Os filmes de 2011
Mais um mashup recaptula os lançamentos desse ano. São ótimas edições, mas sinto falta de um vídeo desses com um olhar mais amplo, para além dos filmes norte-americanos.
Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge: campanha viral
O barulho oficial já começou. O filme estreia, no Brasil, dia 27 de julho de 2012.
Amor e cinema: nessa relação, o final feliz nem sempre é garantido
Em 2011, alguns filmes românticos me decepcionaram. O que parecia ser um sopro de novidade, como Sexo Sem Compromisso (No Strings Attached, 2011) e Amizade Colorida (Friends with Benefits, 2011), se perdeu nos clichês de sempre. No máximo, são filmes irregulares: boas tiradas convivem com momentos sem graça.
(Veja também: 2011, eu te amo – as melhores histórias de amor do cinema nesse ano)
Não que isso seja propriamente novo. Valia mais como “veneno anti-monotonia” nesses tempos caretas. Aliás, todo relacionamento, se bem-sucedido, deve culminar em casamento? O passo seguinte é ter filhos? O que conta é a intensidade ou a duração da relação? Muitos filmes questionaram isso ao adicionar um novo elemento: Three of Hearts (1993), Três Formas de Amar (Threesome, 1994) e Os Sonhadores (The Dreamers, 2003) são exemplos recentes. São triângulos amorosos verdadeiros: ninguém fica de fora. Muito antes, Jules e Jim – Uma Mulher para Dois (1962) já havia feito história. Nove anos depois, o mesmo diretor, François Truffaut, adaptaria outra livro de Henri-Pierre Roché para a tela grande: As Duas Inglesas e o Amor (Les deux Anglaises et le continent, 1971). Mais um triângulo amoroso.
Grande parte dos filmes românticos é assexuado, pudico. Em Maridos E Esposas (Husbands and Wives, 1992), de Woody Allen, um casal brinca com o fato do sexo no casamento permanecer um tabu. Dessa forma, uma parte importante do relacionamento é negligenciada. Quando aparece, soa tão afetado quanto uma transa idealizada por uma adolescente que suspira por seu ídolo pop.
Grande parte desses filmes apresenta apenas a vida sentimental dos personagens, esquecendo de falar de outros componentes da relação, como a vida sexual e financeira. Nos filmes românticos, o cartão de crédito não tem limites. Assim, fica fácil se entregar ao amor: nossas escolhas não representam renúncias, só novas possibilidades de prazer.
Pode ser pior: mostrar o sexo como algo proibido, “pecaminoso” ou misturado a violência. Você pode até gozar, mas apenas fora do casamento. E o preço a se pagar é alto. Infidelidade (Unfaithful, 2002) e Atração Fatal (Fatal Attraction, 1987) tem tudo isso. Curiosamente, são do mesmo diretor, Adrian Lyne, o mesmo de Lolita (versão 1997), Proposta Indecente e 9 1/2 Semanas de Amor.
O mesmo vale para Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love, 2011), a comédia romântica de maior sucesso do verão norte-americano nesse ano. O ingresso se paga pela presença luminosa de Emma Stone. Ryan Gosling também se destaca, fazendo um papel mais leve do que de costume.
De toda forma, opte por outro filme de Steve Carell, Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (Dan in Real Life, 2007), no qual ele faz, basicamente, o mesmo papel. E o resultado é muito superior.
[Uma alternativa a Steve Carrel é Corações Apaixonados (Playing by Heart, 1998), belo filme sobre desencontros amorosos. Com Angelina Jolie, extremamente bela, ainda em começo de carreira.]***
O problema que tenho com Amor a Toda Prova vai além da idealização dos afetos. É a mesma falha encontrada em várias comédias românticas norte-americanas: são tão voltadas para as espectadoras que, paradoxalmente, a personagem feminina é esquecida. Ela não importa, só o que almeja. Geralmente um homem imperfeito, que precisa ser consertado para conquistar seu amor. Ele é a força motriz do filme, que terá de fazer uma grande declaração pública de amor, um pedido de desculpas espalhafatoso e por aí vai… Apenas a promessa de amor já serve, como se fosse possível ser feliz sem ação.
