Os novos caminhos do documentário

O documentário teve um boom de produção e exibição recentemente. Com o barateamento dos equipamentos e a facilidade de divulgação online, esse estilo de filme tende a crescer ainda mais.

No meu tumblr cinematográfico, por exemplo, divulgo ótimos mini-documentários que antes só poderiam ser exibidos em festivais específicos ou ganhar limitada exibição comercial. Na web, os novos cineastas têm a possibilidade de dialogar com uma plateia maior. E buscar temas distintos, criar coletivamente, testar novas linguagens, experimentar novos caminhos.

Se procura informações sobre o assunto, há inúmeros livros sobre o cinema “verdade”. Desde os técnicos, que lhe auxiliam a produzir filmes, até os que analisam a estética, debatem o que interfere na captação da realidade etc.

Para quem quer ser cineasta, uma boa -e gratuita!- fonte de informação é o livro Introdução ao documentário, de Bill Nichols, que pode ser encontrado no Google Livros.

Filmar O Real, de Consuelo Lins e Cláudia Mesquisa, analisa a produção brasileira de filmes documentais. Não é gratuito, mas o valor é bem acessível (menos de R$ 20,00).

Há ótimos filmes que optam por uma narrativa documental mais clássica, que investigam uma realidade através do registro de bastidores, entrevistas e/ou pesquisa de arquivo (Ônibus 174, Notícias de uma Guerra Particular, Entreatos, Vocação do Poder etc.)

Entretanto, Filmar O Real mostra como o cinema documental busca novas propostas: há filmes mais poéticos (ensaios fílmicos que apresentam cuidado maior com a plástica, a composição da imagem, ampliando fatos do cotidiano que podem parecer “banais”, vide Acidente, Aboio, Andarilho, O Fim do Sem Fim, A Alma do Osso, O Verbo Contra o Vento, Uma Encruzilhada Aprazível, Di/Glauber, Nelson Freire), películas em que os próprios “personagens” encenam situações (Serras da Desordem), obras protagonizadas pelos cineastas (muitas vezes, o documentarista “investiga” sua história, como Santiago, Rocha que Voa, 33 e Passaporte Húngaro), documentários  filmados pelas personagens (Rua de Mão Dupla, Jardim Nova Bahia) etc.

Há diversos filmes que não apenas optam pelo registro da realidade pré-existente. Jogo de Cena propõe uma mistura de depoimentos das personagens reais com encenação das situações coletadas em entrevistas feitas pelo diretor Eduardo Coutinho. Como nem todas as atrizes são conhecidas, você não sabe quem realmente viveu a situação ou se se trata de uma interpretação. O “jogo” só é elucidado no final. Ademais, o documentário Valsa com Bashir inovou ao utilizar desenho animado para narrar a história de ex-soldados israelenses.

Os dois livros citados acima são apenas alguns exemplos. Há muitos outros, como Documentário – Técnicas para uma produção de alto impacto. A internet é outra ótima fonte de informação e troca de experiências.

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