Antídoto contra a TV Porcaria
“Tem uma compulsão pela realidade, com “Big Brother”, realities, blogs, YouTube. E o atrativo é: isso re-al-men-te está acontecendo. Tudo bem. A “TV portaria” está realmente acontecendo. O cara está realmente chegando com a pizza, está realmente entregando a pizza. E daí? Qual é o valor dramatúrgico disso? O que eu aprendo? É quase que um voyeurismo, e eu acho que a poesia é outra coisa”
Jorge Furtado, cineasta (Ilha das Flores, O Homem que Copiava, Saneamento Básico etc.). Sua nova empreitada na TV é a série Decamerão, que em dezembro do ano passado foi exibida como especial de fim de ano na Globo.
“O tipo de televisão que eu faço é para prestar atenção. Cada plano é pensado. A gente não só escreveu o roteiro inteiro já marcando as cenas, como depois ensaiou com os atores [num hotel do Rio de Janeiro, em abril], decupou o roteiro, plano por plano, desenhando story-board e tudo. Isso faz diferença no resultado, porque não tem nada gratuito. Na televisão, é muito comum ver algo que vai do plano aberto para o close e, de novo, do plano aberto para o close. É um negócio que não tem muito sentido em termos narrativos, mas que é usado para dar ritmo”, opina Furtado.
Frase
“Jamais réel et toujours vrai”, Rimbaud [Nunca real e sempre verdadeiro].
