Eros uma vez (literatura erótica)
Muitos autores já malograram na tentativa de versar sobre sexo. Todo ano, aliás, é escolhida a pior cena de sexo publicada num livro (Bad Sex Awards). E autores renomados já levaram o “prêmio”.
Grandes sucessos não ficaram imunes às críticas. “Onze Minutos”, de Paulo Coelho, foi bastante contestado. “A Casa dos Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro, é outro exemplo.
Até os grandes nomes tem dificuldade de lidar com o tema. Receoso, Drummond só permitiu que seus poemas lascivos fossem publicados após sua morte (livro “Amor Natural”).
De toda forma, há escritores que são bastante identificados com essa temática, abordando-a de forma mais direta: Anais Nin, Henry Miller, Raduan Nassar (em especial “Copo de Cólera”), Vladimir Nabocov etc. Outros optam por uma verve mais cômica, como Hilda Hilst (“Bufólicas”) e Luís Fernando Veríssimo (“Sexo na Cabeça”). Marquês de Sade conseguiu a proeza de transitar pelas duas frentes.
Poucas mulheres citadas? Fernanda Young certa vez comentou que os homens obtêm os melhores resultados quando falam de sexo. Segundo ela, as mulheres idealizam demais o ato, e acabam esquecendo sua conotação “animalesca”. Como exemplo há Nélida Piñon, que em “A Casa da Paixão” traz uma mulher transando com o sol.
Piñon parece ter mudado em seu livro “Vozes do deserto”. Em entrevista ao jornal O Globo, ela afirmou que Neste livro fui mais direta, porque não podia ser de outro jeito. Nunca uso “fazer amor”. Tudo é sexo. É cópula, fornicação, o coito, o falo, a vulva. Não foi minha intenção ser pornográfica, chocar, mas eu não poderia me esquivar de descrever estas cenas.
Em “O Trágico e Outras Comédias”, Veronica Stigger opta por um caminho até mais “direto”. No conto “A Chuva”, ela escreve: “Imagina se um dia começasse a chover caralhos. Um monte de caralhos de todos os tamanhos e formas caindo do céu. Uns maiores, outros menores. Uns fininhos, outros bem grossos, parecendo toras. Caralhos grandes. Caralhos volumosos. Caralhos roxinhos. Caralhos pequenos, mas engraçadinhos, daqueles que dá vontade de chupar feito pirulito“.
Como diz Godard: “Tudo o que se mexe é pornográfico“.
Dica
No final do ano passado foi lançado o livro “100 Melhores Histórias Eróticas da Literatura Universal“, de Flávio Moreira da Costa.
![CD [por Charles Cadé]](http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/themify/img.php?src=http://cadedigital.com/wp-content/themes/basic/uploads/logo/CDLogo02.png&w=&h=)