Você possui estratégia de presença digital?

Por vezes, recebo material de divulgação e penso como muitos assessores de comunicação ainda pensam as novas mídias de forma analógica. Trocam o fax pelo e-mail, mas a abordagem é a mesma. Por isso, não aposente apenas o fax, mas todo o conceito que o acompanha.

Como trabalho na área, inicio uma série de textos sobre o assunto. Mais do que apontar, o post é um convite para a reflexão. Fique à vontade para dar seu pitaco.

Uma das bobagens ditas sobre comunicação digital é que seria mais simples de fazer. Não é bem assim. Está dialogando com vários públicos, nas mais diversas plataformas. Por isso, se quiser ir além do marketing de relacionamento, estratégia bastante comum nas mídias sociais, precisará de um bom planejamento.

Então, estude o caso. É difícil empurrar soluções prontas sem pensar numa estratégia customizada, pensada especificamente para atender as necessidades do cliente.

Faça perguntas. Muitas. Quais são os objetivos da sua presença digital? É venda, ganhos de imagem, gerar conversação? Trata-se de uma campanha para divulgar um produto específico? É um lançamento?

Aliás, você conhece seu público? Como dialoga com ele? Vai falar com todos, ou escolher alguns formadores de opinião (donos de comunidades em sites de relacionamento, perfis influentes no Twitter etc.)? Pensou apenas nos seus interesses, ou buscou criar vínculos com o público? Há ferramentas para dar continuidade à conversa?

Depois, passa-se para a elaboração do plano de ação. E novas perguntas surgem. O projeto é amplo, multimídia, envolve várias plataformas (internet, mobile etc.), redes sociais etc.? Os diversos meios dialogam entre si, há sinergia entre os projetos?

Em relação à web 2.0, você vai atirar para todo lado ou centrar as ações em sites específicos? Vai usar os serviços mais badalados, como Facebook e Twitter, ou vai encontrar projetos de nicho (redes sociais no Ning, comunicades no Orkut)? Vai agir com prepotência, esquecendo o site de relacionamento mais popular do país, ou vai procurar formas eficientes de usá-lo? Vai seguir poucas pessoas no Twitter?

Para cada resposta, novas ramificações surgem. Vai criar um novo serviço ou quer influenciar a conversa em plataformas já existentes (como o Twitter)? É um trabalho de utilidade pública (um site que oferece algum serviço) ou será um projeto de entretenimento? Há plataformas interativas?

Em relação a campanhas, que táticas serão utilizadas para propagar a mensagem que deseja? Utilizará apenas distribuição de prêmios? Se sim, como as pessoas participarão? Acima de tudo, como transformar isso em ganhos duradouros também para o anunciante?

Como monitorará o que é dito sobre você, seus concorrentes, suas áreas de interesse? Já pensou na estratégia de contingenciamento de crises? Como vai lidar com os problemas que podem surgir? Como lidar com os comentários negativos?

Isso é tudo? Há mais. Quais métricas serão utilizadas para aferir o sucesso da campanha? Aumento de vendas, crescimento da audiência de sites, ampliação do número de seguidores no Twitter ou da fan page no Facebook, número de visualizações de vídeos?

Volto ao tema em outros textos.
Esse post faz parte de um novo projeto que vou lançar. Aguarde. :)

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O novo Twitter

O serviço se transformou numa central multimídia: vídeo, imagens… Com isso, o Twitter deixa de ser apenas o guia de recomendações, de compartilhamento de links. A experiência não precisa ser complementada através de novos caminhos: o serviço se transforma no destino final do usuário. Afinal, não será necessário abrir muitos dos links sugeridos. O conteúdo já estará disponível no seu perfil do Twitter.

O novo Twitter lembra o Pownce, projeto descontinuado em 2008 mas que trazia esses recursos que o popular serviço de microblog anuncia agora.

Curiosamente, muitos analistas avaliaram que o Pownce perdeu a corrida para o Twitter por oferecer muitos recursos. Acredito que isso não explique o que ocorreu. Não totalmente, pelo menos.  O Jaiku, do poderoso Google, também oferecia um serviço simples e ficou para trás.

Para mim, o Twitter foi o vitorioso por muitos motivos. Entre eles, criou primeiramente o sentimento de comunidade, liberou a API (programadores autônomos podem desenvolver projetos complementares, como o Twitpic) etc. Falei sobre o fenômeno Twitter no meu e-book.

Vai dar certo? Só o tempo dirá. O serviço evolui juntamente com a internet. Como a qualidade do acesso aumenta, se torna mais fácil consumir conteúdo multimídia. O Twitter também foi atento aos hábitos de consumo de quem usa o serviço: compartilhar links é algo bastante frequente por lá.

Se quero monetizar minha atividade, um dos grandes desafios das empresas pontocom, porque transferir audiência para outros serviços? Deixo o usuário por mais tempo no meu terreno, assim posso vender anúncios, conhecer que tipo de conteúdo o usuário consome etc. Se o Facebook mapeia principalmente minhas relações pessoais, o Twitter vê tudo que atrai minha atenção.

