Economia criativa e inovação como políticas de governo

O Ministério da Cultura (MinC) lançou ontem o Plano da secretaria da economia criativa. Nele, são apresentadas as políticas, diretrizes e ações que devem ser perseguidas entre 2011 e 2014 nesse setor.

Há mudanças interessantes ocorrendo no Governo Federal. Após adicionar Inovação ao nome, O Ministério da Ciência e Tecnologia parece começar a dar atenção a setores historicamente negligenciados, como incentivar o entretenimento eletrônico no país.

Agora é a vez da pasta da Cultura despertar e criar políticas de incentivo à indústria criativa. Resta saber se os governos estaduais e municipais seguirão a mesma toada. E se o Governo Federal irá além do discurso. Até porque os dois ministérios possuem verbas limitadas, se comparados com o orçamento destinado a outras pastas.

Há espaço para crescer. Um dos mantras que aprendi quando trabalhei num Centro Internacional de Negócios é que é mais vantajoso oferecer um produto com valor agregado do que apenas comercializar a matéria-prima. Não exporte o algodão, venda a roupa.

Ademais, para que esses setores possam contribuir de forma ainda mais significativa para o desenvolvimento do país, é necessário investir em recursos humanos, incentivos fiscais (principalmente para as microempresas; aliás, ‘tá demorando para sair do papel essa Secretaria da Pequena Empresa)  e mapeamento das regiões do país, identificando lacunas e potencialidades de cada local. Assim, é possível ver o todo, evitando a mesma disputa fragmentada que marcou as décadas passadas, quando muitos estados atraíram empresas, com grande isenção de impostos. Houve um leilão de vantagens, com visão de curto/médio prazo.

Todavia, de nada vai adiantar se o esforço não envolver as diversas esferas do Estado. Ou se os projetos forem descontinuados quando houver mudança de governo. Mesmo representando politicamente a continuidade, o MinC abandonou vários projetos de cultura digital da gestão anterior. Ou seja, anuncia agora que quer incentivar a economia criativa. Por outro lado, ainda mostra grande simpatia por leis retrógradas de direitos autorais, o que freia a inovação.

Também não é o caso de apenas cobrar o Governo. As empresas tem de investir, abrir o bolso. É necessário também existir colaboração entre a iniciativa privada e a academia. Enfim, muitas frentes devem agir.

Há problemas também em quem milita na indústria criativa. Ao produzir festas, ficava chocado com a falta de visão dos empresários, Tudo vira gasto, nada é investimento. Por outro lado, ativistas culturais muitas vezes não querem lidar com o lado comercial/administrativo das iniciativas. Aliás, muitos procuram apenas o glamour do setor. No cinema, a maioria quer ser diretor. Na moda, estilista. No máximo, stylist. A cadeia produtiva, claro, vai muito além do holofote.

Olhar para a tecnologia/inovação, indo além dos gadgets, e abordar a dimensão econômica da cultura é algo que esse blog persegue. Para quem quer saber um pouco mais sobre a geração de negócios criativos, a Época Negócios fez uma boa reportagem sobre o tema. Outro pedida é ler o texto que a mesma revista produziu sobre como Israel se tornou um celeiro de inovações tecnológicas.