O lar do futuro

[...] a noção de lar, também graças à internet, expandiu-se para territórios simbólicos – levo minha “casa” comigo pelo mundo, no celular, no computador, nas redes sociais.
A maior parte de nós, no entanto, continua vivendo em residências que reproduzem o modelo tripartido do século 18, que divide o espaço em áreas social, íntima e de serviços em ambientes compartimentados e estanques.
[...] Mas, se o futuro chegou, a casa que vai representar esse novo tempo deverá se basear não mais em cômodos e hierarquias, mas nas atividades que exercemos ali.
[...] Nossa casa será um sistema aberto, colaborativo e seremos todos co-designers desses espaços.

Guto Requena, arquiteto. Hoje, ele inaugura sua coluna na Folha, espaço que passa a ocupar quinzenalmente.

Arquitetura sustentável e aberta

O projeto mais verde, o mais sustentável, é aquele já construído. Há muitos prédios sem função. Estamos fazendo um concurso global para a reutilização de antigas construções militares. Por que não criar nelas escolas no Afeganistão? O que fazer com Guantánamo?
É bom usar materiais, como bambu e palha, que camponeses já sabem usar e que têm sobras suficientes para construir com eles. Temos de pensar em materiais seguros e reutilizáveis em áreas propensas a desastres naturais. O Brasil, com enchentes periódicas, deveria pensar nisso.
Às vezes, materiais como a cola são tóxicos na próxima chuva. Eles podem proteger e matar ao mesmo tempo. A melhor inovação acontece quando você tem um problema claro e uma simples solução se alastra como chama.

Cameron Sinclair, na Folha. Sinclair é criador da Architecture for Humanity, ONG que revitaliza locais afetados por tragédias naturais.

Um dos braços de atuação da AH é a Open Architecture Network, rede online que oferece acesso a projetos arquitetônicos de código aberto. O site permite que arquitetos, designers, construtores e clientes possam compartilhar desenhos gratuitamente, incluindo arquivos CAD.

Cameron Sinclair na TED