Narrativa transmídia: quais caminhos seguir?
Acima, trailer do jogo de realidade alternativa (alternate reality games, ARG) Conspiracy For Good. Esse é um dos projetos transmídia (quando uma história é contada através de múltiplas plataformas) que o criador do seriado Heroes, Tim Kring, está desenvolvendo.
Heroes foi recentemente cancelado. Sua audiência televisiva era pequena, mas o seriado era bastante popular na internet.
Seus episódios eram baixados em programas de compartilhamento de arquivos (p2p), mas não só: os fãs abraçaram o universo criado por Kring, desenvolvendo novas narrativas (fan made).
Expandir a história apresentada na TV era uma preocupação dos produtores do seriado. A extensão digital do programa foi batizada de Heroes Evolutions. Faziam parte dessa estratégia multimídia: revistas, games, webisodes, sites interativos etc.
Para Kring, novos produtos culturais não deveriam ser pensados para uma plataforma. Na verdade, deveria se adequar a plataforma à proposta do programa. Ou seja, a idéia precede o formato.
Isso me faz recordar Lost. E como a narrativa transmídia recebe uma abordagem limitada. Após a exibição do último episódio, muitas análises apontavam o mesmo veredicto: Lost mudou a TV. Mas porque seu alcance seria restrito apenas à tela pequena?
Lost não dialogou com tantos meios, porque sua influência não poderia ecoar em outras artes? Se no caso de Lost o “epicentro” narrativo foi a TV, porque outra criação não poderia conduzir seu eixo narrativo a partir da internet, o que poderia suscitar novos desdobramentos, como a criação coletiva? Ou mesmo já nascer multimídia, sem possuir um foco narrativo em apenas um meio de comunicação?
Por mais que identifique problemas na condução de Lost, o quadro geral é mais importante do que os tropeços ocasionais. Fico imaginando: e agora, o que vem depois? Lost não é apenas um fenômeno pop, mas sim um referencial de narrativa transmídia, de novas possibilidades ficcionais. Assim como um ótimo disco de rock que, ao mesmo tempo que influencia jovens músicos, que podem emular eficientemente essa obra inicial, também enseja a criação de obras inovadoras. Sua influência ecoa para além de seu tempo. Lost deve se tornar uma obra importante não apenas para o consumidor final de cultura, mas principalmente para os criativos.
