carreira, empreendedorismo & economia digital

Kickstarter #1

Acima, trailer de Blue Like Jazz, filme que já passeou por esse blog e que estreou na sexta passada, nos EUA, em mais de 100 salas. O projeto teve risco de não ser realizado, quando financiadores abandoram a produção. Foi aí que dois fãs lançaram uma campanha no Kickstarter. Quatro semanas mais tarde, Blue Like Jazz havia levantado o triplo da meta.

Essa é apenas uma das belas histórias que o Kickstarter tornou possível. O serviço de financiamento coletivo publicou uma lista com os projetos mais bem-sucedidos, em termos de arrecadação, da sua história. Em ordem cronológica, a lista traz iniciativas como gravações de disco, ensaio fotográfico, livro sobre a campanha presidencial de Obama, rede social que não retém dados dos usuários (Diaspora), jogo eletrônico (Double Fine)…

Futuro em jogo

Os game designers Ron Gilbert e Tim Schafer debatem os rumos dos jogos de aventura. A conversa aconteceu um pouco antes de Schafer arrecadar a verba, via Kickstarter, para seu novo jogo eletrônico.

É o financiamento coletivo (crowd funding) alcançando o desenvolvimento de games. Há, inclusive, um serviço de mecenato social específico para o setor: 8-bit Funding.

Farol Digital

Um documentário sobre a importância das lan houses na inclusão social e digital. No caso de estabecimentos informais, outro vídeo do projeto Estrombo aponta o caminho para a regularização.

Fugazi: (800) vezes ao vivo

Entre 1987 e 2003, a seminal banda punk Fugazi fez mais de 1000 concertos em todo o mundo. Mais de 800 desses shows foram gravados por engenheiros de som do grupo. No Fugazi Live Series A-Z, você pode ter acesso a grande parte desse material: áudio, fotos disponíveis, flyers e informações em geral. Muito foda.

Labuta ou sina: os novos tempos do trabalho

A revista Fast Company elaborou algumas dicas para quem trabalha em casa. Para a publicação, a mudança de ambiente exige nova mentalidade e um bom sistema de gestão de atividades.

Eu, que trabalho dessa forma há algum tempo, já falei muito sobre o tema por aqui (inclusive, já dei algumas dicas). Na verdade, prefiro o termo trabalho remoto, mais amplo e apropriado para tempos em que a tecnologia permite que você trabalhe de qualquer lugar (profissionais preferem locais alternativos, inclusive), utilizando gadgets distintos.

Outra opção cada vez mais comum é a adoção da jornada flexível de trabalho: quando as empresas permitem que funcionários aliem a rotina de suas atividades às necessidades da vida doméstica.

Na verdade, de acordo com alteração recente da CLT, a distinção entre trabalho dentro da empresa e à distância, no que toca a direitos trabalhistas, fica cada vez menor.

Nem tudo está definido, porém: em tempos de conexão constante, o que seria hora extra hoje em dia?

Para Douglas Rushkoff, há questões mais importantes. De acordo com ele, a tecnologia deve nos libertar do emprego.

Entendo que todos queremos pagamentos – ou ao menos dinheiro. Queremos comida, moradia, roupas e tudo que o dinheiro compra. Mas será que todos queremos realmente empregos?
Estamos vivendo em uma economia na qual o objetivo não é mais a produtividade, mas o emprego. Isso porque, em um nível muito fundamental, temos quase tudo de que precisamos.
[…]Nosso problema não é que não temos o suficiente – e sim que não temos maneiras suficientes para as pessoas trabalharem e provarem que merecem o que querem.
[…] O emprego, enquanto tal, é um conceito relativamente novo. As pessoas podem ter sempre trabalhado, mas até o advento da corporação, nos princípios da Renascença, a maioria delas simplesmente trabalhava para si.
As pessoas faziam sapatos, criavam galinhas ou criavam valor de alguma forma para outras pessoas, que depois trocavam, ou pagavam por esses bens e serviços. Até o fim da Idade Média, a maior parte da população da Europa prosperava assim.

