Jerome David Salinger
“Entregue-se aos encantos de Apanhador no Campo de Centeio“. Trecho de La Pastie de la Bourgeoisie, da banda Belle & Sebastian. A Folha publicou belo texto sobre os ecos na cultura pop da obra mais famosa de Jerome David Salinger, escritor que faleceu quinta, aos 91 anos de idade.
Pela internet, surgiram várias listas do tipo: 10 canções inspiradas na obra dele (dica via @correa_alex), The Salinger Playlist, galeria de personagens -do cinema, da literatura e TV – baseados no trabalho de Salinger etc.
Recluso, ermitão… Não dava entrevistas, tampouco permitia que tirassem fotos dele. Claro, isso desperta curiosidade. Todavia, o mais importante não é isso, mas sim a qualidade e repercussão de sua obra.
Curioso como muitas vezes consome-se o mito, não sua arte. Na música, bandas são elogiadas pela sua “atitude”, sua relação com a moda… A música vira um mero acessório.
No caso de Salinger, há muito o que apreciar. Não lançou muitos livros: Franny e Zooey; Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira & Seymour, Uma Apresentação; Nove Estórias… Não lançava novas histórias desde 1965. Para ele, publicar era uma terrível invasão da sua privacidade.
Seu livro mais conhecido é O Apanhador no Campo de Centeio. Lançado em 1951, a estória de Holden Caulfield virou um clássico da literatura.
Para os mais velhos, a personagem poderia ser vista como rebelde. Para os adolescentes, Holden Caulfield transparece os anseios e dúvidas dessa fase. Assim como o rock deu voz aos jovens, criando uma música de e para eles, “Apanhador” teve influencia similar para muitas pessoas.
É uma daquelas obras que não olham de fora determinado universo. Não se trata de uma visão que julga; apenas observa. Caminha nesse ambiente, absorve essa realidade, recriando-a de forma ficcional. O leitor se identifica, se reconhece no texto. Por isso, faz mais sentido ler quando se tem determinada idade. Os dilemas do personagem podem parecer fúteis para um olhar envelhecido.
Reza a lenta que, mesmo sem lançar nada comercialmente, o autor escrevia todos os dias. Quem sabe, com sua morte, essa(s) obra(s) sejam lançadas. Melhor assim. Apesar de toda a repercussão de sua obra, há um bom tempo a personagem mais debatida de Salinger era… o próprio autor.
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