Não acorda; sonha!

Um jornal esportivo argentino estampou que os jogadores da seleção brasileira eram “humanos”. Isso porque a seleção falhou no seu intento de mostrar espetáculo. Ou seja, o que nos torna humano,o que nos aproxima é o erro, o ato de falhar.

Mas esse texto é para pessoas que vão além. Humano também é sonhar, mas não só. É tentar realizá-los. Os sonhos vêm de noite, mas quem disse que só pode ser assim? É só começar a praticar abrir os olhos. Começa-se mirando o teto. O olho, invariavelmente, não se contenta com a paisagem de concreto. Ele procura uma saída, e a janela mostra que a amplitude do que pode ser visto é muito maior.

Aquele “e se…” toma conta dos nossos anseios. Vai-se atrás. Num dia, você já não sabe mais onde começa o sonho e a realidade. O ato de dormir e sonhar não serve mais para vislumbrar o que está por vir; agora ele celebra as conquistas, reviver emoções. O sonho sonhado encontra o sonho vivido.

Que beleza o atleta de hoje olhar para trás e ver que o sonho do pivete peladeiro era até mais tímido que sua realização. E, no momento da realização, a alegria não é solitária. A corrida, meio desnorteada, procura o abraço dos demais.

Nesse momento de alegria compartilhada, ele lembra de onde veio, tenta prestar homenagem a quem o deu apoio. “Pai”, palavra símbolo da felicidade mais almejada, mesmo vindo de outrem. Afinal, uma conquista de um filho é muitas vezes mais valorizada que os feitos próprios. Até porque não se herda apenas genes, os sonhos também passam de geração para geração.

No final, o homem é agora todo menino. Pega a bola, e vai novamente abraçar a todos. Que nem guri depois da pelada. O sorriso bobo, de quem não tem medo de mostrar o seu contentamento consigo, está ali.

Mas engana-se quem pudesse ver nisso um ato egoísta. Na verdade, ele tira toda sua responsabilidade sobre o ato, e diz seguidas vezes que é um homem abençoado, sempre foi. Seu esforço fica minimizado, o feito contou com a ajuda do não visível. Deus, sonho… O menino permeia sua vida pelo algo mais, e não pela trivialidade da vida, apesar de seu caminho não ter nada de comum.

Fred, siga nesse rumo. Como escreveu Cecília Meireles, “Não sejas o de hoje. Não suspires por ontens… Não queiras ser o amanhã. Faze-te sem limites no tempo.” Hoje ele não dorme; o sonho veio antes de cerrar os olhos. E esse é o sonho mais almejado.

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Disseram que o Brasil havia jogado mal porque era o peso da estréia. Uma equipe que joga junto há tempos, ainda sofreria com isso. Uma equipe, aliás, com vários atletas acostumados a participar de decisões, incluindo participações em outras copas. Fred, estreante em copas, que esteve apenas em outros quatro jogos da seleção. Fred, apenas um garoto. Fred, com apenas cinco minutos em campo, fez um gol.