O riso forçado
Cunhou-se o termo estética da fome para designar filmes como Cidade de Deus. Seriam obras que exploram a miséria. É uma frase de efeito, mas equivocada. O cenário não é usado como elemento de choque, para despertar a expiação alheia. O filme vai além disso.
Se um belo filme como Cidade de Deus é recebido assim, qual seria o termo ideal para descrever Fora de Casa! (Freddy Got Fingered)? Trata-se de uma comédia incomum, uma espécie de Quem vai Ficar com Mary sem limites.
É estranho. O filme busca provar que há, em algum ponto da cena escatológica, elementos de humor. Isso não foi em vão, no final vai valer a pena.
Entretanto… A promessa não se concretiza, o diálogo foi perdido antes do arremate da piada. O choque elimina qualquer tentativa de riso. A audiência procura o fim, mas por alívio. O público não suportou o teste. E a piada, vá lá, nem era muito boa.
Curiosamente, trata-se de uma espécie de filme de autor: foi dirigido, escrito e estrelado por Tom Green, popular apresentador da MTV norte-americana.
Fracasso de bilheteria, foi um filme bastante aclamado. Ganhou em várias categorias do Framboesa Dourada, premiação que elege os piores filmes norte-americanos. Alguém entendeu a piada.
