bob dylan

Saiu mais um álbum da série bootleg (rascunhos de músicas ou gravações piratas lançadas oficialmente) de Bob Dylan: The Witmark Demos: 1962-1964. No disco duplo, irá ouvir demos e ideias embrionárias de canções como The Times They Are A-Changing e Mr. Tambourine Man (imortalizada pelo The Birds).

Imagem via tumblr dailydoseofdylan.tumblr.com/

Bildungsroman

Um grande amigo meu, Eldon, precisa de doação de sangue para realizar uma cirurgia urgentemente. Do contrário, pode sofrer derrame. Local para doar: Fujisan (Avenida Barão de Studart, 2626, Fortaleza-CE). Nome do paciente: Eldon Machado Bezerra (hospital São Carlos). Se não puder doar, ou não está nessa cidade, peço que pelo menos divulge essa informação entre seus contatos.

Caracterizar Eldon como amigo é incompleto. Sua participação na minha vida vai além da mera camaradagem. É alguém que colaborou na minha formação.

Meus pais são maravilhosos. Deram-me a segurança para honrar meus sonhos. Se fracassar, sempre posso voltar para o ninho. Serei abraçado, não questionado.

Além deles e de outros familiares, muitos contribuíram para minha educação afetiva. Fico feliz por ter conhecido tantas pessoas que ampliaram minha sensação de segurança e proteção. Entre elas, Eldon é um dos mais importantes.

Estranho é o ser quando jovem. O processo de construção da identidade se acentua no período mas, mesmo quando é acolhido pelos pais, não acha que é entendido pelos mais velhos. A rebeldia é uma coisa boa: é o ser construindo seu próprio caminho. Ele está negando o que não deseja, tentando encontrar quem quer ser. Mais do que ser especial, queremos ser únicos. Infelizmente, muitos pais julgam, não compreendem. A culpa não é deles. É difícil assimilar o que não viveram. Até porque muitos são guiados pelo desejo de proteção da cria. Qualquer rota mais arriscada (ou influência externa) vira ameaça.

O crescimento é individual, mas a aprendizagem pode ser compartilhada. Basta encontrar seus iguais. “Sou mais eu, quando sou tu” (Paul Celan). Os incompreendidos se entendem. A inquietação de se achar excluído é substituída pela inquietação de compartilhar.

A cumplicidade não é baseada apenas nos interesses a fins. Nada mais incoerente que um jovem que procura mais do mesmo, que já tem tantas certezas. Também se mira o novo. No delicado livro Só Garotos, a cantora Patti Smith narra o processo de crescimento compartilhado com seu amigo Robert Mapplethorpe. Ao chegar em Nova York, conheceu Robert. A partir daí, se encontrou.

Eldon faz parte da minha vida desde o colégio. Nos conhemos na sétima série. Depois de trocarmos vários filmes em VHS, fomos estudar juntos. Só conversamos. Resultado: tirei nota vermelha. Valeu a pena. Essa conversa continua até hoje.

Nunca me preocupei em saber quais seriam as boas atrações do fim de semana: você era minha agenda cultural. Aliás, seria inócuo procurar nos jornais o que apenas você sabia.

Já fomos para uma festa “imperdível” em que tivemos de pegar ônibus, depois táxi para só chegar ao destino duas horas depois. E de carona numa bicicleta. Já dormimos em carro para aproveitar o carnaval.  Também já estivemos numa feira da música reduzida. Só havia um pequeno quiosque de uma loja de discos e uma cantora iniciante nitidamente constrangida com o escasso público e estrutura mínima do evento. Até em show de axé fomos vistos. Nossa participação foi perpetuada: era a gravação de um álbum ao vivo.

Na maioria das vezes, estávamos vestidos de escuro. O som melancólico das bandas britânicas dos anos 1980 nos guiava. O tom triste das canções contrastava com nossa alegria em dançá-las. Se alguns se soltam apenas no chuveiro, não tínhamos medo de sermos (desengonçados) dançarinos felizes em público.

