Quando as empresas de comunicação não ultrapassam suas próprias paredes
Estudo revela algo já percebido há algum tempo: empresas de comunicação usam o o Twitter quase exclusivamente como forma de distribuição de conteúdo próprio. De acordo com o Pew Research Center, o diálogo com os leitores é mínimo. Na pesquisa, avaliaram 3.646 tuítes de 13 grandes publicações, entre contas corporativas e perfis de jornalistas.
93% dos tuítes traziam links para o site da própria empresa. Apenas 2% das mensagens pediam informações do público, como opiniões ou relatos de acontecimentos. Só 1% correspondia a retuítes de atualizações de fora da empresa.
(Mesmo a atualização desses espaços pode ser mais eficiente. Não sei se as empresas escolhem os melhores momentos de propagar seu material, utilizando ferramentas como Buffer App e Timely, que analisam o comportamento dos seus seguidores para agendar os tuítes para horários que aumentam o índice de retuítes. A maioria ainda vai de Tweetdeck e Hootsuite.)
Para muitos, engajamento não é diálogo, mas sim número de respostas, como retuítes e likes no Facebook. E como ir além disso? O gerente de comunidades Steve Buttry listou algumas dicas para transformar o Twitter num espaço propício para a conversação.
Infelizmente, a questão é mais ampla que isso. Quando manuais de redação e conduta das mídias sociais surgem, geralmente o debate aponta para uma espécie de etiqueta virtual. Centram no que se deve evitar, e esquecem de indicar boas práticas de utilização desses espaços.
Iniciativas inovadoras como a do Guardian, que passou a revelar suas pautas, são raras. Na maioria das vezes, há uma distinção entre palco e plateia. Ademais, a informação não flui. Posturas como a da BBC, que lançou um texto recentimente sobre como ela gerencia sua política de links externos, tampouco são comuns.
Quando ouvidas pela imprensa, pessoas muitas vezes são citadas como “perfil no Twitter”. Pode ser pior: usar apenas citações de famosos. E quando vídeos online são exibidos na TV indicando um impreciso “fonte: internet”?
Não é algo simples de mudar, entretanto. Exige equipe ampla e mudança cultural. Eu mesmo não sou tão presente quanto gostaria. De toda forma, é importante ir além da visão da internet apenas como um espaço para propagar mais conteúdo. Na mídia social, o aspecto mídia ainda prevalece.
![CD [por Charles Cadé]](http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/uploads/logo/cd.jpg&w=&h=)





