O futuro da internet. Aliás, a web tem futuro?
A revista norte-americana Wired é taxativa: a Web está morta. A tendência aponta para o uso de aplicativos. Se comprou essa idéia, sugiro esse outro texto (mais técnico): aplicativos x web.
Não gosto dessa linha de pensamento utilizada pela Wired. Aliás, o blog Boingboing questiona os dados dessa matéria. De toda forma, para além da lisura desses dados, análises do tipo miram o futuro sem compreender corretamente o presente. Ademais, prefiro a idéia de evolução, da transformação dos processos.
Até porque sempre estão enterrando precocemente algum conceito/serviço da internet. Já foram para a cova digital o podcast, blogs etc.
Por isso, soa mais interessante a abordagem adotada pela Smashing Magazine: mais do que traçar prognósticos sobre a internet, debate pontos importantes. Entre eles, o futuro da internet aberta, a neutralidade da rede (ameaçada até pelo Google), o navegador como plataforma inicial do uso da grande rede…
Pessoas como Mãe Dináh são ridicularizadas por prever o futuro. Por outro lado, nomes de outras áreas são incensados como grandes gurus. Há até um termo específico para os videntes “legítimos”: futurólogos. Chris Anderson, um dos responsáveis pelo texto da Wired, é um deles.
Fato curioso: durante a Copa do Mundo da África, um quadro do Pânico na TV comparava as previsões de videntes e jornalistas. Os videntes levaram a melhor (vídeo abaixo). O Polvo Paul também conseguiu resultados maravilhosos.
Não nego a importância de antever cenários. Essa é uma das estratégicas competitividas de muitas empresas ou mesmo de setores econômicos. O futurólogo brasileiro Jean Paulo Jacob propõe até um método assertivo sobre como “desvendar” o futuro.
Todavia, muitos profetas profissionais fazem prognósticos desleixados para datas longínquas. Enquanto suas profecias não se realizam, capitalizam em cima do futuro que ainda não chegou. Ou alguém lembra de confrontar as ideias defendidas pelos Nostradamus da atualidade? Antes, os netbooks iriam dominar a próxima década. Agora, esse papel caberá aos tablets. ”A longo prazo, todos estaremos mortos” (John Keynes, economista).
Em momentos de transformações profundas, muitos procuram profetas. Tendo um cenário criado (ou idealizado) para se agarrar, a incerteza do presente soa menos ameaçadora. Bobagem. A inovação não é linear, novas idéias surgem de lugares inesperados. Como pregam os indianos, nossa intenção pode estar voltada para o futuro. Já a atenção, no presente.
Veja também
Prever, verbo temerário
![CD [por Charles Cadé]](http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/uploads/logo/cd.jpg&w=&h=)



