Sexo sem vergonha
[…] não sei (ninguém sabe) disciplinar o desejo sexual; só posso […] tentar disciplinar a culpa e a vergonha que azucrinam sua vida e estragam seus prazeres.
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[…] a associação de sexo com vergonha e culpa é um bordão cultural muito antigo, no qual somos convidados a acreditar por todo tipo de poder. A exigência de domesticar o desejo sexual parece ser, aos olhos de todos, um pré-requisito básico de qualquer ordem social.
Além disso, há a eterna inveja dos reprimidos: como dizia Alfred Kinsey, em regra, os que consideramos doentes e maníacos sexuais são apenas os que praticam mais sexo do que a gente.
Contardo Calligaris, na Folha.
Esse cenário cada vez mais se diversifica. Tradicionalmente mais associado aos prazeres masculinos e distante dos holofones, as mulheres estão tornando o erotismo mainstream. Nos EUA, o ator pornô James Deen virou ídolo jovem. Depois de fazer sucesso na internet, o romance erótico Fifty shades of grey, descrito como “Crepúsculo para adultos” ou “pornô para mamães”, promete ser o próximo sucesso literário internacional. Na tv paga, o canal erótico Sexy Hot exibe sessões especiais que buscam atender também os anseios femininos. Na Quarta para Casais, o pornô surge romântico.
Essa nova abordagem igualmente chegou aos aplicativos. Geometric Porn (vídeo abaixo), do artista Luciano Foglia, é uma coleção de formas geométricas que lembram órgãos sexuais. O objetivo é estimular a intimidade, de forma não explícita. A Apple não embarcou na ideia e barrou o app.