Amor a Toda Prova é bastante curioso: Carell, um certinho e dedicado marido, é traído por sua mulher. Mas cabe a ele valorizá-la, correr atrás… No mínimo, deveria ser um esforço conjunto. De toda forma, não acho que seria justo. A personagem de Julianne Moore é mostrada sem atrativos. Talvez Carell a persiga não pelos atributos dela, mas para evitar a solidão.
Quem sabe não seja falta de criatividade, mas sim apego às fórmulas. É difícil abandonar antigos hábitos. A culpa é dos cineastas e do público, que sempre quer mais do mesmo. [spoiler] Em Separados pelo Casamento (The Break-Up, 2006), o casal de opostos vivido por Vince Vaughn e Jennifer Aniston termina separado, mas há uma sugestão de reconciliação. É preciso manter a esperança da plateia. Esse é um final alterado; o original, que foi rejeitado por testes de audiência, mostrava os dois já devidamente acompanhados. E os novos parceiros são iguais aos que foram descartados. [final do spoiler]
Carell, apesar de ter de passar pela mesma provação que os homens são submetidos nesse tipo de filme, é exceção. A maioria deles são cretinos que, lá no fundo, são maravilhosos, românticos… Isso na visão delas. Seria até válido questionar essas mulheres apaixonadas da tela se elas realmente existissem. Mas não, você nem as conhece. Soa como uma anúncio sentimental ultrasincero e repelente: mulher solteira, sonhadora e atolada no trabalho, que já sofreu muito (na labuta, não é reconhecida; nas relações amorosas, sempre se deu mal) procura…
Talvez elas sejam ocas porque são customizáveis: preencha esse personagem com a sua vida. Não há muitos dados sobre o que há na tela para facilitar sua transposição para a realidade do filme. Seu drama pessoal e sua visão idealizada do amor vão se encaixar. E, depois de tantas desiluções, você poderá viver uma grande história de amor. Pelo menos por algumas horas.
[Filmes como Sintonia de Amor (Sleepless in Seattle, 1993), no qual Meg Ryan tem uma boa profissão, amizades sólidas, já está num relacionamento -chato, mas não nociso; ou seja, tem algo a perder ao procurar outro parceiro- e mira Tom Hanks de maneira afetuosa e com admiração, são raros].Ora, esse tipo de filme enaltece a relação, mas esquece dos personagens. E ninguém se relaciona com o relacionamento, mas sim com o outro. Gosto tanto de você que quero ter um relacionamento contigo. Quando mais especial for, mais quero ampliar nossos laços.
O problema é que muitos filmes são voltados para solitários ou para os desiludidos. Na prática, já desistiram do amor. São pessoas carentes, nada atraentes. Mas no campo dos sonhos, o amor ainda pulsa. Em Reality Bites (1994) Ethan Hawke consola uma desiludida Winona Ryder. Ela acredita que, aos 20 e poucos anos, já teria vitórias no currículo. Hawke diz que, nessa idade, a única coisa que ela precisa é saber quem é. Pois é. Na prática, almejamos o outro, sem saber muito bem quem somos.
Aí, a equação é inversa: há muito tempo almejo um relacionamento. Há uma vaga a ser preenchida aqui. E o processo de seleção é frouxo, como um banco que faz empréstimos sem analisar os riscos ou mesmo desconhece o que está financiando. Mas eu preciso de alguém. Urgentemente.
A conta não fecha: não se trata apenas de ocupar espaço, o vazio é sentimental. O problema surge depois: não era esse o modelo que eu queria. Como devolver não é uma opção para mim (posso ficar novamente sem nada), preciso mudá-lo para atender minhas espectativas. Que, de antemão, nem eu, tampouco ele, conheciam.
Mesmo nas comédias românticas mais delicadas, como Atraídos Pelo Destino (It Could Happen to You, 1994), há essa necessidade de ser resgatado pelo outro. É sempre difícil amar: encontrei a pessoa certa, mas ela não está disponível.
