O Irã é o paraíso do jornalismo cidadão

“O Irã transformou-se no paraíso do “jornalismo cidadão”, com vantagens e riscos. Sem ele, possivelmente não se saberia nada do que ocorre ali. Mas é muito difícil distinguir quais as informações provenientes de indivíduos isolados e desconhecidos que têm credibilidade.
[...]Mesmo que se considere que tudo que chega pelas novas mídias seja verdadeiro, ainda há que levar em conta que as pessoas capazes de enviar essas mensagens não necessariamente representam o conjunto da sociedade.
[...]É impossível assegurar que o estado de espírito predominante no Irã seja o que consta das mensagens que chegam de lá pelas novas tecnologias.”

Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo.

Questionamentos pertinentes. Torna-se difícil, em muitos casos, tentar checar a veracidade dos fatos, ainda mais num país fechado. Todavia, mesmo que os manifestantes não representem a maior parte da população, isso não inviabiliza o fato de que são vozes discordantes. Muitas vezes  tolhidas. Além disso, governos populistas conseguem se perpetuar no poder utilizando práticas condenáveis.

Segundo o blogueiro iraniano Roozbeh Mirebrahimi, que foi condenado pela justiça do país a dois anos de cadeia mas fugiu antes para Nova York, a blogosfera é a imprensa livre que o Irã não tem. Entretanto, faz a ressalva:

“Não se faz revolução só pela internet. É bom ter passeata, ter manifestação, com cartazes. O povo precisa estar na rua, fico pessimista ao ver que as pessoas estão apavoradas em casa, com medo de apanhar, da prisão ou de morrer. É bom conquistar blogs, mas precisamos estar na CNN, no “New York Times”, na imprensa tradicional. Achar que dá para mudar o regime só no Twitter [portal de mensagens breves] é ingênuo. “

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Imagem via Flickr de robbmonty