessa página. Boas festas!

A arte na era digital

Recentemente, o caderno Link analisou a cena brasileira da arte digital. Trata-se de uma produção que explora a relação entre tecnologia e cultura.

Especificamente sobre a internet, há criações bastante inventivas que utilizam os recursos do novo meio (net art). O pesquisador Henry Jenkins, autor do livro Cultura da Convergência, tem uma postura de acolhimento em relação ao trabalho realizado por fãs (fan fiction, remix etc.). Entretanto, os exemplos que dá são calcados em grandes expoentes da cultura de massa (American Idol, Harry Potter, Matrix, dentre outros). Embora também ache relevante, questiono se essa criação derivada de outras obras é uma manifestação artística genuína – os fãs usam essas referências apenas para dar vazão à sua criatividade – ou querem expandir um universo que já conhecem, por admirarem essas obras (muitas delas, com um fim “oficial” já decretado).

Particularmente, acho interessante trabalhos culturais que surgem nesse novo ambiente. Podem ser originais; retrabalhar, de forma humorística, virais de sucesso (como as paródias do vídeo David After the Dentist); remixar conteúdo produzido e distribuído por amadores (como as experimentações musicais de Kutiman) ou as mais inusitadas, que questionam os limites da arte (como uma pessoa que colocou seu corpo à venda no site de leilões ebay por se considerar “uma escultura”).

Esse ótimo wiki sobre New Media Art (também chamada de “arte digital”, “Computer art”, “arte multimídia” e “arte interativa”) traz inúmeras informações sobre o assunto. Segundo o texto, que analisa as obras de destaque da década passada até os dias atuais, o advento da internet significou que computadores não são mais apenas ferramentas para manipulação de imagens, criação de convites para galerias e aplicativos. A grande rede se transformou num espaço agregador da comunidade artística internacional, espaço de interação entre artísticas, críticos, curadores, colecionadores, dentre outros entusiastas.

A internet e outras tecnologias diminuíram distâncias geográficas. Artistas das novas mídias muitas vezes trabalham colaborativamente, até porque as obras mais ambiciosas precisam de grande suporte tecnológico, bem como habilidade artística diferenciada, para ser produzida.

Na New Media art, a apropriação (reutilização de ideias alheias) é algo bastante comum. Até porque muitos artistas adotam princípios open source: desejam colaborar com outras pessoas, bem como disponibilizam suas criações para serem retrabalhadas por outros criativos.

Outra vantagem da net art é o barateamento de custos para produzir e divulgar seu trabalho.

Hoje, o movimento está mais consolidado: há galerias online (Variable Media Network), redes sociais específicas (artnetwebRhizome.org) dentre outras formas de acompanhar e debater esses novos caminhos da arte. Um bom compêndio de obras é o livro New Media Art, de Mark Tribe e Reena Jana.

Coletivos (como The Society For Curious Thought), webcomics (trabalhos interativos ou feitos de forma coletiva)… São manifestações que ganharão mais destaque nesse blog na sua “temporada 2010”. Particularmente, quero olhar com mais atenção essa vertente cultural das novas mídias.

Ensaios fotográficos

Está chegando às bancas material imperdível para quem gosta de fotografia: o livro Grande Imagens da National Geographic. São mais de 500 páginas com fotos da publicação que tem 120 anos de história. O trabalho fez uma triagem entre mais de 11 milhões de imagens da NG. Há material inédito e fotos clássicas. As imagens abordam temas como explorações, vida selvagem, ciência, povos & cultura.
(Outra excelente opção -gratuita- é o arquivo online de fotos da revista Life)
Para quem quer não apenas ver belas imagens mas também ler uma obra analítica sobre o tema, sugiro O Instante Contínuo, de Geoff Dyer. O livro observa diferentes fotografias sobre o mesmo tema: cegos, nu, mãos, costas etc. Daí surgem leituras curiosas sobre os costumes de cada tempo, como o homem se situa em seu mundo.
A obra também destaca grandes nomes internacionais da fotografia, como Diane Arbus (1924-71), sobre quem já falei em outro momento (aliás, há um filme sobre a trágica história de Arbus).
Se na primeira metade do século passado as imagens retratadas tinham um enfoque documental, em muitos casos a serviço de uma causa social, a nova geração procurou fins mais pessoais para a fotografia.
Para Dyer, “em fotografia não existe ínterim. Houve apenas aquele momento e agora há este momento e no intervalo nada existe. A fotografia, de certa forma, é a negação da cronologia” (pg. 127).
Atualização
Para quem procura avaliações de máquinas fotográficas e dicas úteis para tirar boas fotos, no suplemento de informática da Folha de São Paulo dessa semana encontrará boas informações (acesso exclusivo para assinantes do UOL ou da Folha). Outra opção é conferir a lista do site WDL com 10 blogs para lhe ajudar a aprimorar suas técnicas fotográficas.