Mesmo sem grana, nos divertíamos. Já fomos numa distante festa de réveillon sem saber bem como voltar para casa. Para os outros, éramos os mais empolgados. Na verdade, só abandonávamos a discoteca quando os ônibus voltavam a circular. No outro dia. O que nos garantiu conhecer personagens bem curiosos.

Livros, filmes, HQs, games… Consumíamos o que atraia as demais pessoas da nossa idade, mas só isso não bastava. Os filmes mais alternativos, nas sessões mais impróprias, despertavam nosso interesse. Já pedi para alguém fingir que era meu pai para poder assistir Trainspotting no cinema. Você, mais velho um ano, não tinha esse problema. Fatos inusitados como esse eram recorrentes. Já tivemos de correr porque o ônibus, o último dessa rota no dia, deu prego num bairro perigoso. Os integrantes de uma gangue ameaçaram baixar e dar uma “geral”.

Foi curioso ver você correr. No colégio, quando os professores de educação física jogavam mais de 30 alunos num campo para jogar futebol, nós contabilizávamos nossos chutes. Ganhava quem tocasse menos na bola. Quando nos mandavam correr em volta do ginásio, íamos no esconder na praça próxima. Nos molhávamos para parecermos suados e retornávamos, no final do exercício.

Mesmo fazendo tanta coisa em comum, éramos diferentes. Eu não bebia, tampouco fumava. Você, filho único. Eu, com três irmãos. Eu tinha o riso fácil. Você, um humor mais ácido. Se havia interseções em nossos gostos culturais, você ressaltava muito do que eu apreciava como imperfeições. Como o fato de adorar bandas grunge. Mesmo quando você AINDA gostava de artistas do gênero, havia diferença. Eu optava pelo Pearl Jam. Você, Nirvana.

Acima de tudo, havia humor. O grande mentecapto passou por todos do nosso grupo, o que deve ter influenciado. Em grande parte, um tirava sarro do outro. Para falar a verdade, nem precisávamos do fim de semana. Durante a aula, já nos divertíamos muito. No último ano, quando muitos estavam preocupados com o vestibular, você criou uma fileira especial na sala de aula: era o único integrante. Ao invés de começar na frente da sala, perto do quadro negro, você sentava numa fileira que iniciava… no final da classe. Entre outras coisas, isso deixava você mais perto da tomada para colocar seu aparelho de som. O que permitia escutar música brega durante a aula do professor que tinha problemas auditivos.

Era um grupo engraçado para se levar a sério: um dos nossos -que, entre outras coisas, levava saco de pão para as calouradas para não gastar, que usava um carro vintage Lada (imagem acima) para nos transportar- foi o primeiro lugar no vestibular da Federal do Ceará.

Muitos faziam parte da nossa turma. Num colégio de visões conversadoras, não ignorávamos os gays e outros excluídos (como muitos faziam). Com o tempo, o bando se fez grupo. Você montou sua banda de rock. Eu, fui brincar de ser DJ. Antes, você montou um bar (chamado 69), juntamente com o Paulo. Você era o cozinheiro (?) Isso tudo para podermos escutar as músicas que gostávamos. Não tínhamos tempo para reclamação. Fazíamos.

Quando saíamos a noite, procurávamos por bares em que pudéssemos sugerir o que tocar. Quando as opções foram ficando escassas, fomos acolhidos no bar do divertido homossexual Batgirl. Era o único bar tocando Joy Division da região. Creio que em toda a cidade.

Muitos ficam velhos; poucos amadurecem. Curiosamente, os anos que estivemos mais distantes foram os que eu mais “envelheci”. Sempre gostei mais de mim quando nossa turma estava junta. Não porque sou aceito sem restrição. Amigo não é só o confidente e cúmplice, mas também aquele que sugere. E critica. Enfim, que quer o melhor para o outro.

Tendo passado grande parte de 2010 hospitalizado, você não perdeu o humor. O papo é leve e descontraído, como sempre foi. Manteve também o afeto. No hospital, você me apresenta para os demais como irmão. Numa época que tantos afortunados reclamam de fatos pequenos, você nunca perdeu a esperança. Nem eu. Por isso, peço que ajude meu amigo a continuar lutando.

