Manipulando rankings na internet

“[...] estão desaparecendo os critérios tradicionais para dizer se algo é popular ou não. Por isso, fica todo mundo procurando qualquer critério objetivo de popularidade, especialmente na rede. E não tem jeito. Vamos ter de reinventar sistemas de reputação para a rede, tarefa que ainda está por fazer. Por ora, os gorilas vão continuar soltos.”

O especialista em direito autoral Ronaldo Lemos comenta o destaque obtido pelos termos “#Forasarney” (manifestação contra o presidente do Senado) e “#Gorillapenis” (uma brincadeira para mostrar como é fácil manipular rankings na internet) nos tópicos mais citados do Twitter.

Obviamente, o problema não ocorre apenas no serviço de mensagens curtas. Pesquisas na internet, não raro, são influenciadas por movimentos em massa. Nesse ano, a revista Time teve sua eleição de Pessoa Mais Influente do Mundo manipulada.

Nem sempre essas pessoas são movidas por propósitos maléficos ou querem fazer”pegadinhas”; muitas vezes são fãs que buscam apoiar quem admiram.

[Já recebi diversas vezes e-mails de campanhas para participar de votações sobre cidades turísticas (muitas delas apoiadas pelo Governo), melhores lugares para trabalhar etc.]

De toda forma, isso revela que, apesar de se propalar a ampla participação de pessoas que antes não participavam do processo de comunicação, quem possui conhecimentos sobre técnicas de informática (que ajudam a obter relevância online), leva vantagem na mídia social.

Além disso, apesar de vários serviços criarem rankings com o que há de mais relevante na rede (agregadores de conteúdo, sites que listam o que está sendo mais lido, os vídeos mais acessados etc.), isso não exclui o trabalho humano. A curadoria ainda faz sentido. [o que tem a ver com um projeto que vou lançar nesses dias]

É só dar uma passada no serviço de notícias do Google para perceber que muitas informações são agrupadas de forma descontextualizada, no lugar incorreto. O Google News indexa textos de várias fontes jornalísticas. Como o trabalho de triagem é mecânico, o serviço pode mostrar uma notícia cultural, por exemplo, na editoria de economia.

Imagem via Flickr de George Eastman House