Roube esses filmes

“Estamos vivendo um período tecnológico e cultural singular. E, quando chegamos a momentos como este, é uma responsabilidade de quem sonha com um novo mundo torná-lo sedutor e positivo o bastante para atrair aquelas pessoas que ainda vivem no velho mundo. Acho perigoso ver esta relação como uma luta. Este novo mundo é cada vez mais interessante para artistas e criadores, porque oferece novos modos de distribuição, um imenso público e formas renovadas de obter reconhecimento, apoio, por meio de novos modelos de negócio que estão surgindo. Precisamos lembrar que no mundo antigo nem tudo é perfeito. É nosso dever encontrar novos caminhos, para que mais pessoas possam se expressar e alcançar público.”

Jamie King, diretor do documentário Steal This Film (Roube esse filme), em entrevista ao jornal Folha de São Paulo. O filme analisa os conflitos envolvendo os novos caminhos do direito autoral. É possível fazer download gratuito da obra. Abaixo, você confere a versão 2.5 do filme.

King também participa do projeto Vodo, que distrui filmes gratuitamente.

Outro documentário que versa sobre tema parecido é RIP: a Remix Manifesto, disponível não apenas para download gratuito, mas também para ser “remixado” por terceiros.

O jornalista Matt Mason, autor do livro The Pirate’s Dilemma, acredita que o que caracterizamos hoje como pirataria vai se tornar legal. Ele defende, inclusive, que a indústria de entretenimento, atualmente contrária ao compartilhamento de arquivos entre fãs, já se apropriou de ideias alheias para criar novos modelos de negócios. Hollywood e a indústria fonográfica são bons exemplos.

Cultural digital e direito autoral são assuntos recorrentes por aqui. Abaixo, alguns textos já publicados sobre o assunto.

Textos relacionados
Quem paga a conta na economia digital?
Quantos fãs você precisa para viver de arte?
Quando se transforma o fã em vilão
A nova indústria cultural
Livro de Lawrence Lessig, Remix, ganha licença Creative Commons Free
Kutiman e a cultura do remix
Como a criatividade está sendo estrangulada pela lei [vídeo]
Frase [Lawrence Lessig]

Textos externos

As críticas mais frequentes ao download gratuito – e algumas ponderações
E segue a briga centenária entre música e tecnologia
Estudo do CTS/FGV propõe alterações ao PL de crimes eletrônicos

Equipamentos para gravar podcasts

O site Hivelogic lançou um guia de equipamentos para quem quer criar podcasts. Há dicas para quem não quer investir muito e para os usuários que desejam fazer um programa mais “profissional”.

Recomendo o GarageBand (Mac), excelente e fácil programa para edição de arquivos sonoros.

No ano passado, já havia citado algumas dicas de podcasts internacionais para geeks. Mas há uma variedade de boas opções. Entre os nacionais, sugiro: o divertido Nerdcast (variedades);  Jumpcast (comunicação), de Luli Radfahrer; Vida Fodona (musical), de Alexandre Matias e Qualquer coisa (musical), de José Flávio Jr, Paulo Terron e Max de Castro, que, aliás, virou programa de rádio na OI FM.

Para quem procura podcasts sobre comunicação, recomendo também os internacionais On the media e This week in tech.

São apenas algumas dicas. Fique à vontade para fazer sua sugestão nos comentários.

E se quer fazer seu próprio podcast, os links abaixo podem lhe ajudar.

Como fazer

Podcast – comunidade no orkut

O que é, como criar, editar, hospedar e publicar um podcast

Fora dos holofotes, o podcast resiste

Formato pode incluir negócios e diversão

Como escutar e produzir

iTunes – Dicas

Imagem via Flickr de tranchis