A arte perdida de Bastardos Inglórios

Vários pôsteres alternativos para o filme mais recente de Quentin Tarantino. Antes de cada criação, o nome do artista responsável pela obra.

Sam Flores

Rene Almanza

Munk One


Morning Breath

Patrick Martinez

Jeremy Fish

N8 Van Dyke

Grotesk

Estevan Oriol

David Choe

Alex Pardee

Skinner Davis

Dora Drimalas

Via

Mitos das mídias sociais

Ontem, postei no Twitter um interessante texto que analisa alguns mitos relativos às mídias sociais, como estratégia de presença on-line descolada de outros fatores importantes para o negócio, qualidade dos “consultores de mídias sociais” etc.

Dois pontos merecem destaque especial: comento devidamente acrescentando meu “mojo”.

A busca desmesurada por popularidade. Muitos fãs no Facebook, inúmeros seguidores no Twitter? Depois de atingir esses objetivos, como dialogar satisfatoriamente com essas pessoas? Qual a qualidade dessa conversação? Já recebi material de divulgação, pedi mais informações e… nada. Foi iniciado o contato, mas não sabiam dar continuidade a ele. Soa como spam em forma de informação. O único cuidado foi acrescentar o meu nome no começo do e-mail. Na maioria das mensagens, nem isso ocorre. Os destinatários não aparecem.

Por isso é importante identificar seu público de interesse. Muitas vezes, recebo releases sobre assuntos que não são abordados nesse blog. Esse é um cuidado antigo das assessorias de imprensa que poderia ser resgatado por quem faz divulgação on-line: oferecer conteúdo relevante para publicações segmentadas. Não se transforme na mulher que oferece degustação de cafezinho nos supermercados. Acredite no seu potencial, seja mais criativo que isso. Há brindes interessantes, muitos press kits são relevantes e criativos. Todavia, para um bom comunicador, brinde não é o mais importante, mas sim  a relevância da informação.

Já escrevi antes: usar fórmulas pode ser útil, caso sejam utilizadas como uma caixa de ferramentas ocasional. De toda forma, fala-se muito em inovação nas mídias sociais, mas a maioria das ações de marketing digital lembram táticas surradas do mundo “analógico”. Por vezes, o Twitter parece a seção de descontos das Páginas Amarelas.

Confesso: eu mesmo às vezes entro no piloto automático, nem sempre a ideia original surge. Ademais, uma proposta antiga pode ser revisitada com qualidade. Todavia, tento me cobrar, não cair numa zona de conforto: a internet permite que não apenas a mensagem seja criativa, bem como o canal utilizado. Você não tem mais o limite de 30 segundos da TV, o espaço delimitado do material impresso. Vá além.

Conteúdo é rei. Outra premissa equivocada. Não que a necessidade de qualidade tenha sido abolida.  Todavia, terá pouca valia se não for “encontrável” no emaranhado de informações da internet.

(Eis um cuidado cada vez mais importante na web 2.0: dizer que o texto não é uma indireta para alguém. Adaptando a frase do cinema: ninguém foi alvo de ódio durante a realização desse post. Trata-se de uma reflexão sobre o tema, muitas vezes questionando minha própria postura. Mais do que muxoxo, ofereço algumas dicas para melhorar o que considero equivocado).

É algo cada vez mais presente por aqui. Não me agrada essa ideia de ver o ciberespaço com uma Shangri-la digital. Já comentei inúmeros aspectos positivos da internet, mas há outros pontos que merecem reparos.  Sou bastante otimista, mas não encaro que as coisas sempre se encaminharão, sem reflexão ou ação, para um caminho positivo.

A "amizade" conectada

Nós transformamos [nossos amigos] em uma massa indiscriminada, uma espécie de audiência ou público sem rosto. Dirigimo-nos a eles não como um círculo de pessoas próximas…. A amizade está deixando de ser uma relação para se transformar num sentimento.

O escritor William Deresiewicz é uma das pessoas ouvidas pelo ótimo texto sobre o “mundo Facebook”.

É comum, por exemplo, amigos convidarem seus contatos para atividades sociais apenas via Twitter (esquecendo o envio de SMS ou e-mail). Como se todos estivessem 24 horas”on-line” no microblog. Ou seja, trata-se de um chamamento público. Todavia, a cobrança de não comparecer a esses eventos pode ser feita de forma pessoal.

(Cresceu bastante a busca nesse blog sobre como descobrir se alguém está on-line no Twitter, como se a ferramenta fosse um MSN aberto).

