Facebook pergunta: O que está passando pela sua cabeça?

O Facebook estréia novos serviços nessa sexta-feira (acima, o novo desenho da página). Num recurso similar ao Twitter, trará um serviço chamado “O que está passando pela sua cabeça?”. Os usuários poderão preencher com comentários e links ou até mesmo fazer o upload de fotos e vídeos. No ano passado, o Facebook tentou comprar o Twitter.

Para o diretor de desenvolvimento de produtos, Chris Cox, a idéia é dar destaque ao fluxo de informações que estão acontecendo no momento.

Outra novidade é que o serviço trará mais possibilidades para que o usuário filtre o conteúdo que acha relevante: por grupo, amigos específicos, família e aplicativos. O que será bastante útil por causa da nova ferramenta citada acima, evitando a saturação por causa do excesso de informações desnecessárias.

Além disso, os perfis públicos não terão mais o limite de 5.000 contatos.

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Não é tão divertido. Vale mais como “proposta educativa”. Na verdade, o problema não se restringe ao Facebook, apesar desse site se esforçar (leia, abaixo, sobre a reforma do serviço).

O excesso de contato é recorrente em várias redes sociais. Muitas pessoas acabam enviando mensagem sem critério, convidado para comunidades desinteressantes, divulgando eventos e aplicativos que muitas vezes só fazem sentido para ela, e não para quem recebe. Estaríamos virando spammers pessoais?

Ademais, há também exposição pública excessiva. Certa vez, Tutty Vasques escreveu que “há muita reclamação de invasão de privacidade, mas há muita evasão de privacidade.” Falava de celebridades, mas a frase se encaixa ao mundo virtual.

A coluna de segunda-feira do coletivo 02 neurônio brincou sobre o assunto. Trecho abaixo:

AS REUNIÕES de pauta são um dos momentos mais importantes do jornalismo. É quando editores e repórteres se juntam para decidir o que vai sair em um jornal, revista ou site. Nessa hora, repórteres aparecem com pautas que, muitas vezes, são gongadas pelos editores, de maneira nem sempre gentil. O repórter, no início, fica meio humilhado, mas aprende. Nem tudo interessa. E por que estamos falando tudo isso? Porque hoje existe um verdadeiro jornalismo de si mesmo. As pessoas (a gente, inclusive) escrevem no Facebook e no Twitter o que estão fazendo naquele exato momento e usam o MSN para propagar autonotícias. Meio maluco. O pior: as pessoas, definitivamente, não sabem o que é notícia!

Reforma
O Facebook estréia novos serviços no dia 13 desse mês. Num recurso similar ao Twitter, trará um serviço chamado “O que está passando pela sua cabeça?”. Os usuários poderão preencher com comentários e links ou até mesmo fazer o upload de fotos e vídeos.

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Música de graça para todos? Robert Smith comenta estratégia do Radiohead

“UM ARTISTA TEM O VALOR DA ARTE QUE CRIA
DE OUTRA FORMA NAO ENTENDO COMO PODEM ACHAR QUE E ARTE”

Robert Smith, comenta, com letras maiúsculas mesmo, no blog do The Cure, a estratégia do Radiohead de lançar o disco In Rainbows dando à opção aos fãs de pagarem o quanto quisessem (modelo que o Radiohead não deve mais seguir). Criou polêmica. Foi considerado muito velho para comentar a cultura contemporânea, xingado pelos fãs do Radiohead etc.

Smith chama seus detratores de cretinos.

“Se a idéia de arte gratuita se tornar comum, como os artistas ganharão a vida?”, pergunta Smith. De toda forma, ele avalia que valor artístico não deve ser confundido com valor comercial. “Estou mais do que feliz em pagar um artista por sua arte. Isso evidentemente permite ajudar que ele continue criando”, analisa.

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Foto via Flickr de Apple Mittens

Google disponibiliza leitura de livros em celulares

O Google está levando sua vasta biblioteca de livros on-line para os celulares. A partir de agora, pode-se acessar gratuitamente o Google Book Search através de uma versão para dispositivos móveis: http://books.google.com/m.

O Google irá inicialmente oferecer livros que já caíram em domínio público. Ao todo, são 1,5 milhões de livros em inglês e mais de meio milhão em outras línguas.

O serviço é compatível com o iPhone da Apple e o T-Mobile G1 (que usa o sistema operacional do Google, o Android).

Parece ser uma resposta à Amazon, que lançou hoje a nova versão do leitor de ebooks Kindle. Além disso, a loja virtual também irá vender livros em arquivo digital para celulares. Entre eles, vários lançamentos. São 230.000 títulos, incluindo 103 dos 112 livros da lista dos mais vendidos do New York Times.