Quando surge o final feliz, o resultado soa forçado, deslocado. Ou então os últimos momentos do filme servem para cortar o barato dos corações apaixonados: prepare o lenço, pois um dos amantes vai embora. Alguns, definitivamente.
A tradição dos amores impossíveis é anterior ao cinema. Na literatura, as grandes histórias de amor são assim. Muitos desses textos foram adaptados para o cinema, inclusive. Entretanto, o que os romances cinematográficos -que apostam no antagonismo entre os afetos de homens e mulheres- fazem é o usar o sentimento como um jogo de poder, um acerto de contas.
Felizmente, o cenário é diferente em muitos filmes românticos recentes: Os Nomes do Amor, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004), Os Agentes do Destino, Toda Forma de Amor etc. Neles, o olhar que predomina é o do homem romântico. Em Blue Valentine, Dean até questiona sobre o que homens e mulheres procuram no parceiro.
As mulheres amadas por eles são luminosas, cheias de vida, engraçadas, espontâneas, boas na cama… Enfim, são realmente apaixonantes. São tão boas que inspiram: sou destemido e mais feliz quando estou ao seu lado. Claro, é outra idealização, mas pelo menos é mais generoso. Ademais, temos contato com outras sensibilidades. Se é bom ou ruim, a escolha é de cada um. Mas pelo menos somos apresentados a possibilidades diversas.
[Mulheres geralmente reclamam que o ímpeto romântico dos homens acaba com o tempo. Com o passar dos anos, eles se acomodam. Ficam barrigudos e pouco atenciosos. Por outro lado... Essa crítica cabe apenas aos homens? Não seria algo a ser analisado individualmente, para além de gêneros? Quem toma discutir a relação como prática para apenas destilar seu descontentamento transforma a iniciativa de cobrar primeiro num escudo para não ser questionada. Já vi tantos casais brigando em público, pelos mais tolos dos motivos. É uma relação degastada. Mas ambos utilizam, automaticamente, apelidos carinhosos. É a força do hábito, mesmo motivo que justifica a continuação da relação. Qualquer coisa é melhor que a solidão para quem não suporta a própria companhia]Os homens apaixonados do cinema pregam que querem ficar com essa nova parceira, apesar das imperfeições dela: não é que elas não existam; suas qualidades são muito maiores do que seus tropeços. Quando olho para você, vejo o todo, mas valorizo o que merece ser elevado. Cobro a minha mudança: quero ser melhor para você. Nesse processo, me transformo. Você também evolui, até porque surgem novos desafios. Com isso, criamos, juntamente, algo único. Só nosso.
***
Um plano para procurar afetos? No maravilhoso Antes do amanhecer (Before Sunrise, 1995), há o básico: duas pessoas conversando. Eles estão se conhecendo e se maravilhando com o que encontram. São criativos, é claro, todo mundo quer mostrar o melhor de si, mas sem jogos: é difícil sustentar máscaras. O filme, que já ganhou uma continuação, o genial Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 2004), pode receber nova sequência.
Nas belas histórias de amor, é difícil dizer adeus a quem se ama. Resta saber se vale a pena continuar. Jesse e Celine, essa dúvida não é apenas de vocês.
Atualização: 11/12/2011. Texto alterado em verde.
Cowbird, uma plataforma colaborativa de storytelling
O objetivo do site é explicar os acontecimentos que moldam o mundo de hoje: terremoto no Japão, Guerra no Iraque… Para isso, precisa de sua ajuda. Você cria um diário da sua vida, no qual publica fotografias. Esse mosaico de imagens ajuda a narrar os grandes eventos da humanidade.
A primeira “saga” do site conta a trajetória do movimento Occupy Wall Street.
No curto prazo, o Cowbird almeja criar uma nova forma de jornalismo participativo, baseada nas vozes individuais de quem participa dos grandes eventos. Com o tempo, quer construir uma biblioteca pública da experiência humana.
