Podcast hit me, a volta [Hit me baby one more time]
A pegada é a mesma do meu tumblr musical: no podcast Hit me! você vai escutar de rock a música dançante. Em muitos casos, os dois estilos juntos (saiba como acompanhar o podcast no final desse post).
Em destaque, novos sons, mas sem esquecer canções antigas que também podem ser revisitadas. Ou descobertas, já que não tiveram grande sorte na época que foram lançadas. Cada programa tem por volta de 30-40 minutos.
Entretanto, foram feitas algumas mudanças: sem papo, só as músicas em rotação. Geralmente, a mixtape será dividida em dois lados: um com as músicas lentas, para entrar no clima. Já o outro lado… É festa pura, embalada com rock e dance!
A alteração mais importante da versão 2.0 do podcast é não apresentar mais do mesmo. Quero lançar luz sobre artistas iniciantes (ou não muito badalados em terras brasileiras). Há muita coisa boa que não entra no radar mainstream. E, mesmo quando entra, são artistas norte-americanos ou britânicos.
Sempre achei estranho rolar tão pouco o som dos outros países da América Latina no Brasil. Quando chega por aqui é, invariavelmente, um som “romântico”. Quando estudei francês e espanhol, as canções que aprendíamos seguiam essa toada. Nada contra especificamente esses artistas, mas ensinar francês com músicas da Édith Piaf? Parece que a França não produziu mais nada desde então.
Não se trata de um cardápio “world music”, de procurar regionalismos por aí, mas de pinçar artistas pelo mundo que tocam o som que curto: rock, dance etc.
Nessa edição, o grupo roqueiro Love Boat vem da Itália. Tem uma balada francesa da Melanie Laurent. Os seus conterrâneos Breakbot e Jupiter oferecem a sempre competente música dançante que se produz por lá. Dessas, só uma não é em inglês. Mas, com o tempo, vou buscar mesclar as línguas, os sotaques…
A periodicidade é quinzenal. Sempre na sexta solto uma edição, para servir de trilha para o seu fim de semana. Prometo.
Escuta a primeira edição
O set list segue logo abaixo.
http://soundcloud.com/charlescade/hit-me-2-1
[a]
Jamie Woon – Night Air
The Head and The Heart – Lost In My Mind
Alexander – A Million Years
Melanie Laurent – Kiss
[b]
Breakbot – Fantasy
Love Boat – You Know I Really Want You
Jupiter – Saké
Telephoned – Crave You
Summer Heart – Please Stay
Private – My Secret Lover
YACHT – Dystopia
Acompanhe o podcast
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http://soundcloud.com/charlescade/
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Uma mesa; poucas cadeiras
Você se foi há um mês. Dia desses, fui ao cinema, algo que fazíamos constantemente. Aliás, por que saímos de casa rumo a uma sala de exibição? Você não precisa ir acompanhado: uma tela centraliza a atenção no ambiente escuro. O outro é visto parcialmente. Na verdade, nem você está ali: um bom filme lhe transporta para outra realidade. Mas aí surge uma risada conhecida que faz a experiência ganhar um sentido único. Pessoal.
É estranho passear por essa cidade na qual construímos um rico mapa sentimental. Alguns sugerem que a memória serve de alento. Em casos especiais, isso pouco serve. Não quero colecionar recordações. Os bons momentos passados nos fazem querer mais. É uma trajetória que não gostaríamos de interromper. Desejamos novas experiências. Com a mesma pessoa. Daí surge o medo de não surgirem novos momentos significativos. Pior: de procurar em outras pessoas o que era único em você.
E aqui estou, vivendo uma nostalgia forçada.
Marcelo Camelo recentemente disse que não corrige interpretações. Por outro lado, acha mais relevante quando as pessoas não procuram o sentido das composições nas experiências do artista, mas sim que suas músicas ganhem novos significados na vida dos ouvintes. É pessoal. E até mesmo mutável: a vida segue reconstruindo interpretações. Agora, There Is A Light That Never Goes Out tem um rosto.
É estranho não tê-lo por perto. Não poder ligar e saber o que tem de bom fazer. O lugar, pouco importava: era só um pretesto para reunir os nossos.
Muitos falam da juventude como o melhor momento das suas vidas. Idealizam esse período de descobertas e poucas obrigações. Depois, o mundo adota tons escuros. A sua morte enfatiza essa regra melancólica? Estamos destinados a contemplar os dias que já passaram? Esses momentos foram eternizados, posto que não podem prosseguir. Logo conosco, que iríamos teimar em procurar novas perspectivas? Não será possível continuar essa amizade na vida adulta, enriquecê-la com momentos próprios dessa faixa etária.
Os dias seguem não apenas com reflexões. Depois que se foi, tudo ficou mais urgente. Volto aos nossos sonhos, para recriar o presente. As dificuldades(?) ganham seu contorno real.
Nesse texto egoísta, conjuguei em demasia a primeira pessoa do singular. Sendo que o eu é um reflexo do nós. Se agora falo da sua ausência, não posso esquecer que poderia ter sido mais presente. Peço perdão por não tê-lo ajudado mais, principalmente no seu último ano de vida.
“A idade de um homem se mede pelo número de seus mortos” (Héctor Abad Faciolince, autor do livro A Ausência que Seremos). Perto do meu aniversário, não tenho certeza da minha idade. Mas preciso voltar ao começo do texto para fazer uma correção: você se foi? Meus dias são repletos de nós. “All of your flaws and all of my flaws, they laid out one by one / Look at the wonderful mess that we made we pick ourselves undone” (Bastille – Flaws)
Imagens via Tumblr (pleadthe1st & dirtyacid)
Os perdedores da geração Y [Belle Brigade - Losers]
Nos anos 1990, Beck lançou a música Loser, um hino para os jovens individualistas e desiludidos da geração X.
