A vida como ela é (em versão editada): Na Captura dos Friedmans, Prisioneiro da Grade de Ferro e o cinema de Eduardo Coutinho
Sempre tive um interesse peculiar por documentários. Para mim, assim como um fato do cotidiano pode ser mais engraçado que uma piada, algo real é mais pungente que o drama ficcional. E um dos melhores documentários que vi foi “Na Captura dos Friedmans” (Capturing the Friedmans, EUA, 2003). O filme foi vencedor do Grande Prêmio do Júri no Sundance Film Festival/2003 e foi indicado ao Oscar.
Narra um caso ruidoso dos EUA. Conta a estória de Arnold Friedman e seu filho Jesse, de 18 anos. Em 1987, na cidade de Long Island, eles foram acusados de estupro e sodomia por alguns meninos que tinham aulas de computação com eles. Aliás, na casa dos acusados.
A história é polêmica, o que já desperta o interesse (afinal, o tema é bastante atual em tempos de internet). Há também o aspecto do filme levantar certas dúvidas sobre o julgamento. Não que queira inocentar os acusados, mas tenta ouvir os dois lados. Algo difícil de ocorrer no calor das idéias (ou das acusações, no caso).
Mas o grande achado do filme é que a própria família filmou a sua degradação, as brigas depois do caso vir a público. Aliás, a família sempre filmou tudo: reuniões familiares, fragmentos do cotidiano etc. Esse é o “sonho” de todo documentarista: ter tantas imagens à disposição, o que faz com que o filme não precise de tantos depoimentos ou recorra a dramatizações dos fatos. “Ai do acaso se não ficar do meu lado“ (Paulo Leminski).
Tudo está lá: as brigas, as tentativas de continuar a rotina diária… O crime que eles cometeram – ou podem ter cometido – é simplesmente perturbador. Ver a destruição dessa família é bastante dolorido. Até porque a “pena” não atinge só os culpados.
O filme já foi lançado em DVD.
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Falando em documentários… O Brasil está com uma safra muito boa de filmes. Ou os filmes de períodos anteriores também eram bons, só não tinham tanta divulgação. Enfim. Vem aí “Entreatos”, de João Moreira Salles, sobre a última campanha de Lula à Presidência e “Peões”, de Eduardo Coutinho, sobre metalúrgicos do ABC que viveram as históricas greves de 1979 e 1980, quando Luiz Inácio Lula da Silva despontou como líder nacional.
Aliás, Eduardo Coutinho (de “Santo forte”, “Babilônia 2000”, “Edifício Master” e “Cabra marcado para morrer”) é um dos grandes documentaristas do país. Eis o que ele falou sobre o assunto: “O que eu não gosto das figuras públicas é que essas pessoas têm muito a perder. As pessoas que têm muito a perder têm que zelar pelo seu discurso. As pessoas comuns, não. Isso é essencial para a minha forma de fazer documentário”.
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“Prisioneiro da Grade de Ferro” também tinha tudo para ser um grande documentário. Os realizadores do projeto deram aos detentos do extinto presídio do Carandiru uma câmera para que registrassem como era a vida atrás das grades. Só que o filme sofre com uma edição não muito boa. O começo é muito lento e as melhores estórias ficam para a metade final. O bom é que os cineastas guardaram todo o material filmado, para que outros possam pesquisar sobre o assunto.
Não que seja um fime ruim. Há cenas fortes, como os ratos, o local onde os presos dormem, o pai de santo, as fotos dos presos mortos por outros presos… Em suma: é perturbador.
O filme já foi lançado em DVD.
![CD [por Charles Cadé]](http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/uploads/logo/CDLogo02.png&w=&h=)
Os novos caminhos do documentário « C2
Apr 28, 2010 @ 10:01:37
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