Pornografia ou erotismo?
Pornografia é menos um conceito que um insulto, um preconceito. No mundo interminável dos desejos intensos que é a internet, as imagens licenciosas são infinitas. Trata-se de desejos inefáveis, intangíveis, “virtuais” (do latim “virtus”, que também dá origem, numa gênese paradoxal, à palavra virtude), ou seja, existindo apenas em potência e não em ato, como sonho e irrealidade. Imagens que alimentam, e se alimentam, dos desejos humanos. Exatamente como as obras de arte.
Se tivermos mesmo que situar a pornografia num campo conceitual, este deve se localizar na moral, e não na estética ou na arte. Na estética, na arte, grandes ou pequenas obras, “altas”, ou “baixas”, nobres ou vulgares, podem corresponder entre si, e iluminarem-se mutuamente.
Jorge Coli, na Folha, debate as fronteiras morais e estéticas que vão da pornografia ao erotismo.