Agora o duo Belle Brigade, os irmãos Ethan and Barbara Gruska, dão um verniz 2.0 ao tema. Sai o individualismo, entra o espírito de colaboração dos nativos digitais.
There will always be someone better than you
Even if you’re the best
So let’s stop the competition now
Or we will both be losers
PS – Agora vai. Nesse feriado prolongado, chega o podcast hit me! (RSS) A música acima abre a edição piloto. Preparado?
Credibilidade: independência (ou morte)
Hoje, poucas pessoas da mídia analisam tão bem a mídia quanto o comediante Jon Stewart. No vídeo, ele defende que há uma distinção entre visão política e ser ativista. Muitas publicações podem optar por determinada ideologia, mas isso não “contamina” sua atividade, até porque sua missão não é divulgar uma doutrina específica, mas sim informar.
Pessoas como ele fazem falta. Stewart oferece insights interessantes embalados num discurso de fácil acesso (e divertido). Aliás, quem foi que criou essa cartilha que diz que o jornalismo tem de ser tão sisudo? Há formatos híbridos que misturam jornalismo e humor eficientemente.
Muitos até tentam fazer sátira política, se propõem a fazer um humor crítico, mas na verdade apenas tiram “sarro” dos políticos. Não abordam, necessariamente, assuntos. Em entrevistas, empregam um jogo de palavras “bem sacado” que consegue pegar alguns desprevenidos. Os políticos brasileiros se levam muito a sério. Por outro lado, não dispensam uma aparição nos meios de comunicação. Disso podem surgir algumas oportunidades para os militantes do riso. Nos EUA, é muito mais fácil encontrar políticos experientes encarando humoristas em talk shows ou mesmo participando de programas humorísticos.
Por aqui, o que se vê são pegadinhas retóricas, usadas por justiceiros “engraçados” que exigem respostas de seus interlocutores. Não abordam o ridículo da realidade; a atualidade é apenas uma oportunidade para provocar momentos toscos. Tudo é “espontâneo”: políticos são instados a responder questões previamente elaboradas pelos humoristas. Curiosamente, poucas esquetes, material elaborado e concebido em estúdio, são realizados. Pode ser pior, como pensar que ser contestador é soltar frases constrangedoras (sem graça).
Não que o cenário seja tão ruim assim. Se o telejornalismo tem um casal símbolo, o humor também. No Brasil, gosto do trabalho da Dani Calabresa, no Furo MTV. E o Marcelo Adnet também provoca bons risos.
Quem conta um conto…
Essa falta de humor e a polarização política é compartilhada pelo público. O colunista José Simão, que está lançando um livro com suas tiradas, diz que só sofreu três processos durante sua longa carreira. Por outro lado, Simão também revela que há grupos que não tem humor algum.
A patrulha do politicamente correto é uma praga, assim como o gaiato que apenas gostar de brincar com os outros, mas não aceita a pilhéria dos demais. Ou o chato que, ao ser criticado, aponta que está sendo censurado.
As deformações são várias. Lembro-me da eleição mais recente no Brasil. Muitos criticavam certas publicações porque estariam fazendo uma campanha enviesada: apoiava um candidato, em detrimento de outro. Não parecia uma queixa contra esse tipo de postura, mas sim porque o apoio não recaía sobre o candidato que apoiavam. Não pleiteavam uma cobertura apartidária, posto que só olhavam para o outro lado, e não para toda mídia. A coletividade não correspondia ao bem comum, mas sim a um agrupamento específico: publicações que acolhiam candidatos representativos de determinados pontos de vista -ou seja, beneficiavam interesses particulares- não eram alvo do mesmo denuncismo. Esquecem o que pregava Aristóteles, que defendia que toda boa política visa… o bem comum.
Esse discurso inflamado é sedutor. Profissionais que são vistos como bastiões da liberdade de expressão muitas vezes apenas apontam sua verve analítica para um alvo específico. Geralmente, seu ex-empregador de longa data. Curiosamente, seu espírito de justiça não consegue mirar o mais próximo, os excessos das empresas em que trabalham.
Objetividade é o caminho? Isso me lembra um ditado chinês: “há três versões para um fato; a minha, a sua e a verdadeira“. Ademais, um texto em que o autor não se envolva não me atrai. O distanciamento resulta numa escrita insossa, sem vida. Uma mera descrição sem profundidade e personalidade. Ir para o extremo oposto também é nocivo: alguém que edita e/ou distorce a realidade até se encaixar no discurso que quer difundir. Ou que aborda um assunto com uma visão já concebida.
É uma questão de bom senso. E de perseguir princípios éticos, como a utópica isenção. Algo que não deve ser descartado porque parece ser inalcançável; serve como ponto de vista que nos guia, uma meta que merece ser buscada. Assim como almejar evoluir na vida. Você sabe que vai tropeçar no caminho. Mesmo no final, sabe que não atingirá a perfeição. Isso não implica que desistirá de se cobrar e se esforçar para ser um ser humano melhor.
(Imagine o contrário; adotar, desde o início, um comportamento errático, pois sabe que, mesmo com afinco, o resultado será incompleto? A perfeição não é possível de ser alcançada, do que vale o esforço, então? Que tipo de resultado teria se sua postura fosse essa?)
Carregamos uma ampla bagagem (cultural, social etc.). Isso tudo influencia as diversas facetas de nossas vidas. A sua conduta profissional não seria uma excessão. Por isso, o comunicador não deve buscar a imparcialidade, mas sim independência para realizar seu trabalho. Seja autônomo ou empregado de uma empresa.
Imagem via Tumblr
![CD [por Charles Cadé]](http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/uploads/logo/cd.jpg&w=&h=)








