Dirty Diaries: erotismo mainstream
Há muito tempo, escrevi por aqui sobre literatura erótica. Na ocasião, comentei sobre várias obras que dialogaram com um público mais amplo, e não miravam apenas uma audiência segmentada. Esse mesmo movimento pode ser observado no cinema.
Durante muito tempo, a indústria pornô foi vista como entretenimento masculino. Essas obras seriam a dramatização de fantasias dos homens. Por isso, os filmes seriam carregados de gemidos exacerbados, mulheres siliconadas etc. Tudo soaria falso e superlativo.
E se surge um novo olhar sobre o assunto, agradeça às mulheres. E às novas tecnologias, que possibilitam novas abordagens sobre os mais diversas assuntos. No final desse post você confere o trailer do projeto coletivo Dirty Diaries [censura 18 anos]. O filme é formado por 12 curtas, que foram dirigidos por suecas. Elas filmaram o material com celulares. O objetivo do projeto é repensar a pornografia.
A iniciativa lembra o filme francês Intimidade. Dirigido pela cineasta Patrice Chéreau, a obra ia além, mostrando cenas típicas de filme pornô (com participações de astros do cinema erótico, inclusive).
No meio termo, há Nove Canções do cineasta Michael Winterbottom, do ótimo A Festa Nunca Termina.
Existem também outras obras que trilham caminhos mais polêmicos, como Irreversível. Muitas vezes, apostando numa mistura de sexo e violência. Outro que causou muito barulho foi Buffalo 66, dirigido por Vincet Gallo (mais conhecido por seu trabalho como ator).
Quem também gosta de tatear temas polêmicos é Todd Solondz, que dirigiu os explosivos Histórias Proibidas e Felicidade (nesse ano ele está lançando filme novo, Life During Wartime). Consegue resultados bem melhores que Larry Clark, diretor do horrível e apelativo Ken Park e do muito contestado Kids.
Se muitos causam estardalhaço, De Olhos Bem Fechados, dirigido pelo genial Stanley Kubrick e protagonizado pelo então casal Tom Cruise-Nicole Kidman, pouco entregou, apesar da grande expectativa criada pelo ótimo trailer (veja abaixo).
(As cenas desse filme e a canção de Chris Isaak, Baby Did A Bad Bad Thing… É um dos melhores casamentos trailer e canção que já vi)
Outros filmes que apresentaram um pouco mais de pele nas telas: Corpos Ardentes (dirigido por um dos grandes nomes do cinema norte-americano nos anos 1980, Lawrence Kasdan), 9 1/2 Semanas de Amor (estrelado por Mickey Rourke e Kim Basinger) etc.
Claro, esse movimento não é novo. Vez por outra, surge um novo ciclo, para sumir pouco tempo depois. Em 1992, Instinto Selvagem, estrelado por Michael Douglas e Sharon Stone, foi um grande sucesso no cinema. Logo em seguida, outras obras tentaram embarcar nesse mesmo filão, mas malograram: Invasão de Privacidade, A Cor da Noite (com Bruce Willis e Jane March, que conseguiu esse papel após fazer o também “quente” O Amante), Jade (de Joe Eszterhas, um dos roteiristas mais valorizados dos anos 1990; ele também escreveu Instinto Selvagem, Showgirls e Invasão de Privacidade), A Fuga (com o então casal Alec Baldwin e Kim Basinger) etc.
Se voltarmos ainda mais no tempo, vamos encontrar Último Tango em Paris (1972), no qual Marlon Brando descobre os poderes eróticos da manteiga. O mesmo diretor desse filme, Bernardo Bertolucci, voltaria a abordar novamente os caminhos libertinos do sexo em Os Sonhadores.
No Brasil, destaca-se Um Copo de Cólera, protagonizado por outro casal, Alexandre Borges e Júlia Lemmertz. O filme transpõe para a tela grande o livro de Raduan Nassar. Há também o polêmico Cama de Gato, longa protagonizado por Caio Blat.
Dirty Diaries – trailer
![CD [por Charles Cadé]](http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/uploads/logo/CDLogo02.png&w=&h=)