2011, eu te amo: as melhores histórias de amor do cinema nesse ano
Dezembro é época de avaliar os melhores lançamentos do ano. Resolvi fazer isso com afeto: uma lista dos filmes românticos que fizeram barulho no mundo em 2011, sejam comédias ou dramas. Usei a data de estreia no respectivo país, e não necessariamente quando o filme chegou no Brasil. Alguns ainda nem ganharam lançamento nacional, outros apareceram apenas em mostras especiais.
Entretanto… O amor rejeita fórmulas. Aquela “pessoa” se torna especial por justamente se destacar na multidão. Por isso, essa lista começa com uma exceção. Eis Os Nomes do Amor (Le nom des gens), deliciosa comédia romântica francesa lançada em… 2010. O filme aposta na atração dos opostos: o certinho Arthur Martin e a voluptuosa Bahia Benmahmoud (a bela Sara Forestie), ativista que leva a sério a máxima “Faça amor, não faça guerra”. Ela tem uma forma diferente de converter conservadores em militantes da esquerda: transa com eles. Benmahmoud acredita que a discussão não surte efeito, sendo o sexo mais eficiente. Isso começa a mudar quando ela conhece Martin.
O filme tem ótimas sacadas. O jovem Martin muitas vezes vem orientar sua versão adulta. Ao olhar para sua história, Martin não consegue imaginar seu pai jovem. Como resultado, ao narrar como seus pais se conheceram, sua mãe surge jovem, já seu pai aparece como um idoso. Num determinado momento, os jovens Martin e Benmahmoud revelam intimidares que seus pares adultos não são capazes de compartilhar. Há outras belas cenas, como quando Benmahmoud conhece os pais de Martin.
Os Nomes do Amor aborda temas difíceis, como a questão da identidade (ela é descendente de argelinos; ele, judeu), política e traumas pessoais, de forma leve. Apaixonante.
Depois dessa introdução atípica, chegamos a 2011. Foi um ano especial: a excursão cinematográfica de Woody Allen pela Europa chegou a Paris, a cidade do amor. Os norte-americanos, enfim, se apaixonaram pelo diretor: Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011) faturou quase 60 milhões de dólares nos EUA, um feito e tanto na carreira de Allen.
No filme mais recente de Allen, um jovem escritor (Owen Wilson), desiludido com os rumos da sua vida, encontra no passado a inspiração para o seu trabalho. De quebra, se apaixona.
Se Allen mostrou Londres cinza na maior parte do tempo (O Sonho de Cassandra e Ponto Final – Match Point), e se na Espanha o amor surgiu intenso e tresloucado (Vicky Cristina Barcelona), em Meia-Noite em Paris o afeto é delicado e nada neurótico. Lembra o tom de outras belas criações do cineasta, como Manhattan e A Rosa Púrpura do Cairo.
É, 2011, até a ficção científica se apaixonou nesse ano. Filmes como Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau, 2011), sobre um casal “destinado” a ficar junto e que luta para manter a relação, o divertido O Homem do Futuro (2011), no qual Wagner Moura interpreta um cientista que investiga o amor, e Contra o Tempo (Source Code, 2011) mostram o peso do afeto no rumo das nossas decisões. Para mim, esse último é o melhor, por sintetizar a importância da “pessoa certa” e a relevância da convivência. Afinal, esse ser especial tem o poder de justamente elevar o cotidiano, criar momentos especiais.
- What would you do if you knew you had less than 8 minutes to live?
- I don’t know… I would make those seconds count.
Contra o Tempo (Source Code)
Outra ótima opção é Toda Forma de Amor (Beginners, 2011). Nele, Ewan McGregor vive um designer que, ao mesmo tempo que lida com a memória do falecido pai, inicia uma nova história de amor. O filme foca o início das relações: a curiosidade e o deslumbre com o outro, os afetos e as rotinas criadas, a dificuldade em partilhar segredos… O presente é permeado pela história recente de seu pai (Christopher Plummer) que, após a morte de sua esposa, resolve sair do armário.
