Google+ 10
A provocação é ótima, porém prematura. De toda forma, o crescimento impressiona: hoje a nova rede social do Google deve atingir 10 milhões de usuários.
Dica via Google+
Hit me! # 2.2 [podcast]
http://soundcloud.com/charlescade/hit-me-2-2
Como sempre, para você entrar no clima, o podcast inicia num ritmo lento. E globalizado. Tem artista da Suíça (Pamela Méndez), da Coreia (Neon Bunny)… Na verdade, até o lado festivo começa com num nível mais devagar que o costumeiro, com 3D Friends, até chegar aos remixes matadores. A lista completa segue abaixo:
lado a
Guggenheim Grotto – Fee Da Da Dee
Larcenist – Leon
Purity Ring – Lofticries
Pamela Méndez – Bubble Bubble
Chapel Club – O Maybe I
Neon Bunny – Long-D
Jinja Safari – Peter Pan
lado b
3D Friends – Lina Magic
Bastille – Icarus
Geographer – Original Sin
Foster The People – Helena Beat
Gemini Club – Ghost (Hey Champ Remix)
Nero – Promises (Skrillex & Nero Remix)
Para acompanhar, já sabe. Toda mixtape vai parar no meu perfil do Soundcloud: http://soundcloud.com/charlescade. Você também pode cadastrar seu e-mail para saber quando há novos episódios ou acompanhar o podcast via RSS (http://feeds.feedburner.com/hitmepodcast).
Recomendo utilizar o programa iTunes. Depois de instalá-lo, clique em ADVANCED. Em seguida, SUBSCRIBE TO PODCAST. Sempre que houver atualizações, o seu micro receberá uma cópia da nova edição do podcast.
Google+ do mesmo
Enfim, parei para dar uma olhada no Google+. A ideia da criação de círculos para grupos de interesses específicos é interessante. Todos participam de várias tribos, não apenas de uma. Por outro lado, a falta de um mecanismo automático de criação de circles é ruim. Algo como a caixa prioritária do Gmail seria interessante. Um círculo geral, amplo. Com o tempo, poderia refinar os contatos automaticamente, como o Facebook faz (talvez não saiba, mas a rede social mais popular do mundo dá destaque às mensagens postadas pelos usuários com os quais você mais dialoga).
A customização do serviço é interessante, mas não criar um perfil com algumas etapas já sugeridas (ou autocomplementadas) é equivocada. A noção de sempre criar novos perfis e alimentá-lo novamente como informações afasta muitos usuários (“Por que vou fazer isso tudo, se já tenho um perfil construído? Aliás, por que vou perder todos os rastros das minhas relações sociais online?”)
O maior desafio, porém, é ganhar escala, criar e manter uma comunidade engajada. A ideia de “forçar” a integração com outra ferramenta do Google já se mostrou uma estratégia falha recentemente (vide o tombo do Google Buzz, que se “intrometeu” no Gmail).
Uma saída seria aglutinar eficientemente mais serviços do Google. Que tal, por exemplo, o Google+ dialogar com o Orkut? Seria uma forma de estancar a migração de usuários da rede social do Google para o Facebook, que cada vez mais rouba usuários brasileiros. E de criar um serviço “quente”, no qual muitas pessoas fazem parte dele. E quem está de fora, quer entrar.
O Orkut é como uma espécie de carteira de indentidade digital no Brasil. E o Google teima em não olhar com carinho para esse produto. Eu seria até mais drástico: migraria o Orkut para o Google+, que seria divulgado como uma “evolução” do Orkut para o mercado local.
Da forma como foi lançado, o Google+ pode atrair apenas os entusiastas da comunicação digital, os heavy users, e não o usuário menos cultivado. A sina dessa trajetória é previsível: burburinho inicial e decorracada logo em seguida.
O Google perde também por não investir mais no mobile. Serviços como o Instagram mostram que há demanda para redes sociais com base em dispositivos móveis. Mas o Instagram é focado no compartilhamento de fotos. O Google+ poderia ser a rede social mais generalista. E o Google tem cartucho para isso. Seu sistema operacional móvel, o Android, cresce vigorosamente.
Outra oportunidade perdida é que o serviço poderia servir para alavancar ferramentas não muito utilizadas do Google, como o Latitude. O Google Wave também teria espaço aqui. Pode não ser um serviço para todos, mas seria ótimo num circle com meus contatos de trabalho, por exemplo. Ou num projeto específico (afinal, não posso criar meus círculos?).
Os serviços da empresa seriam lançados já integrados ao Google+, e não isoladamente. Por sinal, é o que o Facebook faz, cada vez mais lançando serviços para serem usados por sua comunidade. Muitos são “inspirados” em outras ferramentas digitais. Se os recursos adicionais não fizerem sucesso, sem problemas, porque o Facebook também dialoga com outros serviços: Foursquare, Twitter… Espero que, quando for lançado oficialmente, essa seja a estratégia a ser implementada no Google+, como indica o comentado novo posicionamento do Blogger e do Picasa. Aliás, seria a oportunidade ideal para dar nova roupagem para ferramentas já consolidadas: Por que não transformar o Picasa no Instagram do Google? Se liberar a API dos serviços para programadores, as possibilidades são infinitas. Já pensou nos mashups que poderiam unir os vários serviços?
Embora possa servir para muitos fins, é importante não limitar as opções do usuário. Os serviços teriam integração, mas poderiam ser usados separadamente. Nem todos se interessam por tantas possibilidades. Ademais, certas pessoas procuram serviços baseados em interesses específicos, e não em todas as experiências possíveis e imagináveis. O Yahoo recebeu muitas críticas quanto disponibilizou vídeos no Flickr, até então um serviço de compartilhamento de fotos.
Claro, não estamos falando de um produto “fechado”. Todavia, existe uma grande diferença entre um produto em versão beta e outro lançado sem norte, que soa como um rascunho inacabado e indefinido. Pior: em muitos casos as empresas de comunicação digital gastam suas forças dizendo o que o serviço não representa, e pouco mostrando seu objetivo inicial com o lançamento. Isso é importante, até para guiar o uso, ou mesmo alimentar a criatividade do usuário. Um dos comentários mais comuns dos usuários que entravam no Google Wave era perguntar para que ele servia. E se a própria empresa não consegue explicar o conceito do serviço…
Em suma, o Google+ poderia ser um agregador de serviços, com uma camada social. Uma espécie de carteria digital multiplataforma. Ao invés de criar mais um site para o visitante transformar em hábito corriqueiro de uso, o Google+ representaria o inverso: reduziria o número de serviços que o internauta precisa manter. Já imaginou um aplicativo para Android com todas essas possibilidades? Um app com embalagem atraente, oferecendo tudo num só lugar, de Google Voice a Google Maps. E com customização: é possível escolher o que quer utilizar.
O Google já tem os serviços. Uns mais populares, outros nem tanto. O principal é que já possui uma gama de ferramentas que contempla a vida conectada das pessoas. A empresa tem um canivete suíço digital. Só falta juntar as peças.
![CD [por Charles Cadé]](http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/uploads/logo/CDLogo02.png&w=&h=)