Na literatura, há um termo para descrever os “romances de formação”: “Bildungsroman“. São obras que narram o desenvolvimento do protagonista. Da infância à idade madura. Dizer que te amo é pouco. Sem você, seria outro. Sem você, quem eu seria?

Geek fashion: bolsas para nômades digitais

Esse não é um anúncio publicitário. Até é, mas de forma espontânea.

Transumers, nômades digitais… Há diversos nomes para designar esse novo segmento da população que desempenha trabalho remoto ou busca uma vida de experiências “sem fronteiras”.

Trabalho há algum tempo de forma remota. Já escrevi por aqui algumas dicas para quem quer optar por esse caminho.

Hoje, os profissionais contam com inúmeras traquitanas eletrônicas que permitem trabalhar em qualquer lugar: celulares inteligentes com 3G, pen drives, discos rígidos externos, netbooks, tablets… Embora esses gadgets estejam cada vez mais compactos e leves, há o desafio de embalar eficientemente esse material para poder andar livremente por aí.

Mochilas, bolsas estilo carteiro… Aí vai de cada um. Todavia, a maioria das opções são precárias. Muitas são de pano (e se chover?), com poucos compartimentos internos (como organizar eficientemente os diversos aparelhos eletrônicos? Deixa-se tudo jogado?). Algumas delas são bem feias. Se são mais “jeitosas”, duram pouco: começam logo a entregar a passagem do tempo.

Essa é uma lição que os computadores e celulares demoraram para aprender: não basta ser funcional, mas também visualmente belo.

Há quem opte pelas bolsas de marcas vinculadas a produtos eletrônicos. Os amantes do alheio agradecem: você facilita o trabalho para eles. É a geolocalização do roubo.

Depois de jogar muito dinheiro fora, descobri a marca Timbuk2. Tem fala de Highlander, de produtos que duram, são resistentes (nesse post, já conferiu utilizações inusitadas do produto). Em tempos de obsolescência programada, em que os produtos já saem da fábrica com prazo de validade menor, já é um alento. O produto foi criado por um mensageiro ciclista em 1989, em São Francisco (Califórnia – EUA). Ele buscava desenvolver um produto que realmente durasse.

Deu certo. Além da durabilidade, os produtos da Timbuk2 também tem estilo e são funcionais. Há produtos que, claramente, não foram testados eficientemente, sua usabilidade é precária. Não é o caso aqui. A marca foi adotada por esportistas e pessoas que trabalham na economia criativa (jornalistas, designers etc.) Muitos customizam suas bolsas.

Os modelos são variados: há os mais esportivos, específicos para mulher, para atividades profissionais (essa Snoop Camera Messenger é uma maravilha; foto abaixo). A mais popular é a Classic Messenger.

Nelas, poderá encontrar inúmeras vantagens: oferta do produto em tamanhos variados, diversos bolsos internos organizadores (Porta chaves, celular, dentre outros), é impermeável, exterior em nylon balístico (material resistente que dá ao produto um visual muito bonito), Loop para flasher de bicicleta etc. Vale a pena.

Imagens via blog da marca

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Máquinas possuem bom gosto?

Para quem não quer perder tempo vasculhando por aí, há ótimos agregadores de conteúdo (Hype MachineShuffler.fm…). Por outro lado, serviços de recomendação baseado em suas preferências (aliás, sabem como eles funcionam? – dica via @Julio_Valentim) são falhos. Na maioria das vezes, indicam escolhas óbvias, não cavam “fundo”. Amplificam o que já foi sintonizado, não aumentam o volume dos novos sons.

O que poderia ser uma alternativa para o mainstream (top-down, de cima para baixo), ajuda a consolidá-lo.

Isso porque, mesmo sendo um sistema bottom-up, muitos-muitos, essa filtragem colaborativa é baseada em experiências pessoais que foram moldadas na cultura de massa. Ou seja, o serviço amplifica gostos assimilados na indústria cultural. Ela pode estar fragilizada, não morta. Ademais, muitas vezes as pessoas procuram os grandes temas, o assunto comum. Veja o fascínio que os trend topics (ranking dos assuntos mais comentados) do Twitter despertam.

