A psicologia dos mercados
Já fazia tempo que se acumulavam evidências de que a economia americana vai de mal a pior. E todo mundo sabia que a Europa tinha um problema de dívida. Por que, então, todas essas loucas oscilações?
Uma possível resposta vem, quem diria, da psicologia e da neurociência. Nos últimos anos, um campo de estudos chamado de neurofinanças tem tentado usar a ciência cerebral para explicar como nossos circuitos primitivos podem atropelar a nossa razão quando se trata de investir.
[…] Denise Shull, fundadora da Trader Psyches, que presta consultoria de estratégias de neurociência a fundos e investidores, diz que muitos investidores estão usando o pânico de 2008 como novo ponto de referência. Depois de tanta gente ter perdido tanto dinheiro, muitos investidores já não hesitam em vender no primeiro sinal de problemas, diz ela.
Do NY Times (via Folha). Curiosamente, a mídia segue o mesmo rumo, tratando o setor financeiro como alguém que sofre dos nervos. Não raro, notícias apontam que é necessário “tranquilizar” os mercados. Os investidores? São pessoas inseguras, que emitem sinais ambiguos e cujo “pessimismo” deve ser aplacado com medidas severas do governo. Mas esses são sempre “vascilantes”, o que compromete o restabelecimento da “confiança” na economia.
Esse é apenas um lado da moeda. O excepcional documentário Trabalho Interno (Inside Job, 2010), que investigou a crise de 2008, tentou pintar o cenário todo. A desregulamentaçãoo do mercado financeiro foi um dos fatores determinantes. É a velha falácia da autoregulamentação.
Pouco mudou. As agências especializadas em classificação de risco de crédito, que erraram feito nas suas avaliações em 2008, ainda conseguem criar alvoroço por ter jogado para baixo a avaliação de risco dos EUA. Do jeito que as coisas vão, deve pintar um Trabalho Interno 2.
Trabalho Interno – trailer
