2011, eu te amo: as melhores histórias de amor do cinema nesse ano
Dezembro é época de avaliar os melhores lançamentos do ano. Resolvi fazer isso com afeto: uma lista dos filmes românticos que fizeram barulho no mundo em 2011, sejam comédias ou dramas. Usei a data de estreia no respectivo país, e não necessariamente quando o filme chegou no Brasil. Alguns ainda nem ganharam lançamento nacional, outros apareceram apenas em mostras especiais.
Entretanto… O amor rejeita fórmulas. Aquela “pessoa” se torna especial por justamente se destacar na multidão. Por isso, essa lista começa com uma exceção. Eis Os Nomes do Amor (Le nom des gens), deliciosa comédia romântica francesa lançada em… 2010. O filme aposta na atração dos opostos: o certinho Arthur Martin e a voluptuosa Bahia Benmahmoud (a bela Sara Forestie), ativista que leva a sério a máxima “Faça amor, não faça guerra”. Ela tem uma forma diferente de converter conservadores em militantes da esquerda: transa com eles. Benmahmoud acredita que a discussão não surte efeito, sendo o sexo mais eficiente. Isso começa a mudar quando ela conhece Martin.
O filme tem ótimas sacadas. O jovem Martin muitas vezes vem orientar sua versão adulta. Ao olhar para sua história, Martin não consegue imaginar seu pai jovem. Como resultado, ao narrar como seus pais se conheceram, sua mãe surge jovem, já seu pai aparece como um idoso. Num determinado momento, os jovens Martin e Benmahmoud revelam intimidares que seus pares adultos não são capazes de compartilhar. Há outras belas cenas, como quando Benmahmoud conhece os pais de Martin.
Os Nomes do Amor aborda temas difíceis, como a questão da identidade (ela é descendente de argelinos; ele, judeu), política e traumas pessoais, de forma leve. Apaixonante.
Depois dessa introdução atípica, chegamos a 2011. Foi um ano especial: a excursão cinematográfica de Woody Allen pela Europa chegou a Paris, a cidade do amor. Os norte-americanos, enfim, se apaixonaram pelo diretor: Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011) faturou quase 60 milhões de dólares nos EUA, um feito e tanto na carreira de Allen.
No filme mais recente de Allen, um jovem escritor (Owen Wilson), desiludido com os rumos da sua vida, encontra no passado a inspiração para o seu trabalho. De quebra, se apaixona.
Se Allen mostrou Londres cinza na maior parte do tempo (O Sonho de Cassandra e Ponto Final – Match Point), e se na Espanha o amor surgiu intenso e tresloucado (Vicky Cristina Barcelona), em Meia-Noite em Paris o afeto é delicado e nada neurótico. Lembra o tom de outras belas criações do cineasta, como Manhattan e A Rosa Púrpura do Cairo.
É, 2011, até a ficção científica se apaixonou nesse ano. Filmes como Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau, 2011), sobre um casal “destinado” a ficar junto e que luta para manter a relação, o divertido O Homem do Futuro (2011), no qual Wagner Moura interpreta um cientista que investiga o amor, e Contra o Tempo (Source Code, 2011) mostram o peso do afeto no rumo das nossas decisões. Para mim, esse último é o melhor, por sintetizar a importância da “pessoa certa” e a relevância da convivência. Afinal, esse ser especial tem o poder de justamente elevar o cotidiano, criar momentos especiais.
- What would you do if you knew you had less than 8 minutes to live?
- I don’t know… I would make those seconds count.
Contra o Tempo (Source Code)
Outra ótima opção é Toda Forma de Amor (Beginners, 2011). Nele, Ewan McGregor vive um designer que, ao mesmo tempo que lida com a memória do falecido pai, inicia uma nova história de amor. O filme foca o início das relações: a curiosidade e o deslumbre com o outro, os afetos e as rotinas criadas, a dificuldade em partilhar segredos… O presente é permeado pela história recente de seu pai (Christopher Plummer) que, após a morte de sua esposa, resolve sair do armário.
(Falando nisso… O O Segredo de Brokeback Mountain desse ano seria Weekend, filme que tem recebido ótimas resenhas)
Se alguns filmes fazem graça com o amor -os meus preferidos-, outros se revelam, no mínimo, agridoces. É o caso de Like Crazy (2011). Nele, um casal de universitários começa uma relação onde tudo vai bem até que… ela precisa voltar para a Inglaterra, sua terra natal, antes que seu visto expire. O que parecia certeza vira dúvida: é possível manter uma relação à distância? A intimidade resiste à falta de contato físico? Relacionamento aberto faz sentido quando se quer ficar apenas com uma única pessoa? Do lado do espectador, as dúvidas se fazem presente: estamos vendo o desenrolar de um relacionamento, ou testemunhando o início de seu fim?
