A narrativa transmídia

“Se você analisar historicamente, não existe mídia morta. Há tecnologias que ficam velhas, mas não mídia morta. Veja o som gravado, por exemplo. Nós partimos do cilindro de cera rumo aos arquivos de MP3, mas desde que o som começou a ser gravado, ele segue sobrevivendo. O teatro não foi superado pelo cinema, como o cinema não foi ultrapassado pela televisão, da mesma forma como a TV também não vai ser banida pelo digital. Todos ainda estão lá. O que estamos vendo é o acréscimo de camadas na paisagem midiática e assim ocorrem mudanças nas relações entre essas camadas. E da mesma forma a estrutura da indústria tem mudado: o rádio já teve um papel central na sociedade, mas hoje ele vem sendo posto de lado, como o teatro já foi um dos principais temas da mídia e hoje é literalmente um nicho. Isso não quer dizer que a TV irá acabar. Por mais que as pessoas se divirtam ou usem o computador para uma série de coisas, a TV faz coisas que nenhuma outra mídia faz e isso vale para todas as mídias. O que muda é a importância delas para a sociedade”


Henry Jenkins,  escritor, pesquisador e diretor do programa de mídia comparativa no M.I.T. O caderno Link, do jornal Estado de São Paulo, traz um especial sobre como a cultura digital tornou possível o surgimento de uma nova modalidade de  ficção: a ‘narrativa transmídia’.

O termo, criado por Jenkins, refere-se a estórias que são contatas através de diferentes plataformas (sites, celulares, redes sociais, games, aplicativos e blogs), expandindo muitas vezes universos criados em livros, filmes, histórias em quadrinhos e programas de TV. Não só: pode se interligar com a criação original. Fan fictions (fanfics; criações de fãs baseadas em tramas alheias) e ARGs (jogos de realidade alternativa, em inglês) são alguns exemplos.

A estratégia de divulgação do filme Watchmen, que estréia amanhã, contou com inúmeras iniciativas baseadas na narrativa transmídia.

Foto via Flickr de deneyterrio