Aprendizado contínuo

O jornalista e pesquisador Reges Schwaab me convidou para participar de um projeto do blog dele.  A ideia é abordar “Como você estuda?“. Segue o texto que mandei para ele.

Comecemos pelos livros. Busco sempre diversificar o que leio. Por mês, procuro mesclar livros técnicos com obras de ficção, sobre os mais diversos assuntos. Aprendo MUITO com isso. Livros aguçam minha criatividade. Ademais, muitas vezes oferecem sínteses, experiências de vidas em poucas páginas. Não me refiro aos “didáticos”, que querem oferecer fórmulas prontas, sem pensar no contexto de sua implementação.

A idéia da multidisciplinaridade não se restringe apenas aos livros. Na verdade, busco manter uma “dieta cultural” que envolva música, cinema, games, hq etc. Com o tempo, os laços entre essas diferentes disciplinas surgem, o que só enriquece minha bagagem intelectual, bem como cria novos desdobramentos para os projetos com os quais me envolvo.

Diariamente, no horário comercial, leio as últimas notícias (hard news) sobre os temas que despertam meu interesse (profissional e pessoal). Os textos mais longos ficam para o final do dia ou para os fins de semana. Durante a noite leio livros/revistas, assisto filmes e séries…  Não me restrinjo apenas a textos e obras culturais nacionais. Mesmo as estrangeiras, convém ir além. Tento “cavar mais fundo”, procurar o que não é óbvio. Isso me leva para ótimos destinos. Eu vivo no mundo, não apenas na minha residência.

Nos fins de semana, procuro não apenas absorver as informações mas também transformá-las em projetos, aplicar o que aprendi. Isso também me ensina muito, assim como o contato com outros profissionais, tentar manter laços (on e off line).

Guardo o conteúdo que acho mais interessante (em arquivo digital). Também mantenho um moleskine sempre por perto em que vou jogando idéias aleatórias, trechos de obras interessantes que me inspiram… Vez por outra, revisito esse material. Algumas idéias se mesclam, outras ainda estão hibernando.

Muitos textos meus são gestados em grandes intervalos de tempo. Isso faz parte do meu processo de aprendizado. Leio textos de outros, reflito sobre o assunto… Isso resulta numa escrita mais apurada. O que é publicado não é uma opinião do momento (na maioria das vezes, apenas manifestação do ego), mas sim uma reflexão, em que peso prós e contras. Muitas vezes, colocando à prova o que acredito.

Tento absorver conhecimentos em outras áreas, como administração, gestão etc. Acho que a comunicação muitas vezes olha apenas para o próprio umbigo. É um erro. Por vezes, opto por cursos rápidos. Servem como um contato inicial, bem como abrem minha visão para a experiência de outras áreas e profissionais. Além d’eu não ter tanto tempo disponível, cursos rápidos são ótimos porque permitem que eu realize vários treinamentos. Ou seja, amplia a possibilidade de estudar vários temas, não exigem semestres ou anos de dedicação em atividades que, em princípio, não seriam primordiais para a minha atuação.

Anualmente, faço avaliações do que preciso melhorar. E, olha, a lista é longa. Também listo conhecimentos/experiências novas que quero absorver. Ainda sou -e sempre serei- um aprendiz. Meus acertos e erros me enriquecem. Acima de tudo, tenho por prática cultivar a incerteza. Sou aberto ao novo, até porque não tenho todas as respostas. Aliás, para mim o mais interessante é perguntar. E seguir atrás da resposta. Se não tiver preconceito, as ramificações que surgirão serão tão interessantes que você vai esquecer a pergunta. “Afinal, como cheguei aqui?”

Quando adolescente, li uma matéria sobre como, no futuro, uma mesma pessoa teria várias profissões durante sua vida adulta. Acho isso interessante até hoje, mesmo porque minha profissão nem existia na época. Ademais, na minha atividade profissional, uso recursos que só existiam no campo da ficção.

É por isso que quero aprender e compartilhar sempre. Aliás, não faço distinção entre conhecimento acadêmico, técnico ou amador. O que importa é a bagagem, a experiência adquirida. Conversar com pessoas “simples” já me inspirou bastante. Já outras, consideradas detentoras do conhecimento, me deram sono. São tidos como intelectuais, lêem muito, mas na verdade são especialistas em fichar livros. Obviamente, nem todos os acadêmicos são assim. Mas há aqueles que são escravos das idéias alheias, e acham isso uma virtude. O conhecimento não é um convite, mas um fim em si. Algo similar ao ato de colecionar figurinhas. Pior: nunca tiveram uma idéia criativa e se apregoam como os mais capacitados para julgar o que é válido ou não. Como se o conhecimento fosse uma prova esportista, em que é necessário haver vencedores e, acima de tudo, perdedores.

O conhecimento é livre. Por isso, quando alguém diz para mim algo como “tem de ser assim”, já me perdeu. Mudei muito meu comportamento, as idéias que defendo. Mas não alterei meu modo de pensar para o que era conveniente no momento. Mudei porque surgiram idéias mais interessantes. Ficar atrelado a conceitos pode representar não coerência, mas birra. Meu propósito é evoluir. Sempre.

Acho curioso o conceito de educação continuada. Soa como algo forçado, e não uma prática agradável, um cuidado consigo. Procuro aprender todo dia. Sou o mesmo desde que me entendo por gente: minha curiosidade é infinita. De certa forma, ainda sou uma criança, só me divirto de outras formas. Com meus brinquedos, encenava outras experiências, criava novos universos. Agora, quero viver várias vidas numa só.