Se em Like Crazy há pelo menos o benefício da dúvida, o saldo de Blue Valentine (2011) é mais doloroso. Não se trata mais do amor no começo da vida adulta. Já há filho (transformado em âncora de uma relação à deriva), carreiras interrompidas…
É possível ver o “saldo” do amor do casal Dean-Cindy (Ryan Gosling e Michelle Williams, extraordinários), as consequências das escolhas feitas em nome da relação. Acompanhamos o presente, mas flashbacks nos apresentam o início dessa história. Se em vários momentos vemos o casal persistindo, essa visita ao passado nos permite saber quais são os alicerces dessa história. A união, num primeiro momento, fazia sentido?
A jovem Cindy já desconfiava do amor. Ao analisar a história de seus pais, cuja relação se deteriora, ela questiona se é possível confiar nos nossos sentimentos, já que sabemos que elem podem mudar. No Brasil, o filme ganhou o título tolo de Namorados Para Sempre. Quem sabe seja irônico.
(Algum chato pode dizer que Blue Valentine foi lançado no ano passado. Mas o filme estreou para valer, nos EUA, apenas no dia 07 de janeiro desse ano. Antes foi jogado num circuito menor para poder participar do Oscar em 2011, já que a Academia só permite que filmes lançados no ano anterior concorram ao prêmio)
Somos adultos, mas inseguros como crianças. Que tal, então, ter contato com outras sensibilidades? Vale optar por O Amor não tem Fim (Late Bloomers, 2011), um filme sobre amor maduro. Direção de Julie Gavras, a mesma de A Culpa é do Fidel (2006). Tinha Que Ser Você (Last Chance Harvey, 2008), é outra ótima pedida no mesmo estilo. Afinal, o amor não é uma prerrogativa apenas dos jovens.
Meu estilo preferido de amor cinematográfico aponta para Noivo Neurótico, Noiva Nervosa; Harry e Sally – Feitos um para o Outro; O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e (500) Dias com Ela. Mas se é daqueles que prefem filmes carregados… De chorar mesmo é o Love Likes Coincidences (Ask Tesadüfleri Sever, 2011), um drama turco sobre duas pessoas que nasceram no mesmo dia. Seus caminhos se cruzam várias vezes. Depois de longo hiato, voltam a se rever aos 25 anos. Mas aí ela está presa num relacionamento sério, ele tem problemas de saúde… Aí… prepare o lenço.
Há mais: o belo e sofrido Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go, 2010) parece ter retomado a ideia de romance “distópico” na tela, cujo marco é Alphaville (1965), filme de Jean-Luc Godard que mostra uma sociedade controlada que coíbe o amor. Ewan McGregor, dessa vez como chef, se apaixona pela cientista Eva Green em Sentidos do Amor (Perfect Sense, 2011). Infelizmente, o período não é dos melhores. Uma epidemia começa a roubar as percepções sensoriais das pessoas.
Em Another Earth (2011), um planeta semelhante à Terra se aproxima de nós. Mirar a Terra 2 pode ser a saída para algumas pessoas, que tentam reconstruir suas vidas -e viver novas histórias de amor- após grave acidente.
E Um Dia (One day, 2011), que estreou recentemente no Brasil? “Charles, até que enfim, um bom filme normal”. Ora pai, era tudo que não deveria ser: um filme comum. Mas sua avaliação está correta: a adaptação para o cinema de um dos melhores livros que já li não chega perto da obra original. Não é ruim, mas a versão em papel é infinitamente superior. Tudo soa apressado na tela grande. Dexter e Emma é uma história de desencontros, mas também de apoio mútuo e afetos não revelados. O filme perde essas nuances. Não sabemos a real importância que cada um exerce na vida do outro. Não sabemos nem o fator de atração dos personagens: afinal, por que são vistos como especiais?
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Só teve esses filmes? Pode sugerir outros títulos aí nos comentários. Se me lembrar, também atualizo com outras dicas. De toda forma, o ano ainda não acabou. Ainda serão lançados We Bought a Zoo (2011), de Cameron Crowe (dos queridos Vida de Solteiro e Jerry Maguire); Noite de Ano Novo (New Year’s Eve, 2011), mais um filme de Garry Marshall (Idas e Vindas do Amor e Uma Linda Mulher) que segue a receita de sucesso de Simplesmente Amor (Love Actually, 2003), no qual vários casais (e solteiros) dividem a tela (é a mesma premissa do nada romântico Short Cuts – Cenas da Vida); Young Adult (2011), da mesma dupla criativa (diretor e roteirista) de Juno…
Para 2012, já estou esperando The Five-Year Engagement, cujo roteiro é de Jason Segel, o ótimo comediante que também assina o texto e atua no divertidíssimo Ressaca de Amor (Forgetting Sarah Marshall, 2008).
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Houve também tropeços. Esse papo continua noutro post.
Atualização: 11/12/2011. Texto alterado em verde.
![CD [por Charles Cadé]](http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/uploads/logo/CDLogo02.png&w=&h=)