Microsoft apresenta o futuro da computação
Moacyr Scliar sempre escreveu com a postura de médico: um pé atrás para observar o mundo, a coragem de meter as mãos nas piores partes do humano, a decisão de, mesmo nas horas difíceis, não se afastar da realidade. Foi assim, deslocado de seu centro, mais como observador que como inventor, que escolheu a literatura. Ainda menino, gostava de ir ao pronto-socorro do Bom Fim, reduto porto-alegrense da colônia judaica, para observar o atendimento aos pacientes e seu sofrimento. Nunca fugiu da dor. Sem ser hipocondríaco, sofria muito, desde cedo, com as doenças dos pais, que lhe despertavam medo e atração. O interesse pela dura verdade do corpo o levou à medicina, em que se formou em 1962.
Via O Globo. Li vários livros dele: O Olho Enigmático, O Exército de Um Homem Só, Os Vendilhões do Templo e A Orelha de Van Gogh, o meu favorito do autor. Adorava principalmente seus contos. Nos textos curtos, era mais nítida a influência do genial Franz Kafka e do grande Júlio Cortázar.
Imagem via Flickr de cpfl cultura
Comecei uma conversa bacana na versão facebook desse site (curte lá: http://www.facebook.com/C2online) sobre uma empresa que promete acabar com os e-mails na sua comunicação interna.
Como acho que o assunto rende um texto maior, comento sobre o assunto por aqui. Acredito que o e-mail têm muitos usos e fins. Por ser uma tecnologia “agnóstica”, é mais fácil de interagir. Basta ter o e-mail do destinatário. Diferente de uma rede social online, em que as duas pontas da conversa devem ter cadastro. Ademais, o custo do e-mail é baixo (se o problema é espaço, pode-se optar pela computação nas “nuvens” ao utilizar webmail), você pode enviar arquivos multimídia, fazer becape é fácil etc.
Toda essa facilidade de uso, paradoxalmente, gera problemas. Mensagens são enviadas sem critério. No caso das empresas, os funcionários muitas vezes enviam correspondência em excesso (uma simples conversa no corredor poderia funcionar; e que tal evitar as desnecessárias correntes, os pesados arquivos power point?), verificam demais sua caixa de entrada (não estipulam horários para acessar sua conta; em casos de comunicação rápida, uma ligação ou sms poderia ser a solução mais adequada), não aderem facilmente a novas plataformas de comunicação (já vi resistência até em adotar a suíte de aplicativos gratuita OpenOffice, que é bastante similar ao pacote Office, da Microsoft)…
A prática migrou para os telefones inteligentes: para as pessoas que usam excessivamente o Blackberry para conferir novos e-mails, o celular símbolo do meio corporativo, foi cunhado o termo crackberry.
Com o objetivo de demonstrar que são muito requisitadas, as pessoas não raro dizem que estão atoladas de trabalho, que sua caixa postal está cheia… O excesso, que pode indicar sobrecarga de trabalho ou má gestão do tempo e de responsabilidades, gera combustível para a autoestima. As empresas de eletrônicos dão “suporte” a isso. Os e-mails enviados de alguns aparelhos de celular entregam essa informação na assinatura (“Essa mensagem foi enviada de tal celular”). O que pode apontar desequilíbrio, vira status.
Claro, muita bobagem é dita sobre o fim do e-mail. Como o fato de vislumbrarem que ele não tem futuro porque os jovens de hoje pouco o usam. Fico pensando o que teria sido do fax se tivessem usado como público-alvo os adolescentes. Os jovens tem outra dinâmica, muitas vezes distinta dos adultos. Para os mais novos, muitas vezes o que importa é a celeridade da interação. Por isso, é fácil mandar sms curtos, ou mesmo adotar redes sociais. Ele não pensa em questões de segurança, ou o fato de compartilhar informações confidenciais num site de relacionamento que não controla. Nem tem necessidade de enviar documentos importantes numa plataforma segura.
Não sei se uma nova tecnologia pode substituir o e-mail no curto prazo. O Google Wave fracassou recentemente ao tentar reinventá-lo. Seria um caso de pretensão exacerbada (poderia ter se convertido numa ótima ferramenta de nicho), ou por não representar uma evolução, mas sim complicar o que é simples?
Acredito, de toda forma, que o e-mail não deveria ser o meio digital mais utilizado pelas empresas. Há outras ferramentas, como o o wiki, redes sociais empresariais… É necessário avaliar o tipo de empresa, o(s) perfil(s) de seus funcionários, com quais públicos externos quer interagir… Cada projeto de comunicação deveria encontrar o meio adequado (“O meio é a mensagem”, McLuhan). O objetivo não deve ser apenas trocar informações, mas gerar conhecimento.
O problema é que o meio corporativo se acostumou a fornecer ferramentas limitadas e pouco interativas para os funcionários. Já vi cada intranet quadrada… O e-mail também é atraente por possuir respaldo jurídico. Por isso, é ótimo para registrar conversas. Ademais, as empresas podem monitorar a caixa postal digital de seus funcionários: elas podem acessar o e-mail com domínio corporativo (nomedaempresa.com.br). No caso de webmails gratuitos, mesmos os acessados do local de trabalho, não.
