Por que agimos de forma diferente online?

While both studies make different points, the information from Utah found that users who didn’t personally know their Facebook “friends” very well believed that “others had better lives,” leading to lower self-esteem. In Wilcox and Stephen’s study, their main research stems from those Facebook users who are interacting with “strong ties,” or close friends. According to their work, these more intimate interactions lead to an elevated self-esteem.

Do Huffington Post, que analisa pesquisas sobre o assunto. Alguns estudos, inclusive, oferecem conclusões distintas. Qualquer que seja sua personalidade, vai encontrar algo que explica/justifica sua persona digital.

Da periferia das cidades para o grande público

Sempre foi assim. À margem, a periferia das grandes cidades concebe seus próprios modos de expressão artística. Diante das adversidades do dia a dia, cria e os desenvolve. Eles, então, ultrapassam a linha da pobreza e, digamos, ascendem socialmente; chegando à indústria cultural – que tenta codificá-los. Amplificada, a voz dos excluídos causa desejo e repulsa em um novo público, para, no final do processo, ser assimilada, domesticada, na visão dos mais alarmistas, pelo sistema. No caso da música, isso é de uma clareza exemplar.

Texto do Valor Econômico percorre o trajetória de gêneros musiciais como samba, funk, rap, punk…

O jornalismo segue o mesmo ritmo, não dedicando muita atenção para o que a periferia produz. A não ser fatos violentos. Ao olhar para a agenda cultural dos jornais, o destaque vai principalmente para o que ocorre nas regiões mais ricas das cidades. Ou mesmo para eventos que ocorrem para além das fronteiras do estado.

Não que o jornalismo cultural deva se voltar apenas para a realidade local. O trânsito de ideias é sempre bem-vindo. O que me espanta é o deslumbramento com o que vem de fora. E a falta de atenção para que se vê na esquina.

Sexo sem vergonha

[…] não sei (ninguém sabe) disciplinar o desejo sexual; só posso […] tentar disciplinar a culpa e a vergonha que azucrinam sua vida e estragam seus prazeres.
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[…] a associação de sexo com vergonha e culpa é um bordão cultural muito antigo, no qual somos convidados a acreditar por todo tipo de poder. A exigência de domesticar o desejo sexual parece ser, aos olhos de todos, um pré-requisito básico de qualquer ordem social.
Além disso, há a eterna inveja dos reprimidos: como dizia Alfred Kinsey, em regra, os que consideramos doentes e maníacos sexuais são apenas os que praticam mais sexo do que a gente.

Contardo Calligaris, na Folha.

Esse cenário cada vez mais se diversifica. Tradicionalmente mais associado aos prazeres masculinos e distante dos holofones, as mulheres estão tornando o erotismo mainstream. Nos EUA, o ator pornô James Deen virou ídolo jovem. Depois de fazer sucesso na internet, o romance erótico Fifty shades of grey, descrito como “Crepúsculo para adultos” ou “pornô para mamães”, promete ser o próximo sucesso literário internacional. Na tv paga, o canal erótico Sexy Hot exibe sessões especiais que buscam atender também os anseios femininos. Na Quarta para Casais, o pornô surge romântico.

Essa nova abordagem igualmente chegou aos aplicativos. Geometric Porn (vídeo abaixo), do artista Luciano Foglia, é uma coleção de formas geométricas que lembram órgãos sexuais. O objetivo é estimular a intimidade, de forma não explícita. A Apple não embarcou na ideia e barrou o app.

Mãos à obra, geração shuffle: quando a tendência é resgatar o que passou

Oprah Winfrey botou uma bela capa na atual edição da sua revista. A matéria principal você encontra aqui. Um dos tópicos, que fala sobre sobre acampamentos artísticos, prega: arrume as malas e deixe sua criatividade florescer.

Essa tendência de valorizar produtos e serviços feitos com as próprias mãos está no começo de uma nova fase: dessa vez, não há recorte geracional tão claro. O bordado da vovó adorna o estilo de jovens antenados.

Não se trata apenas da mera valorização do que é tradicional, de resgate da produção regional: para além da diferenciação de grupos étnicos, essa prática serve para dar conta da identidade de quem opta por esse caminho. Para isso, são utilizadas diversas tradições, muitas distantes da sua comunidade original. Pessoas possuem interesses múltiplos, e querem transformar em hábitos e produtos essas referências. A internet atua como uma porta de entrada para outras possibilidades. É a premissa do “Pense globalmente, aja localmente” sendo adotada no universo particular.

Mesmo símbolos tradicionais, como alianças de casamento, são forjados manualmente por quem irá utilizá-los. Há empresas que disponibilizam esse tipo de serviço. O pacote inclui curso de criação do produto. A ideia é tornar a experiência mais pessoal: produtos traduzem interesses individuais. Uma aliança que homenagia o jogo Dungeons and Dragons? É possível.

O mundo digital acolhe essa onda. O Etsy e o descolado Tumblr são espaços virtuais em que a produção DIY (Do It Yourself; faça você mesmo) recebe atenção privilegiada. Através de criações caseiras, pessoas expressam facetas da sua personalidade. Exemplo: no Tumblr, manicure é sinônimo de grande investimento pessoal.

