Oscar 2011: Indicados

No site da academia, você confere todos os indicados. O que achou?

(Para os mais afoitos, saber quem vai ganhar torna-se o mais importante. Há favoritos, mas as zebras são uma constante na história da premiação. Se vai participar de bolão, melhor ficar atento às premiações das categorias específicas que ocorrem nos EUA: preste atenção nas escolhas do Sindicato dos diretores, Sindicato dos Produtores, Sindicato dos Atores…)

Tenho minhas ressalvas em relação aos indicados do Oscar: nem sinal de Never Let Me Go, O Golpista do Ano (Jim Carrey, sempre esquecido)… Christopher Nolan não sendo indicado na categoria melhor diretor por A Origem?

Na maioria das vezes, as escolhas revelam um perfil mais conservador. Como atesta o destaque dado ao filme Discurso do Rei. Lembra o sucesso nas premiações na década de 1990 da dupla Ivory/Merchant (Retorno a Howards End e Vestígios do Dia). Pouco tempo depois, a produtora Miramax aprendeu a seguir a cartilha dos filmes feitos para premiações (Shakespeare Apaixonado e A Vida é Bela são dois exemplos).

Ademais, muitas das escolhas são incoerentes. Como A Origem concorre na categoria melhor filme, e seu diretor, que concebeu o projeto, não foi indicado entre os melhores da direção?

De toda forma, ver Toy Story 3, Cisne Negro e Rede Social recebendo boas indicações é um alento. David Fincher e Darren Aronofsky, respectivamente, diretores dos dois últimos filmes citados, merecem o destaque. São dois cineastas inventivos. E que se arriscam. Além disso, os alternativos Animal Kingdom e Winter’s Bone também não foram esquecidos.

Se o filme sobre o Lula não foi indicado, os ufanistas podem torcer pelo brasileiro Lixo Extraordinário. A obra, que mostra um projeto social do criativo artista plástico Vik Muniz, concorre na categoria melhor documentário.

Embora muitas vezes tais premiações sejam contestadas, a necessidade de criar listas é uma prática antiga da humanidade.

Para o linguista Umberto Eco, “A lista está na origem da cultura. Faz parte da história da arte e da literatura. O que pretende a cultura? Tornar a infinidade compreensível. Ela também quer criar ordem – nem sempre, mas com frequência. E como, enquanto seres humanos, lidamos nós com a infinidade? Como é possível entender o incompreensível? Através de listas, através de catálogos, através de coleções em museus e através de enciclopédias e dicionários.”

PS – Sempre fico surpreso com a pouca quantidade de filmes e comediantes lembrados nessas premiações. Já cansei de escutar atores dizendo que fazer comédia é mais difícil do que drama. Mas eles mesmos não lembram seus pares que fazem rir. As escolhas do Sindicato dos Atores são de chorar.

Ah, só mais um aviso: interessado em dicas sobre cinema? Passa no tumblr http://radar.cadedigital.com/

Os filmes de Bill Murray

Brandon Schaefer recriou o rosto de Bill Murray utilizando elementos dos filmes do comediante.

Felicidade é…

A felicidade não é uma coisa que aniquila a dor. Não dá para dizer “não vou ter mais sofrimentos, só vou ser feliz”. A verdadeira felicidade é você perceber que a beleza é um processo contínuo. Se alguma coisa me magoa, eu fico triste. Eu não posso ficar alegre com a tristeza. Faz parte da experiência humana sentir saudade, amor, ternura, ficar triste, ter medo da morte. É trabalhar o que está acontecendo com você e não negar, não iludir. Não adianta querer cobrir com um veuzinho muito fino aquilo que é a nossa verdade.

Monja Coen, numa entrevista antiga à Folha.

A autora do livro Viver Zen – Reflexões sobre o Instante e o Caminho afirma que felicidade está diretamente ligada ao que chamamos de sabedoria ou compreensão superior. “É um estado de deslumbramento com a vida, mesmo na dor, no sofrimento”, define.

Para ela, é possível treinar para ser feliz. As práticas meditativas seriam um caminho para isso. Fato, inclusive, comprovado por pesquisas científicas.

Além disso, para encontrar a felicidade, não podemos esquecer dos cuidados com o corpo: “Somos uma unidade, nosso corpo e nossa mente estão unidos.”

A monja zen-budista desconstrói um mito bastante comum para quem não conhece o budismo: acreditar que ser zen é levar uma vida sem sentir raiva. Do contrário. Pode até ser canalizado de forma positiva. De acordo com ela, “A indignação e a raiva são maravilhosas porque são elas que nos motivam a querer uma ação de transformação”.

O tema possui vários desdobramentos. Volto ao assunto noutro momento, comentando os livros Ciência da Felicidade, de Sonja Lyubomirsky e Felicidade, de Eduardo Giannetti.

Veja também
A tal da felicidade (Revista da Cultura)

Charles Bukowsk

Muito conhecido por sua obra literária, o autor também teve uma -má- experência no cinema. Ele contou essa história no divertido livro Hollywood.

Desenho de Elliot Beaumont

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Aguenta firme. A programação normal do blog volta em fevereiro.

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