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House, os melhores episódios

Como dito noutro post, muitos percebem uma fórmula na condução do programa. Entretanto, House não é “só” isso. Aliás, o melhor da série surge quando ela ousa mais. São tramas contadas de maneiras inusitadas. A doença da vez nem é tão importante assim.

Noutros momentos, o aspecto pessoal da vida dos médicos ganha destaque. Broken, o especial de 90 minutos de duração no qual House vai parar num hospital psiquiátrico, é um deles. Birthmarks, centrado na amizade de House e Wilson, é outro belo episódio.

Da lista abaixo, acho que o mais esquemático é Autopsy. Mas é difícil não se comover com a história da garotinha com câncer. Outros também têm “o” caso, mas são bastante peculiares.  Em Frozen, a equipe faz um atendimento “remoto” a uma pesquisadora que está… no Pólo Sul. E o fodástico Locked In, sobre paciente com lesão cerebral. Dos outros, não dá para falar sem estragar a surpresa.

Temporada 1, Episode 21 – Three Stories
Temporada 2, Episode 2 – Autopsy
Temporada 2, Episode 24 – No Reason
Temporada 4, Episode 11 – Frozen
Temporada 4, Episode 15 – House’s Head
Temporada 4, Episode 16 – Wilson’s Heart
Temporada 5, Episode 4 – Birthmarks
Temporada 5, Episode 19 – Locked In
Temporada 5, Episode 22 – House Divided
Temporada 5, Episode 24 – Both Sides Now
Temporada 6, Episode 1 – Broken
Temporada 6, Episode 21 – Help Me

Menu à la carte

Divertida matéria do NY Times fala sobre utensílios para a cozinha que terminam sem uso efetivo. São produtos para fins específicos, campeões de listas de casamento. No uso diário, mostram-se desnecessários.

Acima, uma consumidora ostenta sua pouco usada caçarola de salmão. A panela preta de Paulo Oliveira (a versão “chef” do ator Paulo Tiefenthaler), apresentador do divertido Larica Total (Canal Brasil), consegue melhores resultados. Por sinal, o melhor programa culinário  da tv brasileira entrou recentemente na sua terceira temporada. É possível assistir os episódios online.

atrocidades históricas

The Great Big Book of Horrible Things: The Definitive Chronicle of History’s 100 Worst Atrocities (O grande livro de coisas horríveis: a crônica definitiva das cem piores atrocidades da história).  Recentemente, o NY Times falou sobre a obra do “atrocitologista” Matthew White.

Propriedade intangível

Vivemos uma era em que nossos jovens deixaram de ver televisão para fazer televisão. E temo que estejamos produzindo uma geração de criminosos por causa do sistema de regulação desatualizado.

A lei do direto autoral poderia ser atualizada para servir melhor aos interesses de artistas e evitar transformar crianças em criminosos. Deveríamos estar fazendo isso.

Ideias como “uso justo” têm que ser centrais e protegidas para possibilitar a existência de ambas as culturas criativas: a comercial e a do compartilhamento.

E é preciso haver liberdade, que significa permissão para qualquer um usar sua capacidade de criar.

O “Creative Commons” oferece a autores a possibilidade de marcar seus conteúdos com as liberdades que pretendem que a obra carregue.

Lawrence Lessig, professor de direito de Harvard (EUA) e um dos grandes ativistas da  flexibilização das regras de propriedade intelectual.

Quem é mais influente, Twitter ou Facebook?

O Guardian reuniu vários dados sobre o assunto. A rede social de Mark Zuckerberg continua crescendo: se aproxima de atingir a marca de 800 milhões de usuários e segue conquistando novos mercados. Apenas na América Latina, o crescimento é de 60% ao ano.

Em mercados maduros, os números também impressionam. Nos EUA, houve crescimento de 22% de usuários únicos entre junho de 2010 e setembro de 2011. No total, são 155 milhões de cadastrados. O tempo médio gasto por pessoa cresceu de 6h 2min para 7h 42min.

Já o Twitter tem 200 milhões de cadastrados. Nem todos ativos. Se os números absolutos estão distantes do Facebook, o Twitter ganha em engajamento. Para o setor de mídia, o Twitter é uma bela opção: promover conteúdo noticioso é destaque por lá.

No celular, o serviço de mensagens curtas reina. Segundo pesquisa da comScore, 13,5% dos usuários do Twitter são móveis, contra 7% do Facebook e 5% do LinkedIn.

 

Eu nunca fui a um show do R.E.M.

Dia desses, li Conversa sobre o tempo. Nele, Luís Fernando Veríssimo faz uma avaliação perspicaz. Depois de um tempo, um casal tende a diminuir o desejo físico. Aí, sobra a amizade. Para ele, é curioso como as pessoas tendem a falar isso como algo ruim, um prêmio de consolação. O mesmo ocorre quando um relacionamento termina. “Como ousa propor sermos amigos?”

O R.E.M. disse adeus na última quarta. Foi uma despedida serena: sem escândalos, sem controvérsia. O grupo já havia feito o mesmo antes. Bill Berry, o baterista da formação original, anunciou que ia sair do grupo numa entrevista coletiva. Ao seu lado estavam os companheiros de banda. Nos anos seguintes, Berry se juntou ao R.E.M. em breve participações.

