As melhores atrações da TV e do cinema você assiste na internet

Cada vez mais, fãs utilizam o ciberespaço para interagir com quem possui interesses similares. Não raro, o debate sobre os episódios de séries como Lost 24 Horas aparece com destaque no Twitter (Trend Topics). Ou seja, a conversa ocorre globalmente.

Mas como isso é possível, se a transmissão não é simultânea no mundo? Os fãs internacionais não esperam o programa chegar às TVs de seus países. Eles assistem ao vivo, em sites de streaming, ou veem os episódios pouco tempo depois, já com legendas. A tradução é feita colaborativamente.

O que gera situações inusitadas. O episódio piloto de Being Human (já falei sobre o programa por aqui), mais dark e com outros atores, é cultuado online. São os saudosistas do que o seriado poderia ter sido.

Além dos grandes hits (The Big Bang Theory, Glee, The Office, House, Modern Family, Fringe, Flashfoward), programas são descobertos e acolhidos por uma comunidade fiel. Não apenas produções norte-americanas (Mad Men, Party Down, It’s Always Sunny in Philadelphia, Breaking Bad, Parks and Recreation, Nurse Jackie, Flight of the Conchords, Bored to Death, Damages, Caprica, Sons of Anarchy, Treme), mas também canadenses (Being Erica), inglesas (Life on Mars, Doctor Who,Torchwood, Ashes to Ashes) etc. Mesmo sem ter chegado “oficicialmente” por aqui. Isso ocorreu com o já citado Being Human e com Skins, uma espécie de Trainspotting teen. A VH1 está exibindo a primeira temporada do seriado; já foram exibidos quatro temporadas na Inglaterra.

Há problemas. Se por um lado mais pessoas assistem esses programas, menos audiência eles têm na TV. Séries como Heroes já são mais vistas online. De forma pirata. Após uma primeira temporada de êxito, a audiência televisiva diminuiu drasticamente. Por isso, sempre surgem especulações sobre o cancelamento da série. Se alguns shows são salvos por campanhas online, como Chuck, outros são vitimados por ela.

Apesar da convergência de meios, da ampliação da audiência e da diversificação das formas de consumir produtos culturais, as métricas utilizadas para caracterizar sucesso ainda são antigas. O conteúdo pode ser transmídia, mas o referência de sucesso é sua mídia inicial. No caso dos seriados, seria a grande audiência televisiva.

O mesmo ocorre com o cinema. Antes, os filmes norte-americamos demoravam muito para chegar a outros países. Agora, a estreia é quase simultânea, quando não há lançamento mundial.

Outra solução cada vez mais ventilada é a diminuição da janela (o intervalo do lançamento de um filme no cinema, locação e venda, tv paga etc.) O objetivo não seria distribuir conteúdo em diversas plataformas, mas sim o lucro de curto prazo.

Apesar de vivermos num mundo cada vez mais digital, os referênciais de sucesso ainda são antigos. De toda forma, o ciberespaço cria novos nichos, mas não destrói a cultura de massa. O grande público ainda procura o assunto comum. Nos EUA, a transmissão do Oscar e dos Jogos Olímpicos de inverno tiveram grande repercussão online. No Brasil, grandes hits televisivos, como BBB, A Fazenda novelas e eventos esportivos, são amplamentes comentados nas redes socias.

No caso dos filmes, isso fica mais complicado. O êxito numa plataforma de exibição alimenta toda a cadeia. Sucessos no cinema tendem a alavancar o lançamento em DVD, tv paga e aberta e por aí vai.