Morre o escritor Moacyr Scliar
Moacyr Scliar sempre escreveu com a postura de médico: um pé atrás para observar o mundo, a coragem de meter as mãos nas piores partes do humano, a decisão de, mesmo nas horas difíceis, não se afastar da realidade. Foi assim, deslocado de seu centro, mais como observador que como inventor, que escolheu a literatura. Ainda menino, gostava de ir ao pronto-socorro do Bom Fim, reduto porto-alegrense da colônia judaica, para observar o atendimento aos pacientes e seu sofrimento. Nunca fugiu da dor. Sem ser hipocondríaco, sofria muito, desde cedo, com as doenças dos pais, que lhe despertavam medo e atração. O interesse pela dura verdade do corpo o levou à medicina, em que se formou em 1962.
Via O Globo. Li vários livros dele: O Olho Enigmático, O Exército de Um Homem Só, Os Vendilhões do Templo e A Orelha de Van Gogh, o meu favorito do autor. Adorava principalmente seus contos. Nos textos curtos, era mais nítida a influência do genial Franz Kafka e do grande Júlio Cortázar.
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