O poder criativo da indisciplina
[…]A história mostra, porém, que a inovação se sustenta apenas ao longo do tempo em locais onde há não apenas apoio à pesquisa, mas aceitação da diversidade e da indisciplina. O grande personagem de Harvard hoje é Mark Zuckerberg, um gênio indisciplinado na universidade.
Bill Gates não acabou a faculdade; Steve Jobs também não concluiu o ensino superior, onde apenas se interessou por caligrafia.
Não estou dizendo que uma nação não depende de quem estuda duro e é disciplinado, mas sim que se não houver espaço para a fantasia e o delírio não surgem Facebook, Google, Microsoft, IBM ou Apple.
[…]Na semana passada, estive num local que serve como a tradução arquitetônica perfeita do poder criativo da indisciplina. É o novo prédio do Media Lab, do MIT, dedicado a descobrir novas funções para a tecnologia da informação.
Não há salas de aulas. Os alunos montam seus currículos, usando outras faculdades. Um amontoado de projetos se espalha pelos andares, parecendo um conglomerado de garagens daqueles jovens inventores que transformam a casa dos pais em laboratórios.
[…]Os grandes inventores precisam de espaço para serem crianças, algumas vezes sem limite, para exercerem sua curiosidade.
O mundo é dividido entre quem cria e quem copia. Os dois tipos são necessários e complementares.
Para ter, porém, muitos inovadores, excesso de disciplina não funciona. Daí o erro, alertado por psicólogos, dos pais que pensam ajudar os filhos reduzindo seu direito de brincar e enchendo seu dia de atividades. Brincar é um dos melhores jeitos de se encantar pelas descobertas.
Gilberto Dimenstein comenta o livro Hino de Batalha de Uma Mãe Tigresa. Nele, a professora de direito Amy Chua entrega a forma rígida como educa suas filhas. Chua julga que está sendo bem-sucedida. Dimenstein, entretanto, acredita que excesso de disciplina não combina com criatividade.
Criatividade e inovação são dois termos cada vez mais presentes no noticiário. Nessa semana, o presidente norte-americano Barack Obama defendeu a importância da inovação para o desenvolvimento do seu país.
Por outro lado… O cientista-chefe do Cesar, Silvio Meira, em artigo na Folha, perguntou: Onde estão os “entreprenerds” brasileiros? “Tivéssemos a capacidade de criar uma legião brasileira de “”entreprenerds”, gente que conseguisse empreender conhecimento nas tecnologias de informação e comunicação, associada a uma outra legião que em parte já existe, a dos “”nerds”, teríamos muito mais chance de ter empresas e serviços brasileiros, de software ou intensivos em software, no mercado mundial e, por consequência, no Brasil”, defende.
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