Escrevendo roteiros [para TV e cinema]

A principal diferença é a quantidade de diálogo usada. A tela da TV é pequena, então, para ser visualmente expressiva, a câmera de TV deve estar próxima de seus objetos. Quando trabalhamos em planos fechados, naturalmente escrevemos mais diálogos. Também escrevemos mais diálogos para a TV, porque os orçamentos dela são geralmente menores do que os do cinema -e, embora diálogos custem muito em termos de criatividade, são relativamente baratos de filmar.

Robert McKee um dos mais famosos “treinadores” de roteiristas dos EUA, em entrevista à Folha de São Paulo, explica quais são as maiores diferenças entre escrever para a TV e para o cinema. Para ele, a TV estaria atualmente atraindo os melhores talentos.

Os alunos de McKee -diretores, atores, produtores, roteiristas e mesmo compositores de trilhas sonoras para o cinema- somam 94 nomeações ao Oscar, 26 delas conquistadas. McKee é autor de “Story”(ed. Arte&Letra, 432 págs, R$ 65), um dos livros mais prestigiados sobre escrever roteiros, que ganhou versão em português em 2006.

Todavia, o livro não traz fórmulas prontas: versa sobre dominar a forma das histórias e não das mecânicas da técnica. Por isso, McKee aconselha:

Eu apelo aos escritores que vençam a guerra contra os clichês ao adquirir um conhecimento profundo, através da imaginação e de pesquisa factual, sobre seus temas. Hoje recicla-se mais do que se cria. Fazemos filmes sobre filmes, e não filmes sobre a vida.