O Twitter e suas bobagens sem sentido [autor convidado: Paulo Moura]

Um estudo divulgado e replicado intensamente sobre o uso do Twitter na semana passada mostra o imenso descompasso existente entre o conhecimento de fato e o achismo na cobertura de notícias relacionadas à comunicação online e mídias sociais. O estudo realizado pela empresa de pesquisa de mercado americana Pear Analytics, revelou que 40,5% das mensagens trocadas através do serviço são “bobagem sem sentido“.

Ora, a pergunta que deveria se fazer é: só isso? Em se tratando de mídias sociais, essa pesquisa deveria servir, a bem da verdade, para ressaltar ainda mais o valor do microblogging.

Antes de qualquer análise mais apurada seria necessário dimensionar o que é ‘bobagem sem sentido’. Mas, partindo do pressuposto de que seriam posts de cunho particular como ‘Estou indo para a academia’, ‘Saindo para a balada’ ou ‘Hoje não quero sair da cama’, não é preciso ir muito longe para aferir que Orkut, Facebook e afins teriam na mesma pesquisa um percentual muito mais elevado.

O que impressiona mais, no entanto, é o espanto da mídia tradicional em relação ao resultado do estudo. Até onde se saiba, ninguém em são consciência lê um jornal ou uma revista de cabo a rabo, até mesmo por falta de tempo para a tarefa. Uns não querem saber das ‘bobagens’ das celebridades e pulam o caderno de TV, outros não tem paciência para as ‘bobagens’ futebolísticas’ e ignoram o caderno de esportes e, de uns tempos para cá, certamente o caderno de política, a julgar pelos acontecimentos em Brasília, tem servido para outros fins, que não a leitura propriamente dita. Sendo assim, quantos por cento restam???

As mídias sociais tem como um de seus principais atributos o fato de poderem ser utilizadas ao bel prazer do usuário. No caso do Twitter, essa característica ganha contornos ainda mais abrangentes. Se o seu negócio é vinho, por exemplo, você tem lá uma infinidade de sommeliers, produtores e estudiosos para seguir e ser seguido, e assim acontece com as mais diversas áreas de interesse. Se vier ‘bobagem’, é só bloquear ou, utilizando o linguajar comum, pular a página.

Nos gastos bancos das faculdades de jornalismo de outrora ensinavam que a notícia se faz quando o rabo abana o cachorro, não o contrário. Enfim, pelo menos hoje temos o artifício do ‘delete’.

Autor: Paulo Moura
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