(Falando nisso… O O Segredo de Brokeback Mountain desse ano seria Weekend, filme que tem recebido ótimas resenhas)
Se alguns filmes fazem graça com o amor -os meus preferidos-, outros se revelam, no mínimo, agridoces. É o caso de Like Crazy (2011). Nele, um casal de universitários começa uma relação onde tudo vai bem até que… ela precisa voltar para a Inglaterra, sua terra natal, antes que seu visto expire. O que parecia certeza vira dúvida: é possível manter uma relação à distância? A intimidade resiste à falta de contato físico? Relacionamento aberto faz sentido quando se quer ficar apenas com uma única pessoa? Do lado do espectador, as dúvidas se fazem presente: estamos vendo o desenrolar de um relacionamento, ou testemunhando o início de seu fim?
Se em Like Crazy há pelo menos o benefício da dúvida, o saldo de Blue Valentine (2011) é mais doloroso. Não se trata mais do amor no começo da vida adulta. Já há filho (transformado em âncora de uma relação à deriva), carreiras interrompidas…
É possível ver o “saldo” do amor do casal Dean-Cindy (Ryan Gosling e Michelle Williams, extraordinários), as consequências das escolhas feitas em nome da relação. Acompanhamos o presente, mas flashbacks nos apresentam o início dessa história. Se em vários momentos vemos o casal persistindo, essa visita ao passado nos permite saber quais são os alicerces dessa história. A união, num primeiro momento, fazia sentido?
A jovem Cindy já desconfiava do amor. Ao analisar a história de seus pais, cuja relação se deteriora, ela questiona se é possível confiar nos nossos sentimentos, já que sabemos que elem podem mudar. No Brasil, o filme ganhou o título tolo de Namorados Para Sempre. Quem sabe seja irônico.
(Algum chato pode dizer que Blue Valentine foi lançado no ano passado. Mas o filme estreou para valer, nos EUA, apenas no dia 07 de janeiro desse ano. Antes foi jogado num circuito menor para poder participar do Oscar em 2011, já que a Academia só permite que filmes lançados no ano anterior concorram ao prêmio)
Somos adultos, mas inseguros como crianças. Que tal, então, ter contato com outras sensibilidades? Vale optar por O Amor não tem Fim (Late Bloomers, 2011), um filme sobre amor maduro. Direção de Julie Gavras, a mesma de A Culpa é do Fidel (2006). Tinha Que Ser Você (Last Chance Harvey, 2008), é outra ótima pedida no mesmo estilo. Afinal, o amor não é uma prerrogativa apenas dos jovens.
Meu estilo preferido de amor cinematográfico aponta para Noivo Neurótico, Noiva Nervosa; Harry e Sally – Feitos um para o Outro; O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e (500) Dias com Ela. Mas se é daqueles que prefem filmes carregados… De chorar mesmo é o Love Likes Coincidences (Ask Tesadüfleri Sever, 2011), um drama turco sobre duas pessoas que nasceram no mesmo dia. Seus caminhos se cruzam várias vezes. Depois de longo hiato, voltam a se rever aos 25 anos. Mas aí ela está presa num relacionamento sério, ele tem problemas de saúde… Aí… prepare o lenço.
Há mais: o belo e sofrido Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go, 2010) parece ter retomado a ideia de romance “distópico” na tela, cujo marco é Alphaville (1965), filme de Jean-Luc Godard que mostra uma sociedade controlada que coíbe o amor. Ewan McGregor, dessa vez como chef, se apaixona pela cientista Eva Green em Sentidos do Amor (Perfect Sense, 2011). Infelizmente, o período não é dos melhores. Uma epidemia começa a roubar as percepções sensoriais das pessoas.
Em Another Earth (2011), um planeta semelhante à Terra se aproxima de nós. Mirar a Terra 2 pode ser a saída para algumas pessoas, que tentam reconstruir suas vidas -e viver novas histórias de amor- após grave acidente.
