sustentabilidade & engajamento

Beijo de Putin: doc

Putin´s Kiss, documentário que mostra a desilusão da juventude russa com sua representação política. O filme conta a história de Masha Drokova, uma ex-ativista do Nashi, o movimento jovem de Putin. O filme faturou o prêmio de melhor fotografia no Festival de Sundance 2012 (documentário internacional).

Bicicleta, uma nova rota para a política de transporte

Acima, vídeo apresenta mais uma alternativa de transporte que chega a Nova York. Ao todo, serão 10 mil bicicletas disponíveis em 600 estações. NY junta-se a várias cidades européias que já adotaram as magrelas como opção de mobilidade urbana. Em Berlin, até festas são movidas a pedaladas.

Embora em menor escala, o Brasil também adota iniciativas como essa. Desde 2010, por exemplo, João Pessoa-PB, uma das cidades mais verdes do país, já possui serviço de locação de bicicletas. Aliás, foi a primeira capital nordestina a contar com um sistema de bicicletas públicas.

Obviamente, é necessário criar o cenário para que as pessoas passem a utilizar bicicletas, um dos métodos alternativos que podem ser adotados nos centros urbanos. Seguindo o mesmo raciocínio, não é possível pregar a adoção imediata do sistema público de transporte sem refletir sobre o cenário atual e o que se quer construir. Até porque ele não dá conta do público atual. Nas grandes cidades, coletivos trafegam lotados. Quando existem, as linhas do metrô são limitadas.

No caso das bicicletas, é importante criar ciclovias, ciclofaixas, bike lanes (vídeo acima)… O que muitas vezes só é conquistado quanto a população protesta, já que as cidades são pensadas para carros. Esse foi o caso da Holanda (vídeo abaixo), país com maior número de ciclistas no mundo e um dos lugares mais seguros para pedalar. Os holandeses só conseguiram conquistar essa realidade após mobilização. A pressão popular foi seguida por políticas de incentivo aos transportes alternativos.

As empresas, por outro lado, devem baratear as bicicletas dobráveis. O Governo pode contribuir para isso, ao reduz a alíquota de tributos. Ademais, deve investir na integração dos transportes. Ou seja, vou até determinado ponto de bicicleta. Em seguida, continuo de metrô. É importante também investir em segurança, tanto de trânsito quanto policial.

O problema é que o Estado ainda teima em ressaltar a estrutura atual de transporte. Cria incentivos para a indústria automobilística, faz grandes investimentos nas vias automotivas… Para piorar, as pessoas pagam imposto pela posse do carro, e não pelo uso.

(E as obras de mobilidade, que seriam preparadas para Copa de 2014? Antes apontadas como legado do evento esportivo, já são vistas como algo menor. Talvez nem sejam entregues. Como paliativo, dia de jogo vira feriado. Beneficia-se o turista, e se esquece dos benefícios de longo prazo para os moradores da cidade)

Em julho do ano passado, a revista Trip se debruçou sobre as vantagens das bicicletas. Coisa de gente “alternativa”? Hoje até os executivos são ciclistas.

PS – Depois de dez anos de grandes investimentos em infraestrutura, Nova York aumentou em 289% o número de ciclistas da cidade. Para comemorar o fato, foi lançado o vídeo abaixo:

Fiscais do ciberespaço x ativismo digital

Memeboards produzidos pelo blog Não Salvo inspirados em comentários que rolaram nas mídias sociais. O Ecad defende a cobrança de blogs por vídeos do YouTube.

Liberdade, anonimato, direitos autorais, privacidade… Essas questões dominam o começo de 2012. “Como lidar com as forças de poder que regulam a internet e controlam o que as pessoas podem ou não fazer na rede?” Buscar um novo “contrato social” para o ciberespaço, envolvendo governos, companhias e cidadãos, ganha ares de urgência.

A Free Internet Act (FIA), projeto colaborativo debatido via Google Docs, é um exemplo criativo e democrático de buscas de novas propostas. A FIA propõe a criação de legislação internacional sobre os direitos dos usuários da internet. A edição do texto segue um dos preceitos defendidos: usuários podem se manifestar de forma anônima.