Veja também
Tecnologia e o trabalho
Trabalho remoto, um infográfico
Trabalhe de qualquer lugar [guia]
Motivação 3.0

Código aberto para a inovação

Ao invés do estereótipo do geek introvertido, um desenvolvedor curioso que investe na contribuição. Assim é a comunidade do código aberto, na qual a colaboração é essencial para a evolução dos projetos.

É o que prega o site Mashable. Além de investigar as características dos desenvolveres de código livre, o texto entrega também como ocorrem esses processos colaborativos.

De acordo com o Mashable, a dinâmica de desenvolvimento de software open source é profundamente social. Algumas das principais doutrinas de código aberto são a transparência, colaboração e meritocracia.

Mesmo os desenvolvedores que trabalham em pequenos projetos precisam contar com a ajuda de outras pessoas. Praticamente todas as novas ações de código aberto derivam de criações anteriores.

Hoje, há mais de 500 mil iniciativas de código aberto na internet. Engana-se quem pensa que os preceitos open source são adotados apenas em projetos de tecnologia. Hoje, essa ideologia pode ser vista na arte, na busca de soluções corporativas (inovação aberta) e na gestão de marcas (Pappagallis).

Creative Commons: flexibilize seus conceitos

O maior benefício está no ciclo de inovação. Os primeiros consumidores de um produto serão os mais intensos usuários. Ao ouvir um consumidor sobre como ele usa esse produto, você aprenderá muito mais rápido a se reinventar e se adaptar do que se ouvisse apenas sua equipe. O que aprendemos com as empresas que usam essa estratégia é que muitas vezes o especialista não trabalha para você. Na maior parte do tempo, a pessoa mais esperta usando o seu produto ou serviço é um dos seus consumidores. E começar essa relação desde cedo o ajudará a conseguir esse tipo de insight.

Lawrence Lessig, advogado e criador do Creative Commons, fala sobre as vantages da colaboração entre empresas e consumidores.

Creative Commons é uma proposta de flexibilização e não extinção do direito autoral. Ao invés do restritivo “All Rights Reserved” (Todos os direitos reservados), você define o modelo de cessão escolhendo em que situações sua obra pode ser usada por outros: comercialmente, se é possível fazer cópias e distribuir, se outras pessoas podem modificá-la (edição) etc.

A propriedade intelectual ainda é sua. Entretanto, ao invés da necessidade de autorização caso a caso, como ocorre no tradicional “copyright”, o autor já diz para o mundo como sua obra pode ser utilizada.

Isso cria novas formas de remunerar e espalhar a criação artística. Cobra-se de quem pode pagar, como empresas, e libera o uso gratuito para outros. Desde que divulgue a autoria.

Algumas pessoas podem dizer: “Ah, mas isso já está previsto nas leis”. Sim, pode ser. Mas o Creative Commons, por não estar vinculado a uma bandeira específica, se torna um selo global. Ou seja, cria-se uma linguagem mundial dos direitos autorais. Você não precisa ser jurista ou saber como funciona a lei em um país específico.

Audiovisual: novas formas de financiamento, produção e distribuição

Acima, um guia de crowdfunding para financiamento de filmes.

Essa é apenas uma das abordagens plurais que podem ajudar o processo criativo. Cada vez mais, cineastas iniciantes ou independentes formam coletivos (infográfico no final do post). Há rodízio criativo na equipe. Num momento, um técnico atua como diretor de fotografia. Noutro filme, assume a direção.

A  distribuição, outro gargalo do cinema nacional, também busca novos rumos. O Circuito Fora do Eixo, que reúne 70 coletivos espalhados pelo Brasil, tem como meta fazer a nova produção circular.

O curta-metragem pernambucano Do Morro?, de Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro, é um exemplo de filme que busca alternativas para chegar ao público. A obra investiga a ascensão do cantor popular João do Morro.

Veja também
Crowdsourcing pode mudar forma de consumo, produção…
Livros gratuitos: parece fácil distribuí-los, mas não é
YouTube, uma alternativa para artistas independentes e selos menores