Manipulando rankings na internet

“[...] estão desaparecendo os critérios tradicionais para dizer se algo é popular ou não. Por isso, fica todo mundo procurando qualquer critério objetivo de popularidade, especialmente na rede. E não tem jeito. Vamos ter de reinventar sistemas de reputação para a rede, tarefa que ainda está por fazer. Por ora, os gorilas vão continuar soltos.”
O especialista em direito autoral Ronaldo Lemos comenta o destaque obtido pelos termos “#Forasarney” (manifestação contra o presidente do Senado) e “#Gorillapenis” (uma brincadeira para mostrar como é fácil manipular rankings na internet) nos tópicos mais citados do Twitter.
Obviamente, o problema não ocorre apenas no serviço de mensagens curtas. Pesquisas na internet, não raro, são influenciadas por movimentos em massa. Nesse ano, a revista Time teve sua eleição de Pessoa Mais Influente do Mundo manipulada.
Nem sempre essas pessoas são movidas por propósitos maléficos ou querem fazer”pegadinhas”; muitas vezes são fãs que buscam apoiar quem admiram.
[Já recebi diversas vezes e-mails de campanhas para participar de votações sobre cidades turísticas (muitas delas apoiadas pelo Governo), melhores lugares para trabalhar etc.]De toda forma, isso revela que, apesar de se propalar a ampla participação de pessoas que antes não participavam do processo de comunicação, quem possui conhecimentos sobre técnicas de informática (que ajudam a obter relevância online), leva vantagem na mídia social.
Além disso, apesar de vários serviços criarem rankings com o que há de mais relevante na rede (agregadores de conteúdo, sites que listam o que está sendo mais lido, os vídeos mais acessados etc.), isso não exclui o trabalho humano. A curadoria ainda faz sentido. [o que tem a ver com um projeto que vou lançar nesses dias]
É só dar uma passada no serviço de notícias do Google para perceber que muitas informações são agrupadas de forma descontextualizada, no lugar incorreto. O Google News indexa textos de várias fontes jornalísticas. Como o trabalho de triagem é mecânico, o serviço pode mostrar uma notícia cultural, por exemplo, na editoria de economia.
Imagem via Flickr de George Eastman House

Daniel Monteiro
Jul 27, 2009 @ 15:38:07
Belo artigo Charles! Porém acredito que se trata de um problema mais antigo do que a nova mídia que se tornou a internet. Pesquisas, imagens, textos, matérias, rádios, TVs, jornais, etc, etc e etc são manipuladas de acordo com os interesses de diversos grupos a muito tempo.
Por isso, desacredito que a culpa seja do fator online e dinâmico da internet. E sim de uma tendência já que existe entre os diversos meios de comunicação de ser parcial em suas informações. Em suma, não existe em Comunicação, comunicador imparcial!
Um belo exemplo é um Reporter fotográfico. Por mais que se diga que ele deve ser imparcial, no momento que ele fecha o foco e escolhe o ângulo, lente e filme a ser usado para tirar a foto, ele já deu o ponto de vista dele sobre o que está retratando. E com isso acabou de ser imparcial.
A única grande verdade é que toda informação deve ser processada e absorvida com critério antes de ser tranformada em conhecimento! Não importa de onde ela venha!
charles c
Jul 27, 2009 @ 15:57:12
Daniel,
Obrigado pela contribuição. Amplia a abordagem com assunto.
Sobre as novas mídias, recursos técnicos permitem modificar o resultado final de pesquisas online.
Mas não só nessa área. Quem tem conhecimentos de SEO, ganha vantagem ao publicar conteúdo na rede. Há pessoas que fazem um trabalho muito bom mas, por desconhecer isso, não conseguem obter relevância.
É um dos desafios da internet.