comunicação

Acervo digital de jornais brasileiros

Todo o acervo histórico digitalizado do jornal Estado de São Paulo estará disponível online a partir do dia 23 desse mês. São mais 2 milhões de páginas publicadas pelo diário desde sua criação, em 4 de janeiro de 1875. Para calcular preços citados em diferentes épocas, há um conversor de valores.

O Estadão vem se juntar a outros periódicos brasileiros que fizeram o mesmo, como a Folha de São Paulo: bd.folha.uol.com.br.

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O Jornal do Brasil, que abandonou sua edição impressa e migrou para a internet, optou por fazer uma parceria com Google para entregar virtualmente sua história em papel. É só acessar o endereço news.google.com/newspapers?nid=0qX8s2k1IRwCNesse link, você encontra uma extensa análise do projeto.

O site Catrata Livre, recentemente premiado internacionalmente, fez um belo infográfico sobre o assunto.

automatizando a escrita

“Criminalidade em Los Angeles, partidas de beisebol e o cotidiano do mercado financeiro têm em comum a base estatística. A informação está na forma de uma lista de números, e a notícia principal nasce da comparação destes números entre si. Um software não pode substituir todo o jornalismo. Não produz um texto original e instigante. É incapaz de perceber emoção. Provavelmente não seria lá muito útil para falar de futebol, que tem poucos gols e muitos lances nos quais emoção ou arte é que imperam.

Mas computadores já começam, lentamente, a produzir ao menos um pedaço do conteúdo jornalístico. Há um quê de desconforto aí, ao menos para nós. Bem usado, porém [...] elimina o trabalho braçal e permite que repórteres gastem mais tempo pensando. É um mundo no mínimo diferente, este que vem por aí.”

Pedro Doria fala, n’O Globo, sobre o “talento literário” do cérebro eletrônico, tema que já apareceu por aqui.

A ajuda vem até mesmo do céu: para a revista Fast Company, os robôs voadores (drones) apontam o futuro do jornalismo.

Como construir um site local

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O barulho que o Ecad (não) queria ouvir

Depois da pressão e do tema ter ultrapassado nossas fronteiras, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) voltou atrás e desistiu de cobrar por vídeos musicais embarcados em outros sites. O Youtube já havia se posicionado contra a cobrança. Muitos juristas também criticaram a postura da instituição.

É difícil justificar a postura do Ecad. Não houve sequer aviso prévio, período de adaptação ou campanha educativa. Partiu-se direto para a cobrança. Como se chegou ao valor cobrado? Tampouco isso ficou claro. O desgate foi inevitável.

Como justificativa, a instituição apregoou que a justiça estava do seu lado. O que pode ser inócuo: outros advogados podem ter uma leitura diversa. Para além da legalidade da ação, a medida revela uma tática pouco hábil para lidar com o público. Uma das recomendações de gerenciamento de risco é justamente não apelar apenas para esse componente da questão, ainda mais quando surge atrelada a dinheiro. O público recebe  isso não como abertura para o diálogo, mas sim como uma tática para impor vontades. Outros seguem para a reflexão: é legal, mas não seria imoral? Ou seja, a polêmica criada e o recuo do Ecad poderiam ser evitados caso se adotasse uma atitude mais prudente.

Como trabalho de relações públicas, é infeliz. Difícil ficar ao lado de ações tão impopulares. Até seus representados, os músicos, não demonstraram apoio. Não querem entrar em atrito com os fãs. Aprenderam com a postura pouco conciliatória que muitos de seus pares adotaram em relação ao Napster.

Mesmo que estivesse com todo o respaldo jurídico… A medida veio num período complicado para a entidade. Ela deveria estar trabalhando para esclarecer polêmicas nas quais está envolvida (mais no vídeo abaixo) e defender sua causa. Afinal, um nova lei de direitos autorais está sendo debatida no Brasil.

O Ecad clama pelo que está posto, sendo que estamos numa fase de transição. A legislação não é estanque, ela acompanha os novos rumos da sociedade. Ao ir atrás de pequenas somas, o Ecad conseguiu solidificar e ampliar o movimento que o contesta. Sua medida truculenta virou exemplo de excesso a ser combatido na reforma dos direitos autorais. O Senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que preside a CPI do Ecad, classificou como censura o mais recente movimento da entidade. Deve ser apenas o começo.

Vamo batê lata, tonel, garrafa d’agua
Vamo batê no pulso da artéria da rua
Vamo batê palma até de madrugada
Vamo pr’aquela praça da verdade nua

(Vamo batê lata, Paralamas do Sucesso)

No dia 26 desse mês, às 10h, ocorre em São Paulo a última audiência pública da CPI do Ecad. Ainda falta definir o local. Independente do endereço, o barulho dos atividades digitais deve ser ouvido por lá.