O contato inicial é facilitado através de tutoriais diversos. Muitos deles em vídeo. Grande parte traz orientações de beleza ou vestuário (como se maquiar;  passo-a-passo para fazer tricô ou bordado…), mas é possível encontrar vídeo aulas sobre uma infinidade de técnicas.

O impacto na moda é uma evolução natural. Num cenário de valorização do estilo pessoal, faz sentido abraçar irrestritamente tendências massificadas? Dessa forma, blogs de moda diversificam sua atuação.  O espaço que realizada trabalho de curadoria das peças vira também ambiente para troca de experiências. Perdido entre tantas opções? Sites como o Gaida.me atuam como feiras de artesanato: destrincham a produção coletiva e escolhem criações de destaque; fornecem tutorais sobre arte manual e contam histórias de sucesso na área.

Essa prática faz parte de um fenômeno maior, já que não se restringe a quem produz o que consome. A cultura retrô é uma caracterítica da “geração shuffle”, que mistura práticas e costumes de várias épocas.

Não se trata de uma negação dos avanços tecnológicos, até porque muitas das ferramentas atuais são utilizadas nessa tendência nostálgica. O resgate de técnicas antigas pode ser observado pela popularidade conquistada pelos aplicativos que adicionam filtros em fotos, como o Instagram. Daniela Bertocchi, professora e pesquisadora de mídias digitais da Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo (ECA-USP), explica que:

“Os aplicativos que exploram [...] o retorno à imperfeição, aos defeitos das máquinas antigas, a um tempo mais romântico, o alcançam, porque nós vivemos numa época muito centrada na tecnologia, no robô, naquilo que é frio e racional. Uma forma de humanizar isso é retornar ao tempo em que a máquina era menos precisa, conseguia resultados não tão satisfatórios. E atendem às demandas da cultura digital, porque são mobile, registram a experiência como imagem, informam a localização, o que torna todo o processo mais lúdico e divertido”

luxos pragmáticos

“A faixa mais alta de maquiagem e perfumes está entre as partes de maior crescimento do mercado […] Nós os chamamos de ‘luxos pragmáticos’. As mulheres estão comprando menos produtos, mas gastando mais em cada um. Elas fazem opções significativas que são importantes e as fazem sentir-se bem.”

Karen Grant, analista sênior da indústria de beleza e vice-presidente da companhia de pesquisa de mercado NDP Group.

via Folha

A vida é mais interessante através do filtro de um celular?

É a pergunta que o NY Times faz em matéria que mostra a rotina de jovens que convivem com seus pares através da interação presencial e via internet.

Nessa nova vida social, não há distinção de ambientes: a troca de olhares é intercalada com fugas para conferir, via celular, o que está acontecendo noutros cenários.

O medo de estar perdendo algo é uma preocupação constante. Já há nome para isso: FOMO. De acordo com pesquisa realizada pela agência de publicade JWT New York, 65% dos jovens adultos se sentem deixados de fora quando percebem que amigos estão fazendo alguma coisa sem eles.

Labuta ou sina: os novos tempos do trabalho

A revista Fast Company elaborou algumas dicas para quem trabalha em casa. Para a publicação, a mudança de ambiente exige nova mentalidade e um bom sistema de gestão de atividades.

Eu, que trabalho dessa forma há algum tempo, já falei muito sobre o tema por aqui (inclusive, já dei algumas dicas). Na verdade, prefiro o termo trabalho remoto, mais amplo e apropriado para tempos em que a tecnologia permite que você trabalhe de qualquer lugar (profissionais preferem locais alternativos, inclusive), utilizando gadgets distintos.

Outra opção cada vez mais comum é a adoção da jornada flexível de trabalho: quando as empresas permitem que funcionários aliem a rotina de suas atividades às necessidades da vida doméstica.

Na verdade, de acordo com alteração recente da CLT, a distinção entre trabalho dentro da empresa e à distância, no que toca a direitos trabalhistas, fica cada vez menor.

Nem tudo está definido, porém: em tempos de conexão constante, o que seria hora extra hoje em dia?

Para Douglas Rushkoff, há questões mais importantes. De acordo com ele, a tecnologia deve nos libertar do emprego.

Entendo que todos queremos pagamentos – ou ao menos dinheiro. Queremos comida, moradia, roupas e tudo que o dinheiro compra. Mas será que todos queremos realmente empregos?
Estamos vivendo em uma economia na qual o objetivo não é mais a produtividade, mas o emprego. Isso porque, em um nível muito fundamental, temos quase tudo de que precisamos.
[…]Nosso problema não é que não temos o suficiente – e sim que não temos maneiras suficientes para as pessoas trabalharem e provarem que merecem o que querem.
[…] O emprego, enquanto tal, é um conceito relativamente novo. As pessoas podem ter sempre trabalhado, mas até o advento da corporação, nos princípios da Renascença, a maioria delas simplesmente trabalhava para si.
As pessoas faziam sapatos, criavam galinhas ou criavam valor de alguma forma para outras pessoas, que depois trocavam, ou pagavam por esses bens e serviços. Até o fim da Idade Média, a maior parte da população da Europa prosperava assim.

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