As novas conexões das LAN Houses

“O serviço tinha demanda pela falta de acesso. Já ocorreu em outros países: à medida que aumenta o número de computadores nos lares e o acesso, o serviço deixa de ter importância.”

Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Sebrae, fala sobre a necessidade de repensar o modelo das LAN Houses. Em muitos locais, metade do faturamento já vem de novos serviços ou de desdobramentos dos já existentes, como cadastro de currículos e pagamento de contas. São formas de manter viva uma estrutura já montada que prestou importante papel na inclusão digital no país.

Há desafios, como a informalidade do setor. Ademais, transformar uma LAN House em correspondente bancário, uma saída possível, é uma opção difícil em regiões violentas.

My So-Called Life

Claire Danes parece ter encontrando novo fôlego para sua carreira na TV. Em 2010, fez sucesso em Temple Grandin, cinebiografia da autista reconhecida por seu trabalho como especialista em comportamento animal. Um ano depois, estreava Homeland.

Não são as primeiras experiências de Claire na tela pequena. Na verdade, ela começou ali. My So-Called Life poderia ser mais um drama juvenil de tantos lançados nos anos 1990. Mas o programa se diferenciava dos demais por abordar temas polêmicos, como abuso infantil e homofobia.

Outros seriados até tateavam assuntos espinhosos, mas o faziam de forma didática. Soavam como conselhos de adultos que julgam a consequência, não buscam entender o caminho. Disciplinam, não educam. No final, pareciam campanhas de conscientização dramatizadas. Dificilmente o problema debatido ia além de um único episódio. No mundo da ficção, muitas vezes basta uma lição de moral para que o destino de alguém seja alterado.

Em My So-Called Life, a abordagem era distinta. Não era um programa adolescente, mas sobre a adolescência. As angústias dessa fase da vida não surgem como deficiência, o que muitas vezes ocorre em outros enredos, mas sim aprendizado. No seriado, prevalece o olhar de alguém que lida com o desconhecido. O primeiro contato por vezes surge sedutor, provoca deslumbramento. Noutras ocasiões, causa medo, apreensão. Não era uma característica apenas dos personagens jovens; os adultos também se mostravam inseguros ao lidar com o novo. Ademais, questões diversas eram desenvolvidas ao longo da temporada. Você vivia os dilemas dos personagens. Lutas pessoais e conquistas da tela se aproximavam das nossas escolhas no mundo real.

Deu resultado. O show foi listado pela revista Entertainment Weekly com um novo clássico da TV. Já a Time o citou como um dos 100 melhores programas de TV de todos os tempos. O tocante episódio Life of Brian (é possível assistir no YouTube; primeira parte acima), sobre a dificuldade de um dos personagens em interagir com os demais, é apontado como uma das melhores realizações da tv norte-americana. O roteiro desse episódio coube a Jason Katims, que viria a ser o produtor executivo da também elogiada Friday Night Lights.

Claro, o programa também cometia deslizes. Há certos chavões dos dramas focados em escolas norte-americanas. Personagens que tropeçam por questões menores por vezes soltam pensamentos demasiadamente maduros em grandes acontecimentos. Mas, no plano geral, o resultado era amplamente favorável.

Além do belo texto, a trilha era ótima. Hoje é comum programas adolescentes, como o britânico Skins, tocarem ótimas faixas. A MTV, por exemplo, alimenta um site (soundtrack.mtv.com) apenas para entregar o que rola nas trilhas dos programas que produz. Mas não me recordo de outra produção da tv aberta dos anos 1990 começar com algo alternativo como Blister in the sun, do Violent Femmes. Noutra ocasião, a ida a um show da ótima banda Buffalo Tom foi o centro das atenções. Já o episódio natalino recebeu a cantora Juliana Hatfield, que interpretou um anjo.

Infelizmente, My So-Called Life não foi além da primeira temporada. Fãs, novos e antigos, usam a internet para lembrar o programa. E dar continuidade à trama. Essa interação vem de antes: My So-Called Life foi um dos primeiros seriados em que os fãs usaram a grande rede para manifestar contra seu cancelamento.

Abaixo, o elenco do programa, 18 anos após sua exibição.

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Texto atualizado em 05/03/2012