Brasil e o e-lixo

Entre os países emergentes, o Brasil, infelizmente, aparece no topo do ranking de produção per capita de e-lixo. Para piorar, o problema tende a aumentar.

Se em relação ao projeto que regulamenta a internet brasileira (marco civil) o país foi inovador, na gestão do lixo eletrônico a lentidão impera.

Após 19 anos, foi aprovada na Câmara dos Deputados a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Em relação aos produtos eletrônicos, o projeto estipula que a responsabilidade da logística reversa cabe a quem produz, importa ou distribui os equipamentos. Todavia, o texto ainda aguarda a aprovação do Senado e do presidente da República.

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Aumente a "garantia" dos produtos eletrônicos

É comum o faz-tudo, aquele que busca consertar problemas sozinhos, ser encarado com descrença ou mesmo não receber apoio. Se você faz parte dessa turma, sinta-se menos só.

Eis uma rede social específica sobre o assunto: http://www.ifixit.com/. Inicialmente, o site era dedicado aos produtos da Apple. Agora, o serviço ampliou sua atuação. No canal do iFixit no YouTube, há vários vídeos explicativos.

Não se trata apenas de uma preocupação monetária, de economizar com o conserto: a meta do site é espalhar a necessidade de conservar equipamentos. Em tempos de obsolescência programada, em que bens de consumo são feitos para durar menos, a página busca soluções para o problema do lixo eletrônico.

Outro projeto que defende o aumento da durabilidade dos gadgets é o Last Year’s Model. No caso do equipamento não funcionar mais para seu fim original, ele pode ser adaptado para outra função.

O hábito de consertar equipamentos e fazer reparos em casa é bastante comum nos EUA. A ideia originou até uma sitcom -fraca- de bastante sucesso por lá nos anos 1990. Em Home Improvement, Tim Allen interpretou um apresentador de show sobre dicas de reformas e cuidados na casa. Além de lançar a carreira de Allen, o programa também revelou Pamela Anderson.

A blogosfera política

O jornalista Michael Massing aborda o tema nesse artigo. Ele dá exemplos de bom trabalho jornalismo -opinativo e investigativo- na blogosfera. Em muitos casos, essa atuação amplia a cobertura jornalística, já que versa sobre temas que não são abordados pela mídia tradicional.

Por outro lado, mostra que esse trabalho pode ser uma caixa de ressonância, já que faz uma seleção de assuntos que corroboram com a visão política do autor do blog. Os links também servem para ratificar “pré-conceitos”. Ou seja, não se trata de um trabalho plural, que dá espaço significativo para opiniões diversas. O texto “Eu Diário” já mostrava a mesma preocupação.

A pressa na divulgação dos assuntos também é apontada como um dos desafios do jornalismo online: há uma pressão constante para dar continuidade ao fluxo de posts.

Ademais, como há polarização da cobertura, blogs divulgam informações imprecisas sobre políticos de visão distinta à sua. Rumores não checados e até notícias fabricadas são divulgadas como verdade.

Como estamos em ano eleitoral no Brasil, esses problemas apontados por Massing servem de alerta.

"Nas verdadeiras revoluções, as coisas pioram para depois melhorar" [Futuro do jornalismo]

Entrevista com Clay Shirky, autor do livro Here Comes Everybody. Em inglês.

Para ele, não há salvação para a indústria da informação como conhecemos simplesmente porque não se trata de uma transposição desses meios para o ciberespaço.

Segundo Shirky, surgirão diversos modelos de produção da informação. Como sites híbridos, envolvendo profissionais e “amadores” para produzir conteúdo de qualidade. Esses novos processos serão melhores ou piores que os atuais? As duas coisas.

Talvez a maior ressalva que ele faça é que antes desse novo cenário se ajustar, as coisas ficarão “esquisitas”. Para piorar, talvez a estrutura atual acabe antes de uma nova se estabelecer.

“Quando as mudanças são drásticas, você tem de admitir que sua capacidade de fazer prognósticos sobre o futuro é limitada. Nas verdadeiras revoluções as coisas pioram para depois melhorar; do contrário não é uma revolução, mas sim um mero aperfeiçoamento do que já existe”, completa Shirky.

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