Há outro problema. Steven Johnson, no livro Cultura da Interface, analisa os agentes inteligentes, cujo objetivo é antecipar nossas necessidades, bem como teriam a capacidade de diferenciação estética (avaliando nossos gostos em relação a cinema e música, por exemplo).

Para Johnson, uma das deficiências desses sistemas de feeback seria a dificuldade em lidar com nossas reações subjetivas: “Gostos, afinal, não se traduzem facilmente em fórmulas simples” (p. 141).

No ano passado, me inscrevi no site Jinni.com, cujo objetivo é sugerir filmes condizentes com seu gosto pessoal. Você assinala algumas obras que julga interessante. O sistema promete entregar outros filmes similares. O algoritmo do serviço se mostrou precário. Como respostas, obtive apenas filmes estrelados pelos mesmos artistas, películas dirigidas pelos mesmos diretores… Meu esforço, de marcar filmes de outras nacionalidades, não foi recompensado. A maioria das recomendações eram de filmes norte-americanos.

Surge outra limitação: o tamanho do catálogo desses serviços. No mundo digital, há multiplicação de produções criativas, já que não é necessário contar com o suporte da indústria cultural. Os mecanismos para produzir filmes e gravar músicas estão cada vez mais acessíveis. Entretanto, esse “atalho” pode apontar para um beco sem saída. A abundância gerada dificulta o “consumo” dessas novas propostas artísticas. Como esses sistemas de feedback seriam capazes de recomendar o que desconhecem, aquilo que não compreendem?

Outros serviços se saem melhor que o Jinni. Eles registram, em tempo real, nosso consumo cultural. De toda forma, não conseguem captar efetivamente nossos padrões de gosto e aversão, quiçá possíveis inclinações. Nosso apetite cultural é saciado com as mesmas refeições. O prato do dia nunca muda.

(Outra iniciativa precária foi o serviço de sugestão de perfis que deveria seguir no Twitter. O novo recurso da plataforma de mensagens curtas revelou-se um festival dos consagrados. Geralmente, recebia dicas de perfis com grande número de seguidores (dos que tem poucos contatos, mas boas dicas, nada). Muitas contas, inclusive, eu já havia deixado de seguir anteriormente. De início, pensei que o papo era comigo. O serviço estava me ensinando a perdoar, a importância de conceder segundas chances. Depois, vi que o serviço me tratava com um qualquer. Nem me sacava, aliás. Olha que ainda tentei ajudar, excluindo alguns nomes. Resultado: no final, o serviço já havia me recomendado os três candidatos mais votados para a presidência do Brasil. Só faltou os nanicos. Acredito que faltou a eles um número significativo de seguidores).

Eis um exemplo hipotético: gosto do seriado True Blood, que aborda um universo de fantasia sobre vampiros, lobisomens etc. Um sistema de gostos televisivos a fins, provavelmente, iria me recomendar outro programa de temática similar, Vampire Diaries. Quem acompanha esses programas percebe que existe uma grande diferença de proposta artística. Gostaria que o serviço mirasse para além do óbvio, do senso comum, me recomendando séries menos visadas, como Ugly Americans e Neighbors from Hell. Esses sistemas de filtragem coletiva não compreendem realmente nossas necessidades, não conseguem mapear eficientemente nossos anseios. Ele não me ajuda a explorar, a selecionar conteúdo nessa abundância de possibilidades.

(Aliás, somos limitados. Falamos em transmídia, convergência entre os meios, hibridismo nas artes pláticas, mas ainda buscamos experiências específicas. Porque um serviço não se propõe a mapear meu consumo de mídia, sendo capaz de sugerir atrações na tv, web, novos sons, artes visuais, filmes etc.? Dessa forma, ele ampliaria minha perspectiva cultural, não apenas o consumo de uma mídia específica).

Por isso, acredito que um olhar pessoal atento ainda é importante (faço a minha parte em relação a músicasfilmes). Seja através de redes sociais ou publicações próprias (blog, twitter, tumblr etc.). O trabalho de curadoria identifica tendências, acontecimentos que muitas vezes não são captados pelos veículos mainstream.