A amizade advém de duas características importantes: gostos similares (fãs de um mesmo estilo musical, por exemplo) e experiências compartilhadas (contato surgido no ambiente de trabalho, colégio etc.). Todavia, a internet amplia essas possibilidades. Se você se sente um estrangeiro onde mora, pode encontrar pessoas que compartilham do mesmo interesse no ciberespaço. Entretanto, essa nova dinâmica relacional pode apresentar aspectos negativos.

Nesse novo necessário, contatos sem muita profundidade são retratados como amizades consolidadas. Por outro lado, pessoas que se conhecem “no mundo real” se esbarram on-line por motivos tolos, em discussões etéreas. A mídia social, muitas vezes, ressalta mais sua característica social do que de mídia.

Deixar de seguir alguém no Twitter (unfollow) pode azedar amizades. Isso influencia no processo de propagação da informação online. Características como amizade ou busca de aproximação com alguém incidem na prática de retuitar informações no Twitter, por exemplo. Há quem se porte como um radialista do interior, sendo simpático com todos, já que busca uma vaga de vereador nas próximas eleições. Ou seja, soa forçado. É como se passasse o dia distribuindo cartões de visita.

Na sexta, a prática de indicar perfis no Twitter (#Follow Friday/#FF) é distorcida pelo fato da pessoa recomendar inúmeras contas. Transforma-se uma característica interessante em mais uma forma de fazer média, já que o agraciado pela indicação pode ver no gesto uma grande homenagem. Na prática, o efeito é inócuo, já que não dá visibilidade específica. Seria o mesmo que você ir numa locadora de filmes, pedir uma recomendação e o atendente indicar 20 DVDs “de destaque”. Dessa forma, o resultado do #FF é inverso ao seu propósito original, já que é útil apenas para quem faz “networking” o dia todo.

O que era para ser um artifício para destacar conteúdo, vira mais uma forma de massagear o ego alheio. Ademais, muitas vezes o que está sendo recomendado não é o conteúdo postado por ela, mas sim a própria pessoa (ou seu cargo), já que o perfil é pouco atualizado no Twitter. Sua visibilidade advém do mundo “real”: jornalista reconhecido, empresário bem-sucedido etc.

É por isso que optei em fazer minhas recomendações (#Follow Friday) na quinta, destacando os perfis que passei a seguir recentemente. E há ótimas pessoas novas no Twitter, mesmo com poucos seguidores. Ou mesmo recomendar blogs e perfis durante a semana, sem data específica.

Outras táticas utilizadas: retuitar mensagens alheias. Não necessariamente links com conteúdo postado por ela em outros serviços online (como blogs), mas sim frases, pensamentos, aforismos. Ou seja, você diz como essa pessoa é “inteligente”. Até um simples “bom fim de semana” é retuitado. Se está na busca por aumentar seu número de seguidores, o que muitos erroneamente tratam como sinônimo de influência e respeitabilidade, também é aconselhado acompanhar todos s que lhe seguem (muitas vezes, explicitando que faz essa prática no seu perfil no Twitter).

O assunto é complexo e obviamente não se esgota em apenas um texto. E nem possui apenas essa vertente negativa que predomina no post (que tampouco é uma indireta para alguém). Mas achei que valia a pena refletir sobre como a web 2.0 pode ser uma mídia em que se faz tanta média. Prometo voltar ao tema posteriormente.

Mais: o jornal New York Times debateu porque, ao contrário de outras redes sociais, o Facebook fica cada vez maior com o passar do tempo.


Como a internet mudou a vida das pessoas

Da minha parte, acho que é difícil afirmar que a internet muda o modo de pensar; há muito tempo, como observador cultural que sou, aprendi que a cabeça deve lutar para não trabalhar com dicotomias, com oposições simplistas, como é da tendência humana. Para minha profissão, que lida com pesquisa, leitura e comunicação, ela foi uma espécie de benção apenas por sua praticidade. O que eu esperava depois de 15 anos de internet comercial é que as pessoas dessem menos importância ao acúmulo de informações do que ao raciocínio conceitual; que visitassem mais sites de ideias como o Edge. Mas a maioria dos navegantes é turista, não viajante: só quer a superfície vistosa das coisas.

O jornalista Daniel Piza comenta sobre as mudanças que a internet causou na vida das pessoas.

Coral virtual

O compositor Eric Whitacre criou um coral virtual reunindo 185 vídeos de músicos amadores cantando Lux Aurumque. Whitacre é o maestro virtual.

I’m alive [curta]

Idosos opinam sobre lições de vida. Direção: Megan Lange.