Criatividade e trabalho

“[...] Mas o fato é que quando eu não estou trabalhando é quando eu mais trabalho. E não gosto muito de pensar em grupo. Gosto de trabalhar em grupo, mas de pensar sozinho.”

Ótima entrevista com Gustavo Mini, do blog Conector. No trecho acima, ele comenta seu processo criativo.

Na verdade, o papo aponta para vários caminhos, mas resolvi pinçar trechos que falam sobre trabalho e criatividade.

Para ele, que é músico e trabalha como Gestor de Conexões, o que mais irrita na publicidade é a cultura workaholic. “Acho a jornada de trabalho clichê dos publicitários um erro de percurso, uma anomalia, algo mal pensado e planejado que acabou se cristalizando como prática da profissão. Importamos esse hábito do país errado, é uma coisa que vem da cultura americana e foi adotada com um orgulho irracional. No fundo, falta no mercado uma noção melhor de administração de tempo e de saber dar limites a si mesmo e aos outros”, explica.

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CodeOrgan: transforme sites em músicas

O CodeOrgan tem uma proposta curiosa: descobrir a “versão sonora” de um site. Você digita o endereço da página e o algoritmo do serviço cria uma melodia baseada no site. Gostei da versão musical do meu blog.

Imagem via Flickr de kinsella

Les Dangereux [vídeo]

Dois ninjas de férias em Paris. Nem eles conseguem resistir aos encantos da cidade luz.

Sign Language [vídeo]

O último dia de Ben no trabalho. Ótimo curta. Há também uma versão do diretor, que mostra o novo emprego de Ben.

Feliz 2010 ou a certeza do agora

E aí, como vamos de ano novo? Já havia escrito uma mensagem em dezembro, como sempre faço, mas resolvi lembrar novamente o momento para “respeitar” o calendário oficial brasileiro.

Cumprindo suas resoluções de ano novo? De acordo com estudo feito pelo professor de psicologia Richard Wiseman, apenas 12% das promessas são cumpridas. Você pode questionar a pesquisa, feita com norte-americanos e britânicos, mas acho a síndrome da “segunda-feira eu começo” bastante comum.

É por isso que gostaria de saudar o único momento que é genuinamente nosso, o agora. Não que se deva negar o passado, mas é importante ser um nostálgico sem dor. “Com o passar do tempo, não é que você encontra as respostas, mas suas dúvidas ficam mais inteligentes (Dzongsar Khyentse Rinpoche). Da mesma forma que é válido fazer planos. Os hinduístas, entretanto, fazem uma ressalva: sua intenção pode estar voltada para o futuro, mas sua atenção deve estar no presente.

De acordo com a física, o tempo é uma quantidade fundamental. Um segundo, a unidade universal de tempo para a humanidade, é definido como sendo 9.192.631.770 oscilações entre dois níveis do átomo de césio-133. [É nesse momento no qual deve se concentrar]

Essa explicação eu aprendi com Marcelo Gleiser, professor de física teórica no Dartmouth College e autor do livro “A Harmonia do Mundo”. De acordo com ele, o tempo é uma medida de mudança.

“Se nada ocorre, o tempo se faz desnecessário. Portanto, no plano pessoal, percebemos a passagem do tempo nas mudanças que ocorrem à nossa volta e na nossa pessoa. [...] Logo, a percepção do tempo depende fundamentalmente da memória. [...] Na verdade, o tempo passa sempre do mesmo jeito, segundo após segundo. Mas nossa percepção dessa passagem depende do nível de envolvimento que nosso cérebro tem com a experiência que estamos tendo. A relatividade psicológica da passagem do tempo depende de quão nova a experiência é.”

Dá o que pensar, né não? Numa entrevista, o ator Al Pacino descreveu toda a euforia da época do lançamento do filme O Poderoso Chefão como sendo seu dia ao sol. É esse sentimento que desejo a todos, muitos momentos ao sol. Façam, realizem. Não há felicidade sem ação.

Feliz 2010? Na verdade, desejo a você(s) um excelente agora.

PS -  Bacana notar que, todo ano, a lista de destinatários dessa mensagem aumenta.

Vamo’ começar esse ano? Relaxa aí!

Imagem via

Você não é [apenas] o seu cérebro

Estudos recentes sobre o cérebro pareciam estar à beira de responder perguntas sobre a natureza da consciência, do pensamento e das experiências humanas. Mas essas pesquisas não conseguem demonstrar isso porque, segundo o filósofo Alva Noë, essas informações não são encontradas apenas no cérebro em si.

Em seu novo livro, Out of Our Heads: Why You Are Not Your Brain, and Other Lessons From the Biology of Consciousness (vídeo abaixo), Noë, um estudioso da percepção e consciência, quer ir além do admirável mundo novo da neurociência, acrescentando novas camadas à discussão.

O biólogo molecular Francis Crick, ganhador do prêmio Nobel Nobel, afirmou: “Você, suas alegrias e suas tristezas, suas memórias e suas ambições, seu senso de identidade pessoal e de livre arbítrio, são, de fato, não mais do que o comportamento de um vasto conjunto de células nervosas e moléculas.”

Embora Noë dê crédito a Crick por despertar a atenção sobre o tema, avalia que as conclusões dele estão erradas e são perigosas.

“O estudo da consciência deve utlizar várias disciplinas: ciências comportamentais, matemática, lingüística, robótica, inteligência artificial e filosofia, assim como o estudo do cérebro. Você não pode reduzir o estudo da vida humana à pesquisa das coisas que acontecem dentro de cérebro de uma pessoa. Você tem que olhar a vida de uma pessoa dentro do contexto”, explica Noë.

Leia uma entrevista com ela aqui. Em inglês.

Alva Noë apresenta seu livro no Google