O ponto de ruptura da comunicação

O debate sobre a indústria da informação não deve ser feito apenas sob o ponto de vista dos meios de comunicação, ser auto-referente. É necessário ampliar a visão, do contrário pode-se perder oportunidades significativas. A Apple, por exemplo, modificou a venda de música com o iPod e a loja virtual iTunes, mesmo sem ter experiência no setor. A loja virtual Amazon quer fazer o mesmo com o mundo editorial. Lançou o Kindle, seu leitor de livros em formato digital.

Ademais, o modelo de atuação do profissional de comunicação comentado por Steve Outing prescinde o vínculo com empresas de comunicação, o que já acontece atualmente. E essa é apenas uma das propostas que devem surgir para a atuação dos profissionais de comunicação.

Enquanto a mudança demora para alguns, outros já investem no novo meio, criando grande capital social mesmo sem possuir experiência anterior com a indústria da informação. O Move That Jukebox, por exemplo, é um dos blogs de música mais conceituados do Brasil. Quando foi criado, muitos dos seus integrantes eram menores de idade.

No livro “Criatividade e Grupos Criativos”, o sociólogo Domenico de Masi defende que a criatividade talvez não seja a menor distância entre dois pontos, mas é a mais produtiva. Esse desvio torna possível, inclusive, transformar e recriar o que foi desenvolvido para um fim, mas que encontra outra utilização prática.

As mudanças trazidas pela internet são amplas. Nem sempre traz algo novo, mas potencializa tendências e demandas reprimidas do mundo “off line”, criando caminhos e soluções inesperadas.

O primeiro setor a ser afetado significativamente pela internet foi o entretenimento, com mais evidência a indústria fonográfica. Agora é a vez da comunicação. Provavelmente, não serão as únicas. Na verdade, a grande rede simboliza diversas mudanças tecnológicas atuais, que devem resultar em alterações significativas na sociedade.

Muitas vezes, fala-se que o passado ensina, com ele aprendemos lições importantes. Provavelmente as alterações resultantes da sociedade conectada sejam tão grandes que mirar o passado não seja o parâmetro ideal do que está acontecendo. “Se eu tivesse perguntado a um consumidor do que ele precisava ele me teria pedido um cavalo mais veloz” afirmou Henry Ford, empresário que revolucionou a indústria automobilística.

Podemos estar em outro momento de ruptura. Essa transição faz com que muitos fiquem ansiosos, temerosos pelo que pode vir ou mesmo tornem-se críticos mordazes das novidades propostas. O repórter norte-americano Dan Rather chegou a definir os blogueiros como ‘jornalistas de pijamas’. Hoje, grande parte das empresas de comunicação mantém blogs.

O clima é favorável à criação, ao lançamento de novas propostas. Quem trabalha com comunicação deve perceber justamente isso: sua área é a informação, não deve estar atrelada a um suporte físico, um estilo específico de atuação.