Por esse motivo sugeri, tempos atrás, que o Twitter criasse seu próprio encurtador de links. Isso torna possível monitorar os hábitos pessoais de cada usuário. Uma mina de ouro baseada em dados.

Por outro lado, pode ocorrer rejeição. Foi o que aconteceu no Flickr. O serviço de publicação de fotos passou a permitir também a publicação de vídeos. A comunidade não gostou, achou que o serviço perdeu o foco. O mesmo poderia acontecer com o Twitter: os usuários podem desejar apenas uma experiência simplificada. Ademais, o Twitter muitas vezes não aguenta o tranco do compartilhamento de links, ficando fora do ar várias vezes. Será capaz de comportar esse conteúdo multimídia?

O futuro das mídias sociais no jornalismo

O Mashable fez uma extensa matéria sobre o assunto. Em linhas gerais, o texto prevê que todas as mídias serão sociais, agregando alguma característica da web 2.0.

Como tendências, o site aponta o crescimento da construção colaborativa das matérias. Além disso, o jornalista não será apenas quem apura e redige o texto, mas também atuará como gerente da comunidade, mediando e amplificando as conversas que estão acontecendo.

As reportagens online terão mais componentes da web 2.0 (“narrativas sociais”), agregando dados e a conversa que acontece online. A criação de hubs de mensagens postadas no Twitter durante a Copa do Mundo é um exemplo.

Os profissionais de comunicação atuarão cada vez mais como curadores de conteúdo. A própria rede também se ocupará desse serviço: aplicativos para celular, por exemplo, ajudam os leitores a separar o que há de mais relevante na web.

Os meios de comunicação utilizarão as mídias sociais para propagar seu conteúdo. Mas não vão olhar apenas para o Twitter e o Facebook. É importante prestar atenção em outras plataformas, como o Tumblr, e entregar o conteúdo mais apropriado para essa audiência.

As salas de imprensa, centrais de relacionamento com a mídia, serão cada vez mais interativas e dinâmica.

Dispositivos móveis serão usados como estúdios e ferramenta para engajar o público.

Sim, a monetização das atividades será uma preocupação constante.

Veja também

Já falei sobre o tema no meu e-book Comunicação em Rede.


Retornos, projetos e "novas" abordagens

Hoje inicio um curso -curto- de cinema. O mesmo que fiz há 18 anos. Devo ter sido um dos mais jovens a ter feito o curso. Fato curioso: aos 13 anos, consegui passar na prova sobre história do cinema. Todavia, não podia ver a maioria dos filmes que chegavam à tela grande na época: Pulp Fiction, Proposta Indecente… Na semana que vem, começo outro: desenho animado. E ainda espero começar outro, cujo inicio já foi adiado pela entidade promotora várias vezes: design de games. Há também outros cursos, sobre outras disciplinas, como Gerenciamento de Projetos.

Não são as únicas novidades. Estou reorganizando minha presença digital on-line.

Cada vez mais, os projetos estão alinhados às minhas paixões pessoais. Viver só vale assim, com tesão. Aliás, geralmente essa palavra está relacionada a sexo, mas deveria ser levada para tudo. Por isso não entendo porque tantos reclamam das suas vidas nas mídias sociais. Fazem com que o ambiente virtual seja tão sem graça quanto seu cotidiano. Acho um contrasenso. Não recriam o mundo que vivem, são reféns dele. Pior: poderiam trilhar novos caminhos no mundo digital, serviria pelo menos como forma de “escapar” da aspereza da vida. Conseguem a proeza de criar um avatar chato.

Mas voltando… Esse site, há algum tempo, junta dois blogs anteriores: um sobre cultura, outro sobre comunicação. De certa forma, é outro retorno. Quando comecei na blogosfera, há mais de nove anos, meu site era assim.

Esse é um regresso, mas que projeta para a frente. O foco? Como sou meu próprio pauteiro, eu diria que é vasto, já que segue minha curiosidade. Continuarei compartilhando o que acho interessante. Vai da circulação de notícias até assuntos mais pessoais, como budismo.

De forma simples, poderia dizer que é um blog sobre economia criativa: cinema, comunicação, design, games, software etc. Sempre procurando achar “links” entre essas diversas disciplinas, a sinergia entre os meios. Já deve ter notado que isso também vale para o meu perfil pessoal do Twitter.

Não apenas busco o furo de reportagem. Interessa-me a cobertura pós-noticiosa. Ao invés de reação, reflexão.

Esse papo severo de morte do jornalismo… Sigo por outros caminhos. Quero prestar mais atenção na criatividade digital. Não olhar tanto para eventos efêmeros, mas identificar tendências. Não falar apenas de problemas, mas sobretudo de soluções, o ambiente digital é propício para isso. Quero destacar belas imagens, e não apenas entregar textos gigantes sem informação, que só trazem opinião rala. Sem nunca esquecer o humor (não confundir com ironia, sarcasmo etc.).

Ademais, minha presença online vai ser “menor”. Não digo que vou retornar depois, simplesmente porque não vou me ausentar daqui (ou do Twitter, dos demais blogs etc.). Apenas não haverá tantas atualizações. O foco será na qualidade das informações, e não no fluxo intenso de dicas.

Desejem-me sorte.