Desse filtro pessoal, surgem ótimos contatos: o diálogo entre pessoas que compartilham interesses similares. Adoro o efeito multiplicador, receber dicas via e-maill. Muitos são estrangeiros. Os próximos também participam: um grande amigo meu, Matheus Carvalho, manda recomendações da Austrália! Valem também as dicas através do “mundo real”. Comecei grandes amizades assim. Muitas surgidas ainda no colégio.

Não se trata de escolhas visando ser especial, criar uma recorte entre seus gostos e os demais (“veja como sou antenado”). Na verdade, se quer compartilhar, criar pontes de interseção.

Uma camisa de uma banda, portar um CD de um ídolo já serviram para iniciar conversas… Que duram até hoje. Antes, emprestávamos CDs, gravávamos mixtapes em fitas cassetes. Hoje, compartilhamos arquivos digitais. Online, através de pen drive, Bluetooth…

As possibilidades de compartilhar são vastas. O que não muda é o prazer de escutar: “Charles, coloquei no seu pen drive uma banda que é a sua cara”.

PS - Esse post é dedicado a um maravilhoso amigo, Eldon. Amo desde a sétima série. Se pesquiso na Amazon, por exemplo, produtos da banda New Order, o maior site de e-commerce do mundo me recomenda outros artistas de renome da década de 1980: Depeche Mode, The Smiths, Tears For Fears, Pet Shop Boys… Há pouquíssimas sugestões para além do óbvio. Prefiro as dicas certeiras do Eldon, como o maravilho grupo Railway Children (Every Beat Of The Heart é uma das minhas preferidas; escute abaixo). Nem preciso pedir. O gesto é altruísta, assim como todas suas ações.

Railway Children – Every Beat Of The Heart

Veja também:
A influência dos sites musicais
Onde escutar música online e descobrir novos sons; buscador vasculha rádios online em tempo real

Se democracia é escolha, por que alguns teriam suas possibilidades limitadas?

Se

Rudyard Kipling
Tradução: Guilherme de Almeida

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti, quando estão todos duvidando,
E para esses, no entanto, achares uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares;
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais nem pretensioso;

Se és capaz de pensar, sem que a isso só te atires;
De sonhar, sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires
Tratar da mesma forma esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder, e ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
A dar o que for que neles ainda existe;
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste”!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
E, entre reis, não perder a naturalidade;
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade;
Se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra, com tudo o que existe no mundo,
E – o que é mais – serás um Homem, ó meu filho!

Zombie, Cranberries

Another head hangs lowly,
Child is slowly taken.
And the violence caused such silence,
Who are we mistaken?

But you see, it’s not me, it’s not my family.
In your head, in your head they are fighting,
With their tanks and their bombs,
And their bombs and their guns.
In your head, in your head, they are crying…

In your head, in your head,
Zombie, zombie, zombie,
Hey, hey, hey. What’s in your head,
In your head,
Zombie, zombie, zombie?
Hey, hey, hey, hey, oh, dou, dou, dou, dou, dou…

Another mother’s breakin’,
Heart is taking over.
When the vi’lence causes silence,
We must be mistaken.

It’s the same old theme since nineteen-sixteen.
In your head, in your head they’re still fighting,
With their tanks and their bombs,
And their bombs and their guns.
In your head, in your head, they are dying…

In your head, in your head,
Zombie, zombie, zombie,
Hey, hey, hey. What’s in your head,
In your head,
Zombie, zombie, zombie?
Hey, hey, hey, hey, oh, oh, oh,
Oh, oh, oh, oh, hey, oh, ya, ya-a…

Acima, um dos grandes hits dos anos 1990 (clipe abaixo). A banda começa hoje, em São Paulo (Credicard Hall), sua turnê pelo Brasil. Depois seguem para Florianópolis, Brasília, Recife e Fortaleza.

Atualização: a banda tocou ontem no Rio de Janeiro – Valeu pela dica, @Lu_Pinheiro

Cranberries – Zombie [clipe]