E Um Dia (One day, 2011), que estreou recentemente no Brasil? “Charles, até que enfim, um bom filme normal”. Ora pai, era tudo que não deveria ser: um filme comum. Mas sua avaliação está correta: a adaptação para o cinema de um dos melhores livros que já li não chega perto da obra original. Não é ruim, mas a versão em papel é infinitamente superior. Tudo soa apressado na tela grande. Dexter e Emma é uma história de desencontros, mas também de apoio mútuo e afetos não revelados. O filme perde essas nuances. Não sabemos a real importância que cada um exerce na vida do outro. Não sabemos nem o fator de atração dos personagens: afinal, por que são vistos como especiais?
***
Só teve esses filmes? Pode sugerir outros títulos aí nos comentários. Se me lembrar, também atualizo com outras dicas. De toda forma, o ano ainda não acabou. Ainda serão lançados We Bought a Zoo (2011), de Cameron Crowe (dos queridos Vida de Solteiro e Jerry Maguire); Noite de Ano Novo (New Year’s Eve, 2011), mais um filme de Garry Marshall (Idas e Vindas do Amor e Uma Linda Mulher) que segue a receita de sucesso de Simplesmente Amor (Love Actually, 2003), no qual vários casais (e solteiros) dividem a tela (é a mesma premissa do nada romântico Short Cuts – Cenas da Vida); Young Adult (2011), da mesma dupla criativa (diretor e roteirista) de Juno…
Para 2012, já estou esperando The Five-Year Engagement, cujo roteiro é de Jason Segel, o ótimo comediante que também assina o texto e atua no divertidíssimo Ressaca de Amor (Forgetting Sarah Marshall, 2008).
***
Houve também tropeços. Esse papo continua noutro post.
Atualização: 11/12/2011. Texto alterado em verde.
Pêra, uva, maçã ou salada mista: amor, paixão e amizade
O amor aparece como um sentimento amplo e difícil de ser definido. É diferente da paixão, inicial e provisória, que se transforma em amor ou acaba.
[...] é impossível manter um estado permanente de paixão, por dois motivos: ela não resiste ao cotidiano e sua irracionalidade é insuportável.
Quando não acaba como fogo de palha, a paixão se transforma em algo mais tranquilo: o amor. Já esse, para durar, deve conter resíduos da paixão inicial ou corre o risco de se transformar em outro sentimento: a amizade.
O casamento deve combinar os três sentimentos: uma grande dose de amor com pitadas de paixão e amizade.
É preciso ter cuidado para não desequilibrar essas porções, já que uma grande dose de amizade poderia destruir o desejo sexual.
[...] Se a paixão é insuportável por sua imprevisibilidade e sua loucura, o perigo da amizade está na racionalidade e na rotina. Um equilíbrio complicado é necessário para que uma e outra estejam presentes no casamento, mas que não sejam mais fortes do que o sentimento de amor.
A paixão é associada ao excesso de sexo. A amizade é relacionada à falta dele.
O sexo deve ser frequente e agradável, mas mais controlado do que na paixão. O casal deve estar atento para não deixá-lo cair na rotina e na burocracia, fantasma que ameaça os relacionamentos.
[...]A paixão, mais irracional, deve ser domada, mas não pode ser excluída do casamento. Uma dose controlada de insegurança e de incerteza sobre a posse do outro é considerada necessária para alimentar o desejo sexual.
Mirian Goldenberg, antropóloga
Stars – Dead Hearts
A trilha do final do amor. Do filme Like Crazy.
Tell me everything that happened,
Tell me everything you saw.
They had lights inside their eyes…
They had lights inside their eyes…
Did you see the closing window,
Did you hear the slamming door?
They moved forward and my heart died…
They moved forward and my heart died…
Please, please tell me what they looked like,
Did they seem afraid of you?
They were kids that I once knew…
They were kids that I once knew…
I can say it, but you won’t you believe me.
You say you do, but you don’t deceive me.
It’s hard to know they’re out there,
It’s hard to know that you still care.
I can say it, but you won’t you believe me.
You say you do, but you don’t deceive me.
Dead hearts are everywhere!
Dead hearts are everywhere!
![CD [por Charles Cadé]](http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/uploads/logo/cd.jpg&w=&h=)