Via The Times

Imagem via Flickr de fabi_k

A nova versão do Kindle

Surgem fotos do Kindle 2, o leitor de eBooks da Amazon. Oficialmente, será apresentado na segunda, durante coletiva à imprensa. Custará $ 359 e estará disponível para compra no dia 24 de fevereiro.

O novo produto é leve e bonito. Entretanto, pode ser um gadget de vida útil curta. O Kindle é focado em apenas uma função: a leitura de livros digitais. E, mesmo assim, o faz de forma limitada. A tecnologia E-ink (tinta eletrônica) cansa menos a vista e consome menos energia. Por outro lado, o consumidor tem uma experiência de cores limitada.

Ademais, aplicativos permitem que celulares possam ler arquivos digitais de livros. Os telefones móveis cada vez mais aglutinam funções, funcionando como um computador portátil.

Via

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O futuro do direito autoral

Escrevi sobre música durante anos e sempre me interessei em como a cultura funciona como um experimento social que traduz como as pessoas se sentem e como, através da cultura, elas se juntam e tentam fazer com que as coisas funcionem não necessariamente de uma forma já estabelecida – e como isso pode dar vazão a boas ideias. Assim, o movimento punk fez isso com a ideia do consumidor que também se vê como um produtor. Não que isso não existisse antes do punk, mas foi o punk quem primeiro levou esse conceito para o holofote, seguido do hip hop e, mais tarde, pela web – e agora isso é algo que todos conseguem compreender. O mundo ultrapassou o conceito de transmissão tradicional (broadcasting) e abraçou todas as formas de comunicação e compartilhamento de informação e conteúdo – e eu quis observar o lado cultural dessa equação.

O jornalista Matt Mason, que escreveu o livro The Pirate’s Dilemma (Free Press, importado), em entrevista ao caderno Link, fala sobre direito autoral. Ele completa:

A pirataria vai com certeza se tornar legal. É assim que essas coisas funcionam, o underground sugere algo novo, o mainstream vem e legitima. Sempre foi assim.

Confira abaixo ações que tratam a internet como aliada. Nesse outra lista, quem opta pelo caminho oposto.

A Internet como aliada

1. Em 2007, o grupo inglês Radiohead permitiu aos internautas escolher o quanto queriam pagar pelo download se seu novo disco In Rainbows. Como aposta na rede, ainda permitiu que internautas fizessem vídeos e remixes de suas músicas.

2. Cansados de lutar contra vídeos postos por fãs no YouTube, o grupo Monty Phyton criou um canal graça no site. Resultado? As vendas de seus DVDs cresceram 23.000% (sem exagero).

3. Criadas em 2001, as licenças Creative Commons possibilitam aos artistas terem mais controle da liberdade das suas obras, permitindo, por exemplo, que qualquer um baixe se não for para fins comerciais.

4. Ao invés de lutar contra o uso indvido de suas marcas, Doritos,
Coca-Cola e Mentos colocaram na mão dos internautas produção de publicidade. O material espalhou-se de forma viral pelo YouTube.

5. Paulo Coelho descobriu que a pirataria é uma forma de divulgação. Ele, inclusive, montou um blog, o http://www.paulocoelhoblog.com, no qual disponibiliza versões ‘piratas’ de seus livros para baixar.

6. Pirataria? O grupo Teatro Mágico quer mais que as pessoas baixem mesmo. Famosa no circuito alternativo, a banda não tem gravadora e até vende CDs. Entretanto, nos shows, instiga seu público a baixar no site, ‘de graça’.

7. No Pará, tanto a cena tecnobrega, com DJs que fazem festas gigantescas, quanto a banda Calypso não se preocupam com pirataria e distribuem seus CDs para que camelôs copiem e vendam. O dinheiro vem das apresentações ao vivo.

8. O grupo Nine Inch Nails liberou músicas para fãs remixarem, criou um ‘jogo de realidade alternativa’, aderiu ao sistema de pague o quanto (e se) quiser para baixar o CD e foi recordista em vendas na Amazon

somos todos piratas?

“Estamos nos movendo para uma era em que todo mundo que acessa a cultura tecnicamente faz cópias. Faz tanto sentido regular isso como regular o ato de respirar – copiar é algo tão comum que qualquer um pode fazer. Ao invés de invocar essa lei insana toda a vez que um garoto liga o computador, a lei deveria parar de focar na cópia e se focar em atividades que façam sentido comercialmente”.


O advogado Lawrence Lessig, criador da licença Creative Commons, está lançando um novo livro, Remix: Making Art and Commerce Thrive in the Hybrid Economy. Hoje, o caderno Link debate os direitos autorais. E pergunta: somos todos piratas?

Foto via Flickr de eschipul