Hoje, o e-mail ocupa o lugar do lençol que muitas crianças teimam em não deixar para trás. Mesmo puído, já faz parte da vida delas. O e-mail, considerado por muitos algo ultrapassado, resiste à ideia de se aposentar.
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Um dos vários vídeos a remixar o novo clipe do Radiohead, Lotus Flower (confira toda a dança de Thom Yorke abaixo).
Mal saiu, o novo disco do grupo, King of Limbs, foi bastante malhado pela crítica musical. É a avaliação miojo. Nunca me interessei em opiniões apressadas, mas sim em ler uma abordagem mais aprofundada, mesmo que tenha de esperar um pouco mais. Posso até discordar, mas vejo propriedade nos argumentos. Noticiar o lançamento é uma coisa, mas entregar uma crítica tão rapidamente, feita quase em “tempo real”…
Chama-me atenção a polarização das opiniões. Ou é uma obra-prima, ou algo inaudível. Uns, só enxergam pontos positivos. Outros, exercem toda sua ironia destruindo o álbum. Desse último grupo, alguns estão especialmente felizes com a queda do aluno pretensioso, que enfim tropeçou. Ou pior: seu êxtase decorre do fato de terem desmascarado a falta de conteúdo do queridinho da turma.

Talvez a decepção com o novo trabalho seja uma questão de perspectiva. O cineasta Fernando Meirelles já afirmou que não curte muito ler críticas porque os “especialistas” da área não julgam a obra entregue pelo artista, mas sim a que esperavam. Muitas vezes, querem mais do mesmo, obras calcadas em ideias já apresentadas pelo artista.
Há também falta de conhecimento. O Radiohead já vem lançando discos experimentais há um bom tempo. Ao contrário de outras bandas, como o Sonic Youth, não há distinção de lançamento, tudo faz parte da discografia “principal” da banda. Como não se trata de um trabalho “paralelo”, o disco ganha ampla divulgação.
O racha entre fãs e críticos não havia ocorrido ainda porque o Radiohead toca um som de vanguarda “palatável”. A experimentação estava diluída numa sonoridade acessível.
Dizer que o Cabeça de Rádio entregou, dessa vez, fiapos de músicas, ideias inacabadas, rascunhos sonoros? Há tempos classificam a música da banda inglesa como post rock. Curiosamente, muitas bandas desse gênero -como Stereolab, Tortoise, Godspeed You! Black Emperor, Mogwai e Sigur Rós- são amplamente aclamadas pela crítica.
Essa rapidez em resenhar um disco tão novo me fez lembrar uma crítica da Bizz sobre The Bends, o segundo disco do Radiohead. Na época do seu lançamento, a finada revista entrou num papo sobre o álbum ser previsível, não ser tão bom quanto o anterior… Agora, muitos que falaram mal de King of Limbs afirmaram que o disco não mantem… o brilho do início da carreira da grupo.
Não para aí. No lançamento de Ok Computer, o clássico da banda, muitas das análises diziam que não era um disco fácil, que precisava de várias audições para você começar a sacar a obra. Não seria o caso novamente? Ademais, se olharmos para trás, veremos tantos casos de obras que não foram compreendidas na época de seu lançamento…. E o que falar de Kid A? Muito contestado quando foi lançado, o álbum foi figura fácil em várias listas de melhores do ano.
Para os descontentes, há um alento. Há boatos de que The King of Limbs seria um disco duplo. Ou então torcer para que se repita a história. Se Kid A dividiu opiniões, menos de um ano depois a banda lançou o mais acessível Amnesiac.
Gramática da criação
E o que achei do disco? Ainda estou digerindo. O Radiohead tem crédito comigo. Todavia, por mais que admire bandas que têm coragem de se arriscar, o experimentalismo por si só não me atrai. Acho as inovações de Hermeto Pascoal divertidas, mas não me interesso em conferir um show dele. Ou mesmo escutar seus discos. Não sou músico, então o que me interessa como fã é escutar uma bela música. Obedecendo, claro, um filtro bastante pessoal. Interessa-me a relação afetiva que tenho com a obra artística, o que muitas vezes é mais importante que seu valor cultural. De preferência, que me permita se contorcer, como faz Thom Yorke no clipe abaixo, numa pista de dança.
Todavia, para analisar a obra de forma mais ampla, é importante ir além. É necessário analisar o resultado do trabalho, as conexões com outras obras, o tipo de inovação que ele traz… Pode não oferecer um som palatável, mas trazer inovações técnicas, abordagens diferentes… Ademais, pode não fazer “sentido” para o público comum, mas ser acolhido por outros artistas, influenciá-los. Sua importância se amplia para além do álbum. Esse seria o papel de um verdadeiro especialista, alguém que tem conhecimento específico. É isso que espero de um especialista ou estudioso da área. Mas para isso precisa-se de bagagem cultural e… TEMPO.
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![CD [por Charles Cadé]](http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/uploads/logo/cd.jpg&w=&h=)