Nunca esqueci disso. A separação não representa o fim definitivo. Pode inaugurar uma nova etapa, um novo tipo de relação. Se você vê apenas tragédia na ruptura, sua vida será uma terra de mortos-vivos. A pessoa está lá, disponível, mas você se apega à magoa. O tamanho da distância é você que constrói. Um simples telefonema não é possível. E a culpa sempre é do outro. Isso vale também para a arte. Deixo de acompanhar uma banda e passo a vê-la como algo menor. Não sei muito bem o que está acontecendo, mas julgo.

Na maioria das vezes, vi manifestações de agradecimento em relação ao fim do R.E.M. Muitos louvavam a atitude da banda, seus feitos artísticos, a beleza de seus clipes, sua capacidade de trilhar um caminho próprio. Respeitando o que acreditavam, criaram uma nova postura. O cenário independente deve muito a eles.

Mas uma observação me intrigou. Alguns disseram que a banda passou do tempo de acabar. Esse papo é meio comum atualmente: a despedida do White Stripes foi recebida da mesma forma. São pessoas que, provavelmente, nem acompanhavam mais a banda. Não com atenção. Apontam como grandes feitos do grupo a década de 1990, de sucesso comercial, ou o período inicial, 1980. Ser desconhecido vira vantagem: a obscuridade dos iniciantes é apreciada pelos “especialistas”. O começo representa a festa privada. Depois, vem a explosão. Poucos querem ficar do lado de fora da discoteca lotada. Em seguida… A década 00 foi tida como ressaca.

Para mim, a arte é uma experiência pessoal, que pode ser compartilhada. Mas não precisa disso para ser legitimada. Up, um fracasso comercial do R.E.M., foi sucesso lá em casa. Walk Unafraid, um hit particular.

No mundo pop, é curioso como muitas vezes se ressalta qualidades que nada tem a ver com a música, como “presença”, “estilo”… Isso poderia servir como algo válido se fosse além da espuma. Mas o ídolo é transformado em produto perecível. O que numa criança seria algo censurável, no palco é alardeado. Mesmo o clichê soa “sincero”, desde que o espetáculo siga sempre o mesmo roteiro. Também se cria uma hierarquia elitista sobre o que é bom e o que é lixo. Os critérios são frágeis, mas são defendidos com afinco.

Claro, também aprecio os astros “mal-comportados”. Não estou escolhendo um amigo e sim o que vou escutar. Nesses casos, o que importa é a obra, não a biografia pessoal.

Mas também aprecio bandas por motivos para além da música. Muitas me inspiram. Por isso não entendo como tantos conseguem ver atitude apenas no exagero ou em aspectos tolos. É um ato não sincero louvado por pessoas que se relacionam com a música através de uma paixão ensaiada. Deve ser porque é possível comprar discos, roupas, mas não existe comércio para comprar um quilo de atitude. Hoje nem é preciso pagar pela música. Ela está aí, disponível. O acesso é fácil, mas manter conexão é mais difícil. Exige dedicação.

Temo que muitas dessas críticas decorram do fato da banda ter prosseguido, com se não fosse possível envelhecer “com dignidade”. Nós seguimos, com deslumbres tolos. Bandas duram um single, se muito. Consome-se música como se acompanha as novidades da moda. Confunde-se as tendências (lançadas) com o estilo (pessoal). Quem continua na mesma toada está por fora. O certo seria abraçar o todo. A atitude, tão louvada no discurso, só vale no coletivo. É uma arma retórica para patrulhamento.

Evidentemente, acompanhar a carreira de um grupo não significa segui-lo irrestritamente. Todavia, há uma diferença entre espírito analítico e cinismo, essa arma “moderna” de defesa. Eu não crítico aquilo que discordo, mas sim o que não possuo (e gostaria de ter). Em casos extremos, eu quero que algo seja proibido porque desperta meu desejo.

Mesmo assim, ainda posso ser arrogante e dizer quando algo deve acabar. Sou o fiscal do prazo de validade artística. Se um músico se consagrou por obras originais, qualquer resultado “inferior” é sinal de declínio. Coitado, vira um chef que não é apreciado quando faz um simples ovo mexido. O êxito (externo) vira cobrança pessoal. A conquista só é válida quando desperta a atenção dos demais.

Certa vez, Fernando Meirelles disse que não gostava de ler críticas porque, muitas vezes, quem analisa não comenta a obra que vê, mas sim a que ele esperava. Certeiro.

A base da minha relação com o R.E.M. era manter esse olhar sem (pré-)conceitos. Em alguns momentos, a banda despertou minha admiração por arriscar (Monster). Noutros, por oferecer mais do mesmo (New Adventures in Hi Fi). Mesmo nos casos em que não me agradou por completo (Reveal), não houve decepção. Havia sempre um belo alento, musical e/ou visual: Imitation Of Life. Se tivesse tropeçado, não faria diferença. Relações duradouras devem ser pautadas pela quantidade/qualidade das realizações positivas, não por falhas. Não persigo nos outros o que não posso oferecer. Perfeição.

Vacilo mesmo foi não tê-los conferidos ao vivo. Por motivos variados, que hoje soam pequenos, tive chances, mas não fui. Não faz mal. Essa história é longa. Há belos momentos privados em que a música deles serviu de trilha sonora.

Outros artistas que admirei, muito alardeados pelo exagero, ficaram para trás. O R.E.M., com a força de exemplos calmos, permanece. Mesmo tendo encerrado suas atividades.

Imagens